IL: "Não faremos entendimento com partido que quer destruir a democracia"
A presidente da Iniciativa Liberal explicou esta sexta-feira, em declarações aos jornalistas que retirou a confiança política à uma vereadora na Câmara Municipal de Sintra, que decidiu integrar o executivo com o Chega, por uma questão de "princípios".
Mariana Leitão reiterou, mais uma vez, que o partido de André Ventura "todos os dias ataca e destrói pouco a pouco a democracia" e que, por isso, "com esse partido a IL é perentória": "Nós não faremos qualquer tipo de entendimentos com um partido que quer destruir a democracia".
"Nós tomámos uma deliberação em Comissão Executiva para não haver qualquer tipo de entendimento em executivos camarários", afirmou Mariana Leitão. "Enquanto eu for presidente da Iniciativa Liberal (IL) esse compromisso será honrado em qualquer circunstância", prometeu.
Questionada sobre se esta situação serve como uma aviso para outros vereadores liberais, Mariana Leitão refere que não há "mais nenhuma situação nestas circunstâncias" e que "não é uma questão de aviso, é uma questão de princípio".
A líder dos liberais atirou ainda que "no segundo maior concelho do país, o 'não é não', transformou-se no 'não é sim'", referindo-se à frase repetida por Luís Montenegro quanto a possíveis entendimentos com o Chega (especialmente durante a sua primeira campanha para eleições legislativas).
"Aquilo que estou a dizer é com base nos factos", frisou, afirmando que "o único partido que, de facto, defende intransigentemente não fazer qualquer tipo de entendimentos de governo com este partido é a IL".
"É muito importante que Luís Montenegro, que é o autor da frase 'não é não', venha explicar as circunstâncias do 'não é não', que agora, por força da conveniência, transforma o 'não é não' no 'não é sim'", afirmou.
A presidente da IL defendeu que "é muito importante para o país clarificar este 'não é sim' e a sua extensão", questionando: "Até onde é que vai esta extensão do 'não é sim'? Em que circunstâncias? Em que conveniências?".
O presidente do PSD (e primeiro-ministro) tem repetido a expressão "não é não" para excluir entendimentos com o Chega, mas a nível municipal Montenegro remeteu as decisões sobre governabilidade para os autarcas eleitos pelo partido, invocando a "autonomia do poder local".
"Os autarcas eleitos terão de assumir a sua responsabilidade", disse Luís Montenegro, na noite das eleições autárquicas de 12 de outubro, referindo-se tanto aos que venceram e não têm maioria como aos que não venceram.
Vereadora da IL em Sintra integrou executivo com o Chega
Esta sexta-feira, a Iniciativa Liberal anunciou que ia retirar a confiança política à vereadora de Sintra, Eunice Baeta, depois de esta ter aceitado integrar um executivo com vereadores do Chega.
A decisão acontece depois de ter sido tornado público que a coligação PSD/IL/PAN, que lidera a Câmara de Sintra, "optou por fazer um acordo com o Chega" no executivo, numa informação avançada pela socialista Ana Mendes Godinho.
"Eunice Baeta, vereadora eleita pela coligação PSD/IL em Sintra, informou-me ontem que tomou a decisão de integrar um executivo nessas condições, violando a decisão tomada pela Comissão Executiva da IL”, lê-se num comunicado assinado por Mariana Leitão.
"A Iniciativa Liberal sempre disse que nunca integraria qualquer governo com o Chega e reafirmo aqui essa posição intransponível", pode ler-se ainda.
A candidatura Sempre com os Sintrenses, liderada por Marco Almeida do PSD, obteve nas eleições de 12 de outubro 33,86% dos votos e quatro mandatos, à frente da antiga ministra Ana Mendes Godinho (PS/Livre), com 31,67% e também quatro eleitos, seguindo-se Rita Matias, do Chega, com 23,38% e três mandatos.
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