"Japão não é distante, é parceiro com raízes comuns", diz IL

Setembro 8, 2025 - 13:00
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"Japão não é distante, é parceiro com raízes comuns", diz IL

Num projeto de resolução entregue hoje na Assembleia da República, a IL recorda a relação histórica de Portugal com o Japão desde o século XVI para salientar que não se trata de um "país longínquo", mas um "parceiro com raízes comuns no Pacífico" e com o qual se partilham "valores universais".

 

"No presente, o Japão enfrenta um dos contextos de segurança mais desafiantes da sua história contemporânea", lê-se no projeto, que salienta que o Japão tem disputas territoriais com a Rússia em torno das ilhas Curilas.

"Este cenário é agravado pela retórica recente do Kremlin, nomeadamente de altos responsáveis da segurança russa, que acusaram o Japão de seguir uma 'política suicida de militarização', numa tentativa clara de intimidar Tóquio e de condicionar a sua política externa soberana", refere-se.

Relativamente à Coreia do Norte, a IL frisa que o país "prossegue um programa nuclear e balístico que representa uma ameaça não apenas para o Japão, mas para todo o sistema de segurança internacional".

"A ameaça de um arsenal nuclear norte-coreano plenamente operacional, aliado a uma retórica agressiva e imprevisível, torna esta questão numa das mais graves fontes de instabilidade no nordeste asiático", frisa a IL.

Por último, o partido refere que a China está a intensificar "a sua presença militar e naval em todo o Mar do Sul da China e, em particular, em redor de Taiwan", avisando que isso coloca em causa "todo o equilíbrio estratégico do Indo-Pacífico".

Neste contexto, a IL sublinha que o Japão tem reforçado as suas capacidades de defesa e "aprofundado as suas alianças com democracias afirmadas e relevantes" e refere que, "perante estas iniciativas legítimas de defesa, tanto a Rússia como a China procuram retratar o Japão como um país em escalada militar".

"Essa narrativa é injusta e desprovida de fundamento", defende a IL, que considera que Portugal, enquanto Estado-membro da União Europeia (UE) e da NATO e país que "inaugurou há quase cinco séculos o diálogo com o Japão", não pode "ser indiferente" a este cenário.

"A solidariedade com o Japão não é apenas a solidariedade com um Estado amigo: é a defesa de um princípio fundamental -- o de que os povos livres têm o direito de se protegerem contra ameaças externas, de escolherem os seus aliados e de determinarem o seu próprio destino", lê-se.

A IL recomenda assim ao Governo que "afirme publicamente a solidariedade e o apoio político e diplomático ao Japão, reafirmando o direito soberano do país a garantir a sua segurança nacional e a sal defesa perante as ameaças da Rússia, da China e da Coreia do Norte".

O partido insta ainda o executivo a aprofundar a "cooperação bilateral entre Portugal e o Japão, nomeadamente nas áreas política, militar, económica, científica e cultural, valorizando os laços históricos que unem os dois países desde 1543".

A IL pede também que o Governo "incentive a participação portuguesa em iniciativas multilaterais que fortaleçam a segurança marítima, a liberdade de navegação, bem como a segurança aérea e a resiliência tecnológica no Indo-Pacífico, em articulação com o Japão e os seus parceiros democráticos".

Este projeto de resolução foi entregue na Assembleia da República no dia em que Luís Montenegro chega a Pequim para uma visita de dois à China, seguida de uma viagem ao Japão a partir de quinta-feira, igualmente de dois dias.

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