França defende que Líbano deve ter "os meios" para desarmar Hezbollah
Jean-Noël Barrot chegou a Beirute ao fim da manhã, última etapa de uma digressão regional, e deverá abordar com os responsáveis libaneses a preparação da conferência de apoio ao Exército que Paris acolhe a 05 de março.
"A visão da França para o Líbano é a de um Estado forte, soberano, detentor do monopólio das armas [...]. A primeira etapa para cumprir esta missão é dar às Forças Armadas Libanesas os meios para prosseguirem o trabalho de desarmamento do Hezbollah", declarou o ministro à agência noticiosa France-Presse (AFP).
Único grupo armado libanês, o Hezbollah saiu fragilizado da sua última guerra com Israel, que terminou em novembro de 2024.
Fonte diplomática francesa defendeu que o contexto regional torna a questão do desarmamento do Hezbollah "particularmente sensível", com uma "crispação dos atores e um enfraquecimento do regime iraniano", permitindo abrir "uma janela de oportunidade para avanços neste dossiê".
O Irão e os Estados Unidos iniciaram hoje negociações no sultanato de Omã, que Teerão pretende limitar estritamente ao seu programa nuclear, recusando abordar o programa balístico ou o apoio aos seus aliados, como o Hezbollah e o Hamas palestiniano.
Segundo o acordo de cessar-fogo de novembro de 2024, o Exército libanês anunciou no início de janeiro ter concluído a primeira fase do seu plano de desarmamento do Hezbollah, que abrange a região entre a fronteira israelita e o rio Litani, cerca de 30 quilómetros mais a norte.
"O Governo libanês assumiu as suas responsabilidades ao lançar e levar até ao fim a primeira fase deste plano de desarmamento. A segunda fase e o plano a ela associado deve ser apresentado nos próximos dias, antes da realização da conferência", sublinhou Barrot.
A segunda fase diz respeito à zona entre o Litani e o rio Awali, a cerca de 40 quilómetros a sul de Beirute. O Hezbollah afirma recusar entregar as suas armas a norte do Litani.
Além dos responsáveis libaneses, o ministro deverá reunir-se com o comandante-chefe do Exército, Rodolphe Haykal, de regresso de Washington, que o está a pressionar intensamente para desarmar sem demora o Hezbollah.
Na quinta-feira, o influente senador norte-americano Lindsey Graham anunciou na rede social X ter interrompido de forma abrupta a sua reunião com o general Haykal, quando este se recusou a qualificar o Hezbollah como "organização terrorista".
Barrot indicou ainda que o Exército deverá substituir-se, no momento oportuno, após a retirada da Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL), a essas forças, que incluem 700 militares franceses e que fazem de tampão entre Israel e o Líbano desde 1978.
O Conselho de Segurança da ONU tinha prolongado em agosto, pela última vez, o mandato da FINUL, cuja retirada está programada para 2027, sob pressão dos Estados Unidos e de Israel, que pretendem a sua saída.
"Lutámos, lutei pessoalmente, para evitar que se materializasse o risco de uma retirada abrupta da FINUL do Líbano, que teria criado um vazio de segurança do qual poderiam ter emergido numerosas ameaças", afirmou Jean-Noël Barrot.
"Temos agora de preparar o pós-FINUL, uma vez que o recuo desta força começará no final de 2026 e prolongar-se-á até ao final de 2027", sublinhou.
Referindo-se à reconstrução do país, destacou que "o pré-requisito para o afluxo de financiamentos internacionais é a reforma do sistema bancário", saudando "a coragem" do Governo e os seus esforços nesse sentido.
O chefe da diplomacia francesa chegou a Beirute proveniente de Erbil, no norte do Iraque, onde se encontrou com o líder curdo sírio Mazloum Abdi. A digressão passou igualmente por Bagdade e Damasco, onde assegurou que a luta contra o grupo jihadista Estado Islâmico (EI) continua a ser uma "prioridade absoluta".
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