Isabel Moreira acusa Chega de "provocação" no protesto de imigrantes
A deputada do Partido Socialista (PS) Isabel Moreira considerou que “é naturalmente uma provocação entrar pelo meio de uma manifestação autorizada”, referindo-se à entrada do Chega num protesto de imigrantes em frente à Assembleia da República, esta quarta-feira.
Questionada pela SIC Notícias sobre um momento de “excesso” durante a manifestação a deputada afirmou: “Não verifiquei excesso nenhum” por parte dos manifestantes.
E atirou: “Num partido em que uma deputada já se referiu a imigrantes como ratos [referindo-se a Rita Matias, do Chega] é natural que seja provocatório entrar pela manifestação a dentro, numa manifestação de imigrantes, e isso sim é uma provocação”.
“Provocação mesmo é num estado de Direito, imigrantes estarem-se a manifestar de forma autorizada em frente à casa da democracia e o tema, mais uma vez, ser a extrema direita e não estas pessoas.”
A socialista defendeu ainda que é “natural” que os imigrantes se sintam “frustrados” e considerou que “estas pessoas muitas vezes não estão regularizadas por responsabilidade do Estado, que se atrasa, que cria requisitos que não estão na lei, que é desumano no reagrupamento familiar”.
“A pessoas efetivamente trabalham, querem continuar a trabalhar e nós não sobreviveríamos sem os descontos para a Segurança Social destas pessoas”, rematou a deputada Isabel Moreira.
A manifestação de imigrantes que decorria de forma pacífica junto ao parlamento na tarde desta quarta-feira terminou com muita contestação depois de o líder do Chega, André Ventura, ter aparecido no local.
Quando os manifestantes já estavam a abandonar a zona da Assembleia da República, o líder do Chega apareceu para falar aos jornalistas.
Nessa altura, as pessoas que estavam na manifestação dirigiram-se a André Ventura a gritar palavras como "fascista", "racista" e "Portugal é de quem trabalha".
André Ventura disse então: "Querem regras, a lei serve para quem quer cumprir regras. A lei visa pôr regras, não vamos desistir".
O líder do Chega saiu do plenário da Assembleia da República com vários deputados do seu partido e dirigiu-se à frente do edifício, onde se encontravam os manifestantes.
Ventura permaneceu cerca de quinze minutos no local, onde esteve sempre acompanhado pela PSP e pela sua segurança pessoal, perante forte contestação dos presentes - uma reação que deveria ser esperada pelo, agora também, candidato presidencial.
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