Governei num "tempo em que entre políticos imperava a boa educação"
Cavaco Silva está a ser hoje homenageado, no Palácio de São Bento, por se assinalarem hoje 40 anos desde que foi eleito pela primeira vez como primeiro-ministro de Portugal.
Durante o seu discurso, em que recordou os tempos em que governou Portugal, o social democrata fez questão de lembrar que assumiu os destinos do país para "ultrapassar a situação de urgência financeira em que Portugal se encontrava”. Para isso, deixou para trás “uma carreira como investigador e professor universitário". Uma escolha, admitiu “que mudou radicalmente a minha vida”.
Cavaco assumiu que na altura era um político "pouco experiente" mas que beneficiou de tempos em que havia entre políticos uma maior educação.
“Quando cheguei a primeiro-ministro tinha uma óbvia falta de experiência parlamentar e entrava rapidamente num tom pedagógica que irritava os deputados”, lembrou, para depois reconhecer: “tinha falta de experiência, mas beneficiei de tempo em que nas relações entre políticos imperava a boa educação”.
Cavaco Silva considerou, ainda, que antigamente "os debates na AR eram vivos" mas sem má educação.
"Havia a ausência da má educação, ausência da linguagem de denúncia, insulto e calúnia, havia ausência da má educação, da gritaria, da que se assiste nos novos tempos", atirou.
Aníbal Cavaco Silva alertou ainda que "é impossível" governar "sem falhas e erros", mas defendeu que, mesmo que falhar seja humano, os erros cometidos "não podem ser escondidos".
"Uma coisa é a teoria, outra é a prática política. Por mais que um governo trabalhe intensamente e se esforce, é impossível evitar falhas e erros. Como costumo dizer 'nobody is perfect' [ninguém é perfeito]. Em política, os erros cometidos por um Governo, mesmo que tal seja humano, não podem ser escondidos e, às vezes, os erros são mesmo inventados para serem notícia com estrondo", afirmou.
O antigo chefe do executivo defendeu também que um "bom Governo de um país da União Europeia" é aquele que considera "as condicionantes externas, é formado por uma verdadeira equipa que tem uma estratégia definida para alcançar os objetivos definidos, em que os instrumentos das diferentes políticas são utilizados nas doses e nos momentos certos, e é garantida uma boa articulação e sintonia de linguagem entre os ministérios".
"Esta definição sintética, diferente da que é dada pelo ChatGPT, era ela que me guiava mas que, como é óbvio, não consegui que fosse plenamente cumprida", declarou.
O antigo primeiro-ministro e Presidente da República Aníbal Cavaco Silva discursava na homenagem, na residência oficial de São Bento, que assinala os 40 anos da sua primeira tomada de posse como chefe do Governo, a 06 de novembro de 1985.
Homenagem a Cavaco Silva
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, homenageia esta quarta-feira o social-democrata Aníbal Cavaco Silva, a propósito dos 40 anos desde a sua primeira tomada de posse como chefe do executivo, em 1985.
Antes de dar a palavra ao homenageado, Luís Montenegro afirmou que "é justo reconhecer que há um Portugal antes e um Portugal depois de Aníbal Cavaco Silva".
O primeiro-ministro assumiu que Cavaco Silva é a sua referência e inspiração para a ação governativa, dizendo que, tal como o antigo chefe do Governo, sente a responsabilidade de ser "um farol para o país".
"Quero aqui dizer, sem nenhum problema, pelo contrário, com muito gosto, que do ponto de vista da inspiração governativa, da forma de estar, lidar e executar a tarefa de coordenação do Governo, a nossa e a minha referência e inspiração é precisamente Aníbal Cavaco Silva", afirmou.
E acrescentou: "Como ele, hoje sentimos a responsabilidade de sermos um farol para dar ao país uma orientação para o rumo que queremos seguir, como fez Cavaco Silva há 40 anos atrás, com o intuito de não deixar nenhum português para trás, com o intuito de dar a todos as mesmas oportunidades", disse Montenegro, apontando várias semelhanças entre os seus governos e os executivos cavaquistas.
Aníbal Cavaco Silva foi primeiro-ministro durante 10 anos, entre 1985 e 1995, tendo conquistado duas maiorias absolutas em eleições legislativas.
Dos seus governos fizeram parte figuras como Luís Marques Mendes, Eduardo Catroga, Durão Barroso, Luís Mira Amaral, ou Manuela Ferreira Leite.
Entre 2006 e 2016 exerceu funções como Presidente da República.
[Notícia atualizada às 14h29]
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