"Media fortes fazem parte do ecossistema para sociedades seguras"

Novembro 13, 2025 - 11:00
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"Media fortes fazem parte do ecossistema para sociedades seguras"

"Muito antes de a IA surgir, vocês já enfrentavam enormes desafios", recorda Michael O'Flaherty, que foi orador da Web Summit, em Lisboa, na terça-feira, referindo que nesse dia viu "uma meia dúzia" de startups que substituiriam jornalistas.

 

Portanto, "deve ser um momento muito desconfortável para estar nos media, mas vocês desempenham um papel essencial", assevera.

"Sabiam que a supervisão mais apertada da IA na Europa está nos países que têm a maior comunidade de jornalistas de investigação", questiona Michael O'Flaherty.

Ou "talvez não as maiores, mas as melhores comunidades de jornalistas de investigação", reforça.

Os Países Baixos e a Dinamarca têm uma supervisão rigorosa, mas também contam com "um excelente jornalismo de investigação" que expôs escândalos relacionados com questões como a discriminação e viés na distribuição de benefícios sociais.

"Isto não teria vindo a público se não fossem os media", aponta.

Portanto, "media fortes fazem parte do ecossistema para sociedades seguras e não há substituto para um jornalista inteligente, curioso e humano", sublinha.

Questionado sobre o que diria às pessoas que estão preocupadas com o impacto da IA e do aumento da polarização, o comissário considera que elas estão certas em estar preocupadas.

"Este é um momento muito precário. Corremos o risco real de perder tudo o que conquistámos em termos de construção de sociedades justas a partir dos horrores da Segunda Guerra Mundial", adverte.

"Corremos o risco de perder tudo isto se não acordarmos e nos indignarmos, foi o que disse o famoso intelectual francês Stéphane Hassell": 'Indignez-vous' (indignai-vos).

Ou seja, "indignar-se com o que estamos a arriscar, com o que estamos a desperdiçar. Estamos a perder a Declaração Universal dos Direitos Humanos", prossegue.

Portanto, "temos de estar extremamente preocupados, mas isso não significa que devamos desesperar", diz.

Mas antes apresentar a mensagem de forma clara e incisiva e fazê-lo com persistência e "mobilizar toda a boa vontade, toda a energia e toda a visão de um mundo melhor que os jovens das nossas sociedades têm, eles são o futuro. Pessoas como eu apenas nos deixamos levar por essa energia, mas precisamos de a canalizar", conclui.

A cimeira tecnológica, que arrancou em Portugal em 2016, começou na segunda-feira à noite em Lisboa e termina hoje.

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