"Graças a Deus não era este Governo na altura da pandemia"
O ex-líder do CDS-PP, Francisco Rodrigues dos Santos, fez uma espécie de "roast à Direita" no fim de semana, durante o seu comentário semanal da CNN Portugal.
Chicão, como é conhecido, considera que a tragédia causada pela depressão Kristin expôs a incapacidade do Governo em reconhecer e preparar o país para as alterações climáticas e mostrou a suas falhas em gerir situações de crise.
De forma irónica, durante mais de 6 minutos, o comentador acusou o Executivo de Montenegro de falta de reformas estruturais, lentidão na ação e de se esconder em momentos de crise, deixando territórios e populações desprotegidos.
Rodrigues dos Santos deu "Graças a Deus" por não ser este o "Governo na altura da pandemia" e ainda ironizou: "Não sei se Montenegro achava que as intempéries se protegiam com a mentalidade de Cristiano Ronaldo".
Ataque também a Chega e Iniciativa Liberal
"O reconhecimento desde logo da existência das alterações climáticas e esta intempérie é um aviso severo a todos os escuteiros do negacionismo, alguns deles com assento no Conselho de Ministros mas, maioritariamente, através de uma aliança galática, que é a IL e o Chega, que são os parceiros estratégicos da ação governativa de Luís Montenegro", começou por dizer, lembrando que "o ambiente não negoceia com a ideologia, as alterações climáticas não são uma questão de crença, são uma evidência".
"E quando a ação governativa fecha os olhos à evidência científica quem paga a fatura é o território e as populações", realçou, defendendo que "quando um Governo não elenca na sua agenda de ação de poder as alterações climáticas e as preocupações ambientais", os planos municipais e regionais ficam em atraso" e não conseguem "evitar ou mitigar na medida do possível o efeito devastador que esta tragédia teve".
"Isto acontece porque este Governo já tem um perfil identitário. Trata-se de um Governo que não é reformista, é apenas um Governo distribuidor. Tudo aquilo que Luís Montenegro com a sua equipa conseguiu acrescentar face ao Executivo socialista, de 8 anos, foi passar cheques – desbloqueando carreiras, o que era justo, com atualizações salariais na função pública, o que também tem o seu mérito, mas não mexeu uma única palha na alteração estrutural do Estado e na adaptação às prioridades que hoje implicam diretamente um Governo do século XXI", atirou.
"Montenegro achava que resolvia intempérie com cheques, mas S. Pedro não os levanta"
Para Chicão, "todos nós como país falhámos quando aceitamos que o Governo apresentasse uma lei orgânica que não tinha uma ministra da Administração Interna, que eu não sei quem é, não existe de facto".
"Não sei se o vento a levou, entretanto. Não agora, mas na tomada de posse. É o descalabro", ironizou, acrescentando que "talvez Luís Montenegro achasse que resolvia o problema, como tem resolvido todos até aqui, a passar cheques. Mas tenho a certeza que S. Pedro não ia levantá-los".
E acrescenta: "Não sei se Montenegro achava que as intempéries se protegiam com a mentalidade de Cristiano Ronaldo. O que ficou claramente demonstrado é que o clima não negoceia com mentalidades e temos de estar protegidos, porque a mentalidade de CR7 não é nem um escudo climático, nem um corta-vento, nem sequer um seguro contra as intempéries porque o clima quando ataca é forte, é severo e precisamos do Estado com o seu papel coordenador, que nos auxilie e proteja".
"Sempre que há dificuldades, o Governo não está ou esconde-se"
Quando aconteceu esta calamidade, no dia 28 de janeiro, o Governo tinha de ir logo para o terreno, defendeu ainda Rodrigues dos Santos.
"Só depois de 24h é que que foram ao terreno. Era necessário tranquilizar, da confiança, mobilizar todos os recursos e que não se escondesse", notou acrescentando que "Governo de Montenegro já demonstrou várias coisas", nesta e outras situações.
"Sempre que o país enfrenta dificuldades o Governo não está, não existe ou esconde-se. Quando existem crises, não lidera, ausenta-se – nos incêndios, o primeiro-ministro esteve numa festa, no Algarve. Enquanto Portugal ardia, o líder parlamentar, só por acaso, estava a beber margaritas com os amigos, entre os quais, o ministro Leitão Amaro, que foi o cabeça de cartaz esta semana", enumerou, recordando episódios do verão de 2025.
"Este Governo é um Governo para dias fáceis"
Sobre os problemas do Interior do país, Chicão admite que estes "são estruturais" e algo que "nenhum Governo até hoje quis encarar de frente".
"Temos um país pobre, que está concentrado no Litoral do país. Sobretudo no Porto e Lisboa. O resto do país está votado ao abandono. Dois terços do nosso território interior, que está envelhecido, está despovoado, está sem estruturas do Estado e que se vêm votado à desgraça nestas alturas do ano", afirmou, sublinhando que "esta gente também são pessoas".
"O território não vota. Onde há poucos votos as políticas públicas não se concentram. Não têm um olhar atento. E são aqueles que mais sofrem. Nós tivemos o contraste há bem pouco tempo, com a tragédia da Carris".
"Coletes amarelos, governantes, autarcas a atuar com imensa rapidez e a tentar ajudar. Neste momento o que nós vimos foi uma aparência de preocupação. Vimos apatia, lentidão, produções cinéfilas por parte de membros do Governo", recordou.
Chicão não tem por isso dúvidas que "este Governo é um Governo para dias fáceis". "Só dou graças a Deus não ter sido este Governo à frente do país na altura da pandemia", salientou.
O comentário de Rodrigues dos Santos tornou-se, entretanto, viral nas redes sociais. Com a página de humor Volksvargas - contra a qual o primeiro-ministro apresentou queixa, alegadamente, por desinformação - a fazer até uma montagem com os melhores momentos da análise do centrista (ilustrada com imagens).
O "roast à Direita", partilhado há menos de um dia, já tem mais de 25 mil gostos e quase mil comentários, entre os quais do próprio Francisco Rodrigues dos Santos, que reagiu ao vídeo com um coração verde e uma mãos em forma de agradecimento.
Ora veja:
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