Jorge Pinto critica tibieza de Seguro perante eventual revisão constitucional

Janeiro 11, 2026 - 23:00
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Jorge Pinto critica tibieza de Seguro perante eventual revisão constitucional

Num discurso num comício, em Coimbra, que encerrou o oitavo dia da sua campanha presidencial, Jorge Pinto retomou as críticas feitas, este sábado, por Rui Tavares, à postura de António José Seguro perante a possibilidade de o parlamento iniciar um processo de revisão da Constituição.

 

"Eu ouço, como ouvi ontem, António José Seguro dizer 'eu acho que a Constituição não precisa de ser mudada, eu não vejo ali nada que precise ser mudado'. Pois bem, eu também não. Mas isso não vai depender do próximo Presidente da República, vai depender de algum partido", começou por dizer.

Daí, insistiu na ideia de que o Chega está à espera de um "próximo escândalo" interno para dar início a esse processo para argumentar que, nesse momento, o país precisará de "ter um Presidente da República que é um efetivo contrapeso democrático" e que use todos os seus poderes para "impedir uma revisão constitucional feita apenas pela direita e pela extrema-direita".

Para Jorge Pinto, um chefe de Estado deve essa oposição aos portugueses e não pode ter uma postura de "tibieza" ou "medo de dizer o que fazer".

"António José Seguro faz-me lembrar muitas vezes aquele professor que, vendo diariamente na sua escola um 'bully' - um agressor - e uma vítima vai lá e diz 'façam as pazes, dêem as mãos' e logo vira as costas e deixa que a situação se resolva por si mesma. Ela não se vai resolver por si mesma. É preciso um professor, é preciso um Presidente da República que seja firme e que diga esta situação não pode continuar", atirou, acrescentando que nenhum candidato está a defender essa firmeza.

No mesmo discurso, Jorge Pinto atirou também contra André Ventura, referindo o caso da demissão de uma vereadora do partido em Coimbra para acusar o líder do Chega de "não conseguir sequer pôr ordem na sua casa" enquanto "quer pôr ordem no país".

O candidato a Belém apoiado pelo Livre disse ainda que Ventura "devia ter vergonha e pedir desculpa aos portugueses por tudo aquilo que tem trazido" para a política nacional.

Também Henrique Gouveia e Melo foi visado por Jorge Pinto, que acusou o almirante de "não saber bem de que lado é que está", uma vez que "um dia almoça com uns e noutro dia janta com outros".

"Vem dizer que isto é diversidade e que é a maneira de estar com todos os portugueses. Eu acho que a maneira de estar com todos os portugueses é ser transparente em relação àquilo que nós somos ideologicamente. Isso não é pecado. Ser de esquerda não é nem será nunca pecado, como ser de direita também não é. Mas sejamos francos com os portugueses. Digamos ao que vimos e ao que vamos", pediu.

Jorge Pinto encerrou a intervenção virando-se também para as restantes candidaturas à esquerda, sem especificar alvos, estabelecendo as suas diferença com quem é de esquerda e "se fecha em si mesmo" ou se "põe numa gaveta".

"Há uma nova esquerda desempoeirada, que não tem vergonha (...), que agrega e que cresce porque pelo europeísmo, pelo ecologismo, pela defesa dos animais. E é essa esquerda, a esquerda que não se fecha em si mesmo. Uma esquerda que, como eu ouvi de outros candidatos, não acha que é a 'esquerda ponto', porque a esquerda nunca é a 'esquerda ponto'. A esquerda é sempre algo que soma, é algo a que vamos acrescentando coisas", exclamou.

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