Líder da extrema-direita exige negociações para governo nos Países Baixos
"Esperamos sinceramente, para o bem dos Países Baixos e dos nossos eleitores, poder participar nas negociações para um novo gabinete e uma coligação", frisou, numa carta enviada ao ex-vice-primeiro-ministro Wouter Koolmees, encarregado de sondar os vários partidos em busca de possíveis alianças.
O líder do Partido da Liberdade (PVV) tem reiterado que o seu partido "não exclui nenhum partido de antemão" e que pode "trabalhar em coligação com qualquer pessoa disposta a implementar uma política de asilo e imigração sem precedentes, rigorosa e estrita".
Wilders garantiu ainda que, "noutras questões", está "preparado para fazer concessões, dentro do razoável".
"Na visão do meu partido, excluir partidos sem negociar o conteúdo de um programa de coligação é antidemocrático, inadequado e arrogante. Espero que partilhem desta visão e, por isso, não a apoiem", declarou.
Sublinhou ainda que, se continuarem a ser excluídos e se for formada uma coligação sem o seu partido, a oposição fará "tudo o que for possível" para se opor ao governo "com todas" as suas forças.
O líder da extrema-direita reconheceu ainda que as eleições "mostram um cenário diverso" e que tanto o D66 como o PVV empataram no número de lugares, embora o partido de centro-esquerda tenha recebido mais votos. Juntos, representam mais de 1,7 milhões de eleitores cada.
"É lógico e justo que os eleitores esperem que o seu partido esteja representado no governo nacional", enfatizou.
O partido D66 nomeou na terça-feira Koolmees, que também serviu como ministro do Trabalho e Assuntos Sociais (2017-2022), como conselheiro, no âmbito do processo de formação de um possível governo.
Terá de conversar com os diferentes grupos parlamentares e os seus líderes sobre as respetivas preferências para um possível acordo de coligação.
Koolmees concluiu hoje o seu primeiro dia de contactos, tendo conversado com os líderes de sete partidos sobre as suas preferências para o novo executivo.
No entanto, escusou-se a comentar o conteúdo dessas conversações até que terminem as reuniões que vai realizar na quinta-feira.
O líder do D66, Rob Jetten, transmitiu ao conselheiro o seu desejo de formar um executivo estável com amplo apoio, acreditando que o liberal VVD, a aliança Verdes/Trabalhistas (GL/PvdA, social-democrata) e o CDA, de centro-direita, que juntos detêm 86 dos 150 lugares, deveriam unir forças.
Segundo Jetten, cabe a Koolmees decidir se os membros desta coligação devem "reunir-se imediatamente" para negociar "ou se são necessárias outras etapas intermédias".
No entanto, o VVD recusa-se a formar uma coligação com os sociais-democratas, posição reiterada pelo seu líder, Dilan Yesilgoz Zegerius, que deixou isso claro ao longo da campanha.
Por sua vez, o líder do GL/PvdA, Jesse Klaver, afirmou que o seu partido está aberto a integrar tanto a coligação como a oposição, argumentando que o seu "principal objetivo é ajudar" o país a avançar e criticando Yesilgoz por criar "bloco após bloco".
O líder do CDA, Henri Bontenbal, referiu que "várias opções estão em aberto", embora tenha rejeitado a cooperação com o partido de Wilders, e manifestou o seu desejo de abordar rapidamente questões importantes como a crise da habitação, a migração e a situação económica.
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