Gouveia e Melo: Almirante das vacinas que promete estar acima de disputas
O almirante na reserva Gouveia e Melo candidata-se a Presidente da República com a promessa de estar acima das disputas partidárias e ser mobilizador na ação, após ter adquirido notoriedade como coordenador do plano de vacinação contra a Covid-19.
Henrique Eduardo Passaláqua de Gouveia e Melo, divorciado, com dois filhos, tem 65 anos, nasceu em Quelimane, Moçambique, entrou na Escola Naval em setembro de 1979 e teve uma longa carreira militar até chegar a chefe do Estado-Maior da Armada em dezembro de 2021, cargo em que permaneceu até ao fim de 2024.
Na esfera pública, Henrique Gouveia e Melo começou a distinguir-se quando liderou a equipa das Forças Armadas destacada para apoiar as populações e os bombeiros durante a tragédia dos incêndios de Pedrógão Grande em 2017.
Em novembro de 2020, integrou a 'task force' do plano de vacinação contra a covid-19. E em fevereiro de 2021, após várias polémicas, o ex-primeiro-ministro, António Costa, nomeou-o coordenador da equipa.
O sucesso no exercício deste cargo valeu-lhe elevado reconhecimento público e em 2022 o seu nome começou a ser apontado como um dos possíveis candidatos à sucessão de Marcelo Rebelo de Sousa no cargo de Presidente da República.
Anunciou a sua candidatura presidencial em 14 de maio, em plena campanha eleitoral para as Legislativas, o que lhe valeu críticas.
Gouveia e Melo diz situar-se no "centro pragmático", afirma ter Mário Soares e o general Ramalho Eanes como modelos de Presidente, e defende que a política externa portuguesa deve ter "um pé na Europa e outro no Atlântico".
Após o 25 de Abril de 1974, saiu com a família de Moçambique. Durante o chamado período revolucionário, viveu primeiro em Viseu e depois no Brasil. Filho de um advogado "liberal" crítico do Estado Novo, regressou em definitivo a Portugal a seguir ao 25 de Novembro de 1975.
Com 24 anos, na Escola Naval, integrou a esquadrilha de submarinos, onde passou 31 dias seguidos submerso.
Exerceu diversos comandos operacionais ao longo de uma carreira de mais de 40 anos, em que acumulou mais de 20 mil horas de navegação.
Durante largos meses manteve o "tabu" sobre a sua candidatura a Belém. Em outubro de 2021, em Lisboa, tinha manifestado a intenção de não se "deixar cair na tentação" da política. "Se isso acontecer, deem-me uma corda para me enforcar", disse.
Mais tarde, alegou que essa declaração foi uma nota de humor. Para os seus adversários, porém, simbolizou as suas contradições políticas.
Leia Também: Gouveia e Melo sem máquina partidária privilegia contactos com população
Qual é a sua reação?
Gosto
0
Não gosto
0
Amor
0
Engraçado
0
Zangado
0
Triste
0
Wow
0