Gouveia e Melo diz que futuro da Venezuela está na mão do próprio povo
"Temos de ter de aguardar com alguma expectativa. Há uma coisa que tenho a certeza absoluta: o destino dos povos está na mão dos próprios povos", afirmou, instado pelos jornalistas a analisar as declarações de Donald Trump de que os Estados Unidos governarão o país até à sua estabilização democrática.
Numa visita à vila Natal de Óbidos, Gouveia e Melo disse não acreditar "que se possa impor um destino a um povo, principalmente um povo de 28 milhões" de pessoas, defendendo que "qualquer que seja a solução tem de passar pelo escrutínio do povo" venezuelano.
"Estou completamente convencido que esse escrutínio vai ter que ser feito num determinado momento e só assim é que se estabelecerá a soberania do país e, de alguma forma, as instituições verdadeiramente democráticas", sublinhou.
Os Estados Unidos lançaram hoje "um ataque em grande escala contra a Venezuela", para capturar e julgar o líder venezuelano, Nicolás Maduro, e a mulher, e anunciaram que vão governar o país até se concluir uma transição de poder.
O anúncio foi feito pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, horas depois do ataque contra Caracas, não sendo ainda claro quem vai dirigir o país após a queda de Maduro, e admitiu uma segunda ofensiva contra o país se for necessário.
Para o candidato, esta intervenção quebrou, de alguma forma, as regras do sistema internacional, alegando que todos têm de estar preocupados e refletir sobre isso, porque o mundo ocidental era "o mundo que defendia estas regras" que saíram da Conferência de Ialta, a seguir à Segunda Guerra Mundial.
Gouveia e Melo sublinhou, no entanto, que esta é ainda uma fase muito preliminar: "Eu não levo de forma literal todas as declarações da administração Trump. A administração Trump não é só o senhor Trump, os Estados Unidos são uma grande democracia, têm outros atores políticos" dentro do país.
"Eu julgo que está fora de causa que os Estados Unidos possam ser, a partir de agora, um fator de instabilidade internacional e um agressor internacional. Portanto, isso para mim não parece ser o futuro. De qualquer forma, como digo, o futuro da Venezuela terá que passar pela própria população da Venezuela", concluiu.
A comunidade internacional tem-se dividido entre a condenação aos Estados Unidos e saudações pela queda de Maduro e o secretário-geral da ONU, António Guterres, expressou a sua "profunda preocupação" com a recente "escalada de tensão na Venezuela", alertando que a ação militar dos EUA poderá ter "implicações preocupantes" para a região.
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