"Grande revolução do nosso tempo" é tecnológica e deve ser prioridade do PR
O último laboratório temático realizado durante a campanha de Catarina Martins para as eleições presidenciais de 18 de janeiro dividiu-se em cinco questões -- serviço público, ecologia, privacidade, 'open source' e economia digital -- cada uma com o respetivo grupo de discussão.
O objetivo, explicou a candidata, foi "juntar pessoas que sabem muito sobre tecnologia com pessoas que não trabalham necessariamente com tecnologia, mas que trabalham sobre estas questões".
Ao longo da campanha, Catarina Martins tem feito questão de destacar determinados temas que considera "questões do futuro" estruturais e que devem ser prioritários para a Presidência da República.
Depois do ambiente, desigualdade de género no acesso à saúde, e o futuro das cidades, foi a vez de discutir aquela que considera ser "a grande revolução do nosso tempo".
"A disputa pelo uso da tecnologia não pode ficar ao lado da democracia, tem de ser a democracia a decidir como é que se usa a tecnologia", defendeu a candidata apoiada pelo BE, que sublinha, por outro lado, que a própria democracia pode, e deve, servir-se da tecnologia.
A propósito de um dos lados dessa relação, Catarina Martins alertou para os perigos do algoritmo, com uma influência "brutal" na sociedade, e num contexto em que as principais empresas são controladas pelos grandes oligarcas do mundo.
"Este poder está a criar vigilância em massa e é também por isso que estamos aqui hoje, porque sabemos isso. Está a estimular consumos inúteis, produz crime, leva a comportamentos viciantes e a distúrbios mentais, especialmente nos jovens", justificou.
Por outro lado, Catarina Martins não rejeita a utilidade da tecnologia e afasta a ideia de que represente em si um "ataque à democracia". "Depende do que fazemos dela", acrescentou.
Foi sobretudo essa potencial utilidade que esteve em discussão durante mais de uma hora, numa das salas da Reitoria da Universidade de Lisboa, entre especialistas e interessados.
Entre as diferentes ideias levantadas, Catarina Martins destacou a tecnologia com código aberto, de forma a poder ser utilizada pelos serviços públicos "em alternativa a essas empresas gigantescas que estão a controlar boa parte da população".
O 'open source', no entanto, não é possível sem investimento público, que a candidata a Belém defende, bem como os modelos cooperativos, como o da Wikipédia.
Sublinhou também o papel da inteligência artificial na investigação cientifica, em particular na saúde, outra área que -- defende -- "precisa de uma estratégia pública".
Da responsabilização das redes sociais, à tecnologia nos serviços públicos, discutiu-se também o seu contributo na transição energética, tema que Catarina Martins quis também destacar durante a tarde, com uma visita ao 'campus solar', da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, onde estão a ser testadas formas de produzir energia através de painéis fotovoltaicos elevados que permitem preservar -- e até ajudam -- a produção agrícola.
"Estas ideias demonstram aquilo que eu quero sublinhar e a razão por que nos encontramos aqui hoje a falar de tecnologia de futuro e porque é que isto tem a ver com democracia. A luta democrática exige enfrentar os tecno-oligarcas", resumiu.
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