Falha nas escutas a Costa une partidos nas críticas: Eis as reações

Novembro 21, 2025 - 23:00
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Falha nas escutas a Costa une partidos nas críticas: Eis as reações

Pelo menos sete escutas em que António Costa era interveniente não foram comunicadas ao Supremo Tribunal de Justiça (STJ) "por razões técnicas", admitiu esta sexta-feira a Procuradoria-Geral da República (PGR).

 

A informação levou a que uma série de figuras da esfera política se pronunciassem sobre a situação, com opiniões a dividirem-se quanto à atuação da PGR.

Do lado crítico, houve alguma concordância entre esquerda e direita: nomeadamente, entre António Filipe (candidato à Presidência apoiado pelo PCP), Rui Rio (antigo presidente do PSD e principal opositor de António Costa quando era primeiro-ministro), Ferro Rodrigues (antigo secretário-geral do PS e ex-presidente da Assembleia da República) e até Paulo Rangel (ministro dos Negócios Estrangeiros).

O atual governante falava na conferência CNN Portugal Internacional, considerando que um primeiro-ministro  "não pode ser escutado sem uma autorização do Supremo Tribunal de Justiça".

"Não comentando nenhum caso concreto, há um princípio que é evidente e que é abstrato [...] um primeiro-ministro não pode ser escutado sem uma autorização do Supremo Tribunal de Justiça, ponto final. E mesmo isso tem de ser muito bem ponderado antes de ser autorizado", declarou.

Já António Filipe, em declarações à Lusa, afirmou que a situação tinha contornos graves, dizendo que é algo "algo que não pode acontecer". 

"A escuta de um chefe de Governo é algo muito sério, por isso mesmo tem regras especiais, que devem ser estritamente cumpridas", defendeu, considerando que são "devidos esclarecimentos ao país relativamente a essa situação".

Para Rui Rio, que se pronunciou na rede social X, este caso "é da máxima gravidade num Estado de Direito democrático, porque derruba os seus próprios alicerces".

Ferro Rodrigues vai mais longe: "Passei da indignação ao nojo. Não posso ser outra vez eu a dizer publicamente como isto é uma vergonha, um escândalo e um desrespeito grotesco das leis do Estado Democrático".

Cotrim quer esclarecimentos. Marques Mendes defende legalidade das escutas

Já do lado menos crítico aparece João Cotrim Figueiredo, também ele candidato à Presidência da República.

O antigo líder da Iniciativa Liberal considerou que a razão apresentada pela PGR é "insuficiente": "vindo isto numa sucessão de casos em que há coincidências nas datas de investigações com outros eventos importantes envolvendo os visados, acho que o procurador-geral da República deve rapidamente vir esclarecer exatamente o que é que se passou".

Por sua vez, Luís Marques Mendes, que também está na corrida a Belém, considerou que "todas as questões foram tratadas de acordo com a lei".

"O primeiro-ministro nunca esteve a ser escutado diretamente, terá sido apanhado em escutas, em conversas que estava a ter com pessoas que estavam a ser escutadas. É uma coisa completamente diferente", frisou o antigo líder do PSD.

Sete escutas omitidas... ou 22?

O comunicado partilhado esta sexta-feira pela PGR vem no seguimento de uma notícia avançada pelo Diário de Notícias, onde o jornal afirmava que 22 escutas que envolviam António Costa tinham sido omitidas do STJ e do Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC).

Nessa notícia, o meio dizia que as escutas envolvem os arguidos João Galamba (então secretário de Estado Adjunto e da Energia e secretário de Estado do Ambiente da Energia), Diogo Lacerda Machado (amigo e ex-consultor do Governo na privatização da TAP) e João Pedro Matos Fernandes (na altura ministro do Ambiente e da Ação Climática).

As escutas foram recolhidas entre 2020 e 2022, no âmbito da Operação Influencer.

A PGR explicou, depois, que "no decurso de nova análise a todas as escutas realizadas" no âmbito da Operação Influencer, foram identificadas sete escutas, "em que também era interveniente o primeiro-ministro António Costa, facto que, por razões técnicas diversas, não havia sido detetado inicialmente".

As sete escutas em questão "foram de imediato levadas a conhecimento do presidente do STJ, através do juiz de instrução do TCIC", tendo o presidente do STJ considerado em despacho "já não ser competente para tal conhecimento, por António Costa não ser, neste momento, primeiro-ministro". 

A Procuradoria-Geral da República voltou também a sublinhar que António Costa nunca foi alvo de escutas diretamente, nem de vigilâncias - nem quando ocupava o cargo de primeiro-ministro, nem quando deixou o Governo.

Leia Também: Influencer. Defesa de Costa considera que MP deve esclarecer escutas

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