Ferro Rodrigues prevê 2.ª volta difícil e sugere "nervos de aço" a Seguro
O antigo presidente da Assembleia da República (AR) Eduardo Ferro Rodrigues disse, em entrevista à Rádio Renascença, que acredita numa vitória "clara" de António José Seguro na segunda volta das presidenciais, mas apenas "se o país não tiver ensandecido".
"Se o país não tiver ensandecido, como uma vez disse Almeida Santos, a propósito da candidatura de Mário Soares, a vitória de António José Seguro será clara, mas, de qualquer forma, é preciso ir à luta e continuar no mesmo tom nesta segunda volta, visto que esta campanha é muito diferente das campanhas anteriores. António José Seguro só tem de manter a forma como esteve na primeira volta e, portanto, fazer da sua candidatura uma candidatura ganhadora, claramente. Era importante que nestes 50 anos depois da Constituição, que fosse claramente alguém que defenda a Constituição, os valores constitucionais na área política, na área social, na área ambiental que estivesse como Presidente da República para os próximos anos", salientou.
Para isso, o ex-secretário-geral do PS aconselha Seguro a ter "nervos de aço" no debate com André Ventura, agendado para amanhã, terça-feira, 27 de janeiro.
"Julgo que esta campanha vai ser uma campanha difícil, porque o candidato de extrema-direita tem um discurso muito provocatório, muito calunioso, muito fora do sistema democrático e, portanto, o António José Seguro só pode reagir a isso com bonomia e com categoria", realçou.
Sobre a sua experiência em lidar com o líder do Chega - também candidato a Presidente da República - Ferro Rodrigues admite que não foi fácil.
"Lidei com ele sempre com alguma dificuldade, porque era um estilo que nunca tinha aparecido na Assembleia da República, em que as inverdades ou mesmo mentiras eram repetidas sistematicamente, a informação que era veiculada através das redes sociais que o partido dele controla é uma informação totalmente distorcida e não se percebe, aliás, porque é que a Entidade Reguladora da Comunicação (ERC) não é mais firme e porque é que é preciso vir a Universidade de Coimbra dizer que nesta primeira volta 80% ou 75% das fake news tiveram origem no partido dele e nele. E, portanto, esta campanha vai ser uma campanha mais difícil para se estar calmo e tranquilo, mas o António José Seguro, com a experiência que, entretanto ganhou, calculo que saiba fazer isso com mais facilidade do que outros", disse, confiante e apesar de, anteriormente, ter dito que apoiaria Sampaio da Nóvoa, se esse se candidatasse.
"Na política, há sempre convicções, há sempre pessoas que representam situações diferentes. Nós não podemos imaginar o que seria, se pior ou melhor, com outro candidato da área da esquerda democrática, mas o que, neste momento, interessa não é especular sobre o passado, é ver o futuro e perceber que, neste momento, há uma larguíssima e esmagadora maioria do PS que apoia António José Seguro e na área democrática também há uma visível maioria vinda de quadros importantes do PSD, do CDS e da Iniciativa Liberal", lembrou.
Durante a mesma entrevista, o antigo líder dos socialistas, que participa atualmente no Conselho Estratégico do partido, que se reúne esta segunda-feira para discutir questões de Justiça, apontou o dedo à Procuradoria-Geral da República.
"Algumas das últimas campanhas sujas não vieram propriamente do candidato ou de nenhum candidato, vieram de outras instâncias que tentam interferir, muitas vezes, nos movimentos eleitorais", afirmou, defendendo que, nos últimos anos, houve vários "processos estranhos inventados, muitas vezes, a partir da Procuradoria-Geral da República".
"Nunca se sabe o que pode sair daí e, portanto, só digo isto por uma questão de prevenção", atirou.
Recorde-se que a segunda volta das eleições presidenciais realiza-se a 8 de fevereiro. A mesma será disputada por António José Seguro e André Ventura.
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