"Inferno na terra". A prisão onde Nicolás Maduro está detido

Janeiro 5, 2026 - 13:00
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"Inferno na terra". A prisão onde Nicolás Maduro está detido

A prisão de Brooklyn onde o presidente deposto da Venezuela, Nicolás Maduro, é descrita como "o inferno na terra" por muitos dos detidos e condenados que por lá passaram. O estabelecimento prisional, aliás, tem tantos problemas (de segurança e saúde) que certos juízes se recusam a enviar reclusos para as instalações.

 

Aberto no início dos anos 90, o Centro de Detenção Metropolitano (conhecido pela sigla MDC, em inglês), alberga, neste momento, 1.300 prisioneiros - uma descida considerável dos 1.580 que tinha em janeiro de 2024.

A prisão, localizada perto de um centro comercial numa zona industrial e perto da linha costeira, tem sido frequentemente descrita como "inferno na terra" e uma "tragédia em curso". 

Ao longo dos anos, tanto os detidos como os seus advogados têm-se queixado de uma violência sem controlo dentro das instalações. Em 2024, dois reclusos morreram dentro do centro prisional, assassinados por outros prisioneiros.

Enquanto isso, os guardas prisionais do MDC são frequentemente afastados da posição e acusados de aceitar subornos ou permitir a entrada de contrabando nas instalações.

Em 2019, a falta de condições chegou a níveis extremos: durante o inverno, uma falha de energia geral deixou os reclusos sem luz e aquecimento durante uma semana inteira, enquanto a temperatura chegava a graus negativos.

Recentemente, o Departamento Federal de Prisões dos Estados Unidos disse ter melhorado as condições do MDC com novos guardas prisionais e médicos no centro prisional, uma revisão às linhas de esgotos e de eletricidade, à alimentação e ainda aos sistemas de aquecimento e de ar condicionado. 

As melhorias - que visavam responder às preocupações de muitos juízes - vieram acompanhadas por uma forte repressão ao crime dentro da prisão. Em março, 23 reclusos foram acusados de crimes que variavam entre o contrabando de armas num pacote de Doritos ao esfaqueamento de um homem condenado pelo assassinato do DJ Jam Master Jay.

"Em suma, o MDC Brooklyn é seguro para os reclusos e funcionários", afirmou o departamento em setembro de 2025.

É nestas instalações que Nicolás Maduro está a ser detido. Apesar de permanecer isolado da restante população prisional, há caras conhecidas do chefe de Estado venezuelano na prisão. 

Desde logo, Hugo Carvajal, o chefe dos serviços de inteligência da Venezuela que em 2019 quebrou laços com Maduro. Carvajal já terá indicado que quer cooperar com as autoridades norte-americanas no caso contra o presidente deposto.

O MDC também já deteve um outro ex-chefe de Estado: Juan Orlando Hernández, antigo presidente das Honduras, foi condenado a 45 anos de cadeia por traficar dezenas de toneladas para os Estados Unidos. Em dezembro, Trump emitiu um perdão a Hernández.

Para além dele, também Sean "Diddy" Combs (produtor e artista musical), R. Kelly (cantor) e Ghislaine Maxwell (namorada de longa data de Jeffrey Epstein) estiveram detidos nas instalações. 

Atualmente, os reclusos da prisão incluem o co-fundador de um cartel de droga mexicano, Ismael "El Mayo" Zambada Garcia, e Luigi Mangione, acusado de matar o CEO de uma seguradora de saúde.

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