Kompany viu o Benfica-Real e não poupa Mourinho: "Viajou com Eusébio?"
Vincent Kompany não se coibiu, esta sexta-feira, de comentar o caso de alegado racismo que 'manchou' o triunfo conquistado pelo Real Madrid, no Estádio da Luz, sobre o Benfica, por 1-0, em encontro a contar para a primeira mão do playoff de apuramento para os oitavos de final da Liga dos Campeões.
Na conferência de imprensa de antevisão à partida da 23.ª jornada da Bundesliga, diante do Eintracht Frankfurt, o treinador do Bayern Munique começou por brincar, assumindo que viu "o jogo em direto", visto que foi impedido de Borussia Dortmund-Atalanta, porque "não tinha a subscrição certa", antes de falar a sério, saindo em defesa de Vinícius Júnior, que alega ter sido insultado por Gianluca Prestianni.
"A reação não pode ser falsificada. Dá para ver que é uma reação emocional, e vejo qualquer benefício para ele ao ir ter com o árbitro e colocar toda a miséria sobre os seus ombros. Não há absolutamente razão nenhuma para Vinícius Júnior fazer isto, e, quando o faz, penso que, na mente dele, está a fazê-lo mais porque é a coisa certa de se fazer, naquele momento", afirmou.
"Depois, temos Kylian Mbappé, que, normalmente, é bastante diplomático entre todos os lados, e é bastante claro quanto àquilo que ouviu e àquilo que viu, e ainda é mais claro depois do jogo, quando fala disso. Depois, claro, temos um jogador que está a esconder o que está a esconder, com a camisola. Temos um jogador que se está a queixar e temos um jogador que diz que não o fez. Acho que, a não ser que o próprio jogador venha a público, é um caso difícil", acrescentou.
"Ainda por cima, José Mourinho fala de Eusébio..."
O antigo internacional belga também apontou o dedo aos adeptos que fizeram "gestos de macacos", nas bancadas, mas guardou as principais críticas para José Mourinho: "Para mim, ainda pior - e sou claro naquilo que estou a dizer - é aquilo que acontece depois do jogo. Depois do jogo, temos o líder de uma organização, José Mourinho, que, basicamente, ataca o caráter de Vinícius Júnior ao pegar no tipo de festejo para descredibilizar aquilo que ele está a fazer naquele momento".
"Para mim, ao nível da liderança, é um erro enorme, e é algo que não devemos aceitar. Ainda por cima, fala do nome de Eusébio, para dizer que o Benfica não pode ser racista, porque o melhor jogador da história do Benfica é Eusébio. Sabem aquilo por que os jogadores negros tiveram de passar, nos anos de 1960?", atirou.
"Ele estava lá para viajar com Eusébio, para todos os jogos fora, quando foi a todos os sítios na Europa? O meu pai é uma pessoa negra dos anos de 1960, também teve o seu percurso, e, provavelmente, na altura, a única opção que tinha era estar calado, não dizer nada, estar acima disso e ser dez vezes melhor para receber um pouco de crédito e as pessoas dizerem 'Na verdade, é bom'. Essa foi, provavelmente, a vida de Eusébio", prosseguiu.
"Hoje em dia, usar o nome dele para vincar uma posição sobre Vinícius Júnior, que, na verdade, está numa situação em que pode dizer algo sobre o que se passou... Muitos jogadores, noutros campeonatos, mesmo na Europa, não têm voz. Há jogadores na Hungria, na Bulgária e na Sérvia, em que, se algo lhes acontece e são negros, têm zero hipóteses de ter qualquer tipo de apoio.
"Quando José Mourinho desliza de joelhos, em Old Trafford, ou quando vai aos adeptos do Barcelona, numa meia final da Liga dos Campeões, e festeja, ou quando joga contra o Sevilla, na AS Roma, e discute com os árbitros, que têm de ser protegidos para sair do país... Nesse momento, se alguém fosse racista para com Mourinho, eu esperaria que todos disséssemos 'Parem, não importa o festejo. Ouçamos o que ele tem a dizer'", rematou.
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