Fernando Pereira: "IA pode ser extensão da inteligência natural"

Novembro 24, 2025 - 16:00
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Fernando Pereira: "IA pode ser extensão da inteligência natural"

Fernando Pereira é um dos oradores do 'Responsible AI Forum 2025', que decorre na Fundação Champalimaud, em Lisboa, na terça-feira, onde vai abordar o tema "inteligência natural vs inteligência artificial" com o neurocientista António Damásio.

 

"Há muitas diferenças", diz Fernando Pereira, adiantando que António Damásio tem feito colaborações com alguns colegas seus que também têm explorado as diferenças entre as duas áreas.

Existe um contraste na maneira como a neurociência interpreta a inteligência natural e a "corrente de inteligência artificial em que estamos a trabalhar agora é organizada" e "há diferenças bastante grandes", nomeadamente na maneira como é feito o processamento de informação, a aprendizagem, prossegue o responsável, uma das referências mundiais na área da IA.

"Essas diferenças significam que a inteligência artificial pode ser vista mais produtivamente como uma extensão ou uma prótese, digamos assim, relativamente à inteligência natural", sublinha.

A inteligência artificial generativa é uma técnica que está presente no Gemini, no ChatGPT e noutros modelos de IA.

O que estas técnicas fazem é pegar na informação e extrair "a essência como descrevemos o mundo, como comunicados, como interagimos" e, com base nisso, "poder amplificar a nossa capacidade de comunicar, de produzir".

Por exemplo, no Gemini 3, recentemente lançado, foi introduzido o Antigravity, "que é um ambiente de programação em que inteligência artificial amplifica a capacidade do programador de interagir com todo o software que está a utilizar e a combinar para fazer uma nova aplicação".

Fernando Pereira refere que as pessoas quando falam de IA pensam como o "mesmo tipo" que a inteligência humana, quando " de facto é um tipo de inteligência "diferente" que "não é exatamente comparável".

Pode ser "muito mais poderosa em certas áreas", como jogar xadrez ou o Go melhor que o humano, mas em áreas como a interação com o mundo físico, "a nossa capacidade de interpretar situações complexas que têm a parte sensorial e de motivação é diferente e não se encaixa tanto como nós pensamos na inteligência", diz.

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O especialista partilha que tem falado com António Damásio sobre o tema, nomeadamente sobre as novas ideias científicas que ele tem vindo a desenvolver, o que "motivou esta conversa mais pública" de terça-feira.

Sobre os receios que existem da IA superar a inteligência humana, considera que é uma questão que não é suficientemente clara para si.

"A inteligência humana tem parte da nossa capacidade de organizar a nossa vida humana, social", no mundo físico, social, "as nossas motivações, os nossos objetivos", enquanto inteligência artificial "é uma ferramenta que pode amplificar", refere.

Até porque "há muitas coisas que já faz melhor do que eu fazia (...), mas quem é que está ao volante, a controlar a situação? Somos nós que estamos a definir quais são os problemas a que apontamos esta ferramenta. Portanto, esta noção de superar sugere uma noção de autonomia, de independência, de uma vontade independente que não é parte dos nossos objetivos como construtores destas tecnologias", sublinha.

"Há um pouco um antropomorfismo quando essa pergunta é feita que não se aplica à realidade", considera.

Por exemplo, na Google há o Co-Scientist, onde a IA ajuda os cientistas a desenvolver mais rapidamente descobertas porque analisa em dias uma vasta documentação que os humanos levariam meses.

Esta é "uma evidência dessa complementaridade em que o Co-Scientist, que usa Gemini como elemento fundamental, comporta-se como se fosse um assistente de investigação", aponta.

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