Irmãos nigerianos desenvolvem braço biónico hiperrealista para amputados

Agosto 21, 2025 - 13:00
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Irmãos nigerianos desenvolvem braço biónico hiperrealista para amputados

Na Nigéria, um artista plástico, que já trabalhou no mundo do cinema, dá à vida de pessoas amputadas no país uma nova esperança de recuperarem a autoestima.

 

John Amanam, conta a Reuters, é formado em Artes e Design pela Universidade de Uyo e desenvolve há vários anos próteses feitas especialmente para pessoas com a pele negra, preenchendo desta forma uma lacuna que existia no mercado.

A ideia surgiu depois do irmão mais novo de John, Ubokobong, ter perdido os dedos numa explosão de fogo de artifício, durante as celebrações do Ano Novo, há seis anos.

A "angústia" do irmão, por não encontrar dedos artificiais da sua cor, inspirou John a fundar a Immortal Cosmetic Art, como contou à Reuters.

Inicialmente, as próteses criadas pelo artista eram puramente estéticas e careciam de funcionalidade. No entanto, o irmão Ubokobong (que perdeu os dedos) ajudou-o a desenvolver uma solução, com a sua experiência em tecnologia e eletrónica.

Após três anos de investigação, a dupla conseguiu chegar ao "braço biónico Ubokobong", que pode ver na galeria acima.

O braço funciona, como explicou John à Reuters, através de "sinais eletromiográficos" que são enviados pelo cérebro até diferentes músculos das mãos.

Apesar de ainda não terem data de lançamento para a "mão biónica hiper-realista", os irmãos estão ansiosos para começarem a ajudar os amputados da Nigéria. A empresa já recebeu encomendas dos EUA, Reino Unido, Austrália e Gana, de pessoas interessadas em adquirir a prótese em questão, mas os custos elevados da produção faz com que seja difícil serem adquiridas por nigerianos.

John e Ubokobong esperam, por isso, ter o apoio do governo do país ou de ONGs para que as próteses fiquem acessíveis também à população nigeriana.

"Será a minha maior felicidade"

Uma das pessoas que beneficiará com esta invenção dos irmãos Amanam é Gift Usen, uma esteticista nigeriana, de 25 anos, que nasceu com uma malformação numa mão.

"Cresci a ver-me com uma mão e meia. E isso deixa-me triste na maioria do tempo", revelou à Reuters, acrescentando que o dia em que John e Ubokobong lançarem o braço biónico será o mais feliz da sua vida.

"Colocarem-me o braço será a minha maior felicidade. Finalmente terei duas mãos. E quem sabe talvez sentir ambas", disse, emocionada.

Além de braços, a Immortal Cosmetic Art, localizada em Uyo, no sul da Nigéria, desenvolve dedos, pés, orelhas e outras partes do corpo, sempre com um impressionante nível de realismo.

As próteses são feitas com silicone médico e pintadas à mão, com atenção a detalhes como veias, rugas, unhas e até pelos, de forma a reproduzir com a maior precisão possível a textura e o tom da pele de cada cliente.

Como realçam os meios de comunicação social locais, o trabalho dos irmãos Amanam vai além da estética, uma vez este devolve a "dignidade, identidade e autoestima a pessoas negras amputadas".

Num continente onde milhões de pessoas vivem com deficiências físicas — muitas delas causadas por acidentes, conflitos ou doenças, a representação racial também se mostra essencial na reabilitação.

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