Mariana Mortágua sai, Bloco "pode beneficiar". Para onde segue o partido?

Outubro 26, 2025 - 12:00
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Mariana Mortágua sai, Bloco "pode beneficiar". Para onde segue o partido?

A coordenadora do Bloco de Esquerda (BE), Mariana Mortágua, anunciou no sábado que não irá recandidatar-se à liderança do partido, considerando que este poderá "beneficiar de outras pessoas, outras vozes" quer na sua coordenação, quer na Assembleia da República, que também irá deixar em breve. Após enviar uma carta aos militantes, Mortágua deu uma conferência de imprensa na sede nacional do BE, em Lisboa, onde esclareceu a decisão. Agora, cabe aos militantes escolher os novos órgãos nacionais do partido.

 

Ao anunciar, por carta, que não se iria recandidatar à liderança, Mortágua reconhecia que a direção por si encabeçada foi incapaz de "gerar um novo impulso político e eleitoral".

"Face a este balanço e agora que termino o mandato que me foi conferido na última Convenção, comunico-vos que decidi não me candidatar a um novo mandato de coordenadora do Bloco de Esquerda", lia-se numa carta enviada aos militantes e à qual a Lusa teve acesso.

Mais tarde, a ainda coordenadora do Bloco adiantava que também irá deixar o mandato na Assembleia da República após o processo orçamental, no final de novembro, e rejeitou falar sobre "qualquer decisão sobre o futuro" do partido.

"Eu pretendo concluir o processo orçamental que iniciei e depois disso sair do Parlamento", afirmou Mariana Mortágua em conferência de imprensa na sede nacional do BE, em Lisboa.

Novo líder? "É uma decisão que não me cabe a mim"

Interrogada sobre o perfil do próximo líder do partido, e se será benéfico ter a mesma pessoa nesse lugar e no Parlamento, uma vez que o BE só tem um deputado, Mariana Mortágua rejeitou adiantar a sua opinião.

"Essa é uma decisão que não me cabe a mim, que cabe ao Bloco de Esquerda tomar, que cabe aos militantes do Bloco, à sua próxima direção. E esse é o processo que se inicia agora, ou que continua agora, de preparação da Convenção do Bloco", respondeu, referindo-se à reunião magna agendada para os dias 29 e 30 de novembro.

Condicionada para sair? Reflexão feita "com tempo" e decisão é "pessoal"

Já sobre o que mudou para tomar esta decisão, Mariana Mortágua adiantou que começou a refletir numa eventual saída após as eleições legislativas de maio, nas quais o partido teve o seu pior resultado de sempre naquele tipo de sufrágio, passando de cinco para uma deputada única.

Mortágua rejeitou que a sua decisão tenha sido tomada ou sequer condicionada por artigos de qualquer comentador, depois de o antigo militante Daniel Oliveira ter escrito esta semana um artigo de opinião no jornal Expresso no qual defendeu a sua saída.

"Essa reflexão iniciou-se no dia do resultado das Legislativas. Mas considerei, e considero, que seria irresponsável, sem fazer essa reflexão, tomar uma decisão irrefletida e deixar o Bloco numa situação de vazio, até uma convenção que estava marcada para novembro", argumentou.

Mortágua diz ter feito a sua reflexão "com tempo e com ponderação".

A dirigente bloquista apontou que "no fim de um período uma maioria absoluta que caiu com estrondo há poucos anos", a do PS, liderada por António Costa, "e com o crescimento da Direita e em particular da extrema-direita e da sua influência na política portuguesa, era preciso dar um novo impulso à Esquerda". 

"Era preciso que a Esquerda conseguisse ter esse novo impulso para combater a Direita, que conseguisse ampliar o seu espaço social, conseguisse também inverter uma redução do seu espaço eleitoral. Eu considero que esses objetivos não foram cumpridos e assumo as responsabilidades relativamente a essa reflexão que faço e à conclusão que tiro", sustentou.

Mortágua considerou que o seu partido poderá beneficiar de ter neste momento "outras pessoas, outras caras, outras vozes", tanto na coordenação, como na Assembleia da República.

"Esta é uma decisão pessoal, como só pode ser. A decisão sobre o futuro do Bloco, essa sim é uma decisão coletiva e que acontecerá na próxima convenção do BE e sairá do debate, em primeiro lugar, entre as várias moções que são candidatas à Convenção e depois o debate que acontecerá na própria Convenção", realçou.

Quanto ao seu futuro, Mariana Mortágua afirmou que "o afastamento da vida política é uma impossibilidade" e prometeu estar disponível para trabalhar no partido e "construir a Esquerda".

"Sou também parte desse futuro, ainda que não como coordenadora do Bloco de Esquerda. Não neste momento como coordenadora e também não no futuro como deputada", afirmou.

"Bloco de Esquerda pode beneficiar de ter outras pessoas e outras vozes"

A coordenadora do Bloco de Esquerda, Mariana Mortágua, referiu que considera que o partido poderá "beneficiar de outras pessoas, outras vozes" quer na sua coordenação, quer na Assembleia da República. Revelou ainda que, após o Orçamento do Estado, deixará de ser deputada no Parlamento. Maria Gouveia com Lusa | 18:25 - 25/10/2025

Bloco de Esquerda elege sucessor no final de novembro

A 14.ª Convenção Nacional do Bloco de Esquerda, marcada para os dias 29 e 30 de novembro e com cinco moções a debate, assume uma nova importância com o fim de ciclo de Mariana Mortágua.

A bloquista era a primeira proponente da moção de orientação 'A', intitulada "Resistir para virar o Jogo", na qual Mortágua reconhecia erros e que tinha entre mãos um "partido militante em reconfiguração", após o pior resultado eleitoral de sempre em legislativas em maio, que levou o partido à representação única no Parlamento.

Agora, com a saída de Mortágua, caberá aos subscritores da moção 'A' decidir a sua proposta para a coordenação e qual a lista que vão apresentar para compor a Mesa Nacional.

Mesa Nacional reúne-se hoje

A Mesa Nacional do Bloco de Esquerda reúne-se hoje para analisar as eleições autárquicas e as presidenciais, um dia depois de Mariana Mortágua ter anunciado que está indisponível para se recandidatar à liderança do partido.

O órgão máximo entre convenções tem na sua ordem de trabalhos "fazer o balanço" do resultado do BE nas autárquicas do passado dia 12, nas quais o partido ainda liderado por Mariana Mortágua não conseguiu inverter a tendência descendente das últimas eleições.

José Manuel Pureza 'na calha' para candidato à liderança?

Após o anúncio da saída de Mariana Mortágua, a RTP noticiou que José Manuel Pureza está entre as hipóteses para a coordenação do partido. Contudo, o dirigente do BE e ex-deputado rejeitou "cenários precipitados".

À agência Lusa, o antigo vice-presidente do Parlamento realçou que "um partido democrático não só comporta visões diferentes como se fortalece a partir dessas diferenças".

"No Bloco, cada moção apresentará à Convenção Nacional a sua proposta de orientação política e a sua solução de direção. Há, na moção que subscrevo, várias pessoas com grande capacidade para coordenar o Bloco", afirmou.

Corrida à liderança do BE? Pureza rejeita

Corrida à liderança do BE? Pureza rejeita "cenários precipitados"

A coordenadora do BE, Mariana Mortágua, anunciou hoje que não irá recandidatar-se à liderança do partido, considerando que a direção por si encabeçada foi incapaz de "gerar um novo impulso político e eleitoral". Lusa | 18:39 - 25/10/2025

O percurso

Mariana Mortágua, 39 anos, economista, foi eleita coordenadora nacional do BE em maio de 2023, na última convenção nacional do partido, sucedendo a Catarina Martins, atual candidata à Presidência da República apoiada pelos bloquistas.

Nas Legislativas de maio deste ano, o BE teve o seu pior resultado de sempre na sua história em eleições deste tipo, passando de cinco parlamentares para apenas uma, e nas autárquicas deste mês passou de cinco vereadores e 94 deputados municipais para uma vereadora em Lisboa e um total de 17 deputados em câmaras e freguesias. Na lista do BE pelo círculo eleitoral de Lisboa nas últimas Legislativas, surge em segundo lugar Fabian Figueiredo, antigo líder parlamentar bloquista.

Em terceiro, Andreia Galvão, que recentemente substituiu a coordenadora no Parlamento quando participou numa flotilha que tinha como objetivo levar ajuda humanitária até à Faixa de Gaza, seguida por Ackssana Rodrigues da Silva em quarto e o dirigente do núcleo duro do BE Jorge Costa, em quinto.

Leia Também: Bloco reúne-se hoje para "balanço" sobre eleições (após Mortágua 'sair')

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