"Inconcebível". O que se sabe sobre a morte do ativista Charlie Kirk?
O assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, num evento em Utah, tem gerado uma onda de reações nos Estados Unidos, quer de figuras políticas em exercício, como de antigos presidentes, como Joe Biden e Barack Obama.
A notícia da sua morte foi anunciada pelo Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na sua rede social, e o FBI informou que deteve um suspeito - que foi entretanto libertado.
De momento, não há ninguém detido no âmbito do caso e as autoridades estarão concentradas na procura de uma nova "pessoa de interesse", de acordo a Associated Press.
Co-fundador e CEO da organização juvenil Turning Point USA, Kirk, de 31 anos, foi baleado num evento na Universidade de Utah Valley, tal como a polícia anunciou na altura.
"Todos nós devemos rezar pelo Charlie Kirk, que foi baleado. Um grande tipo, de cima a baixo. DEUS O ABENÇOE!", escreveu então o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump na sua rede social.
Apreciador de debates oratórios com estudantes, Kirk organizava um evento no campus da Utah Valley University, no oeste do país, quando foi alvejado, segundo a CNN e a Fox News.
"Violência inconcebível" e "desprezível"
O presidente Donald Trump, que sofreu um ferimento leve na orelha quando foi baleado num evento de campanha no ano passado, descreveu Kirk como "uma pessoa ótima de ponta a ponta. DEUS O ABENÇOE!" Ele também publicou: "Ninguém entendia ou tinha o coração da juventude dos Estados Unidos da América melhor do que Charlie."
A ex-presidente da Câmara dos Representantes dos EUA, Nancy Pelosi, democrata, escreveu nas redes sociais que "o terrível tiroteio na Universidade de Utah Valley é repreensível. A violência política não tem absolutamente nenhum lugar na nossa nação." O marido de Pelosi ficou gravemente ferido na sua casa na Califórnia, em 2022, por um homem armado com um martelo, que as autoridades disseram ser um crente em teorias da conspiração.
Os ex-presidentes dos Estados Unidos Joe Biden e Barack Obama também reagiram à morte do ativista. Biden, que deixou o cargo em janeiro deste ano, defendeu que não há lugar no país "para este tipo de violência", pelo que ela deve "terminar agora".
There is no place in our country for this kind of violence. It must end now. Jill and I are praying for Charlie Kirk’s family and loved ones. — Joe Biden (@JoeBiden) September 10, 2025
No mesmo sentido, Obama escreveu que não há lugar para este tipo de "violência desprezível" na democracia norte-americana. O antigo presidente deixou ainda uma palavra de conforto à família de Kirk.
We don’t yet know what motivated the person who shot and killed Charlie Kirk, but this kind of despicable violence has no place in our democracy. Michelle and I will be praying for Charlie’s family tonight, especially his wife Erika and their two young children. — Barack Obama (@BarackObama) September 10, 2025
Também Kamala Harris, que disse estar "profundamente perturbada" pelo tiroteio na Universidade do Utah, escreveu na rede social X que "a violência política não tem lugar na América". "Condeno este ato e todos nós devemos trabalhar juntos para garantir que isto não conduza a mais violência", acrescentou.
I am deeply disturbed by the shooting in Utah. Doug and I send our prayers to Charlie Kirk and his family.
Let me be clear: Political violence has no place in America. I condemn this act, and we all must work together to ensure this does not lead to more violence. — Kamala Harris (@KamalaHarris) September 10, 2025
O líder da maioria na Câmara dos Representantes, Steve Scalise, um republicano da Louisiana que foi baleado durante um treino para um jogo de beisebol de beneficência nos subúrbios da Virgínia, em 2017, pediu às pessoas na plataforma de rede social X: "Por favor, juntem-se a mim em oração por Charlie Kirk após este ato sem sentido". O homem que atacou Scalise tinha queixas contra Trump e os republicanos e foi posteriormente morto a tiro pela polícia.
I am incredibly sad and disgusted to hear of the passing of Charlie Kirk. Charlie was a loving father, husband, and conservative warrior. He was a man of deep faith and dedicated his life to educating people about civil dialogue while passionately articulating conservative… — Steve Scalise (@SteveScalise) September 10, 2025
Já o governador da Pensilvânia, Josh Shapiro, um democrata e potencial candidato nacional, afirmou no X: "Devemos falar com clareza moral. O ataque a Charlie Kirk é horrível e esse tipo crescente de violência inconcebível não pode ser permitido em nossa sociedade". Um incêndio foi provocado na casa no início deste ano, enquanto Shapiro e seus familiares dormiam.
Political violence has no place in our country.
We must speak with moral clarity. The attack on Charlie Kirk is horrifying and this growing type of unconscionable violence cannot be allowed in our society. — Governor Josh Shapiro (@GovernorShapiro) September 10, 2025
No mesmo sentido a governadora de Michigan, Gretchen Whitmer, uma democrata que foi alvo de um plano de sequestro, disse nas redes sociais: "todos nós devemos unir-nos para nos opormos a todas e quaisquer formas de violência política". Dois homens foram presos pelo seu plano de 2020 para sequestrar a governadora.
A ex-deputada federal Gabrielle Giffords, democrata que sofreu uma grave lesão cerebral num tiroteio em 2011 no Arizona, disse que ficou "horrorizada" ao saber que Kirk tinha sido baleado hoje. "As sociedades democráticas sempre terão divergências políticas, mas nunca devemos permitir que os Estados Unidos se tornem um país que enfrenta essas divergências com violência", afirmou.
Quem era Charlie Kirk, o aliado de Trump morto a tiro num evento?
Charles James Kirk, conhecido como Charlie Kirk, nasceu a 14 de outubro de 1993, filho de um arquiteto e de uma conselheira de saúde mental. Cresceu nos subúrbios de Chicago e, aos 31 anos, era um influente ativista político conservador, tendo feito parte das campanhas eleitorais de Donald Trump.
O ativista deu os primeiros passos na política ainda na escola e, em 2012, quando tinha 18 anos, fundou a Turning Point USA (TPUSA), uma organização ultraconservadora que tem como objetivo promover políticas nos campus de escolas secundárias e universidades.
A organização ganhou fama, sobretudo, pelo seu site Professor Watchlist, que pretende denunciar professores que "discriminam estudantes conservadores e promovem propaganda esquerdista nas salas de aula".
Além disso, Kirk afirmou-se como uma personalidade dos media norte-americanos, sendo apresentador do 'The Charlie Kirk Show', um programa no canal Real America's Voice. Escreveu também livros, incluindo o bestseller 'The MAGA Docrine: The Only Ideas That Will Win The Future' ['A Doutrina MAGA: As Únicas Ideias Que Vencerão o Futuro', na tradução livre], escreve a BBC.
A sua popularidade aproximou-o do republicano Donald Trump e, em 2020, liderou a 'Students for Trump' e promoveu uma campanha para recrutar um milhão de estudantes para a sua reeleição.
Kirk destacou-se também pelas suas opiniões controversas em relação a temas como o aborto, religião e educação. Estas opiniões, destaca o Le Figaro, fizeram com que fosse adorado por uns e odiado por outros.
Em 2021, casou-se com Erika Frantzve, ex-Miss Arizona. O casal tem dois filhos: um menino de um ano e uma menina de três.
Momento de silêncio no Congresso interrompido por discussão
Um momento de silêncio no plenário da Câmara dos Representantes dos EUA, em homenagem ao ativista conservador foi interrompido após republicanos contestarem democratas.
om todos os congressistas de pé numa cerimónia silenciosa, Lauren Boebert, republicana do Colorado, exigiu uma oração, noticiou o portal 'online' Politico.
"Orações silenciosas geram resultados silenciosos", salientou, gerando vaias dos democratas, com alguns a recordarem sobre um tiroteio numa escola que também ocorreu hoje.
Anna Paulina Luna, republicana da Florida, levantou-se e começou a gritar palavrões aos democratas antes de o presidente da câmara baixa do Congresso, Mike Johnson, repreender os congressistas.
Mais cedo, Luna tinha publicado nas redes sociais que estava "cansada da retórica que esta câmara podre e os meios de comunicação corruptos causaram".
"Isto é repugnante", apontou um republicano da câmara baixa que falou ao Politico sob condição de anonimato.
Leia Também: Kamala Harris "perturbada" com tiroteio no Utah: "Condeno este ato"
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