Ex-OpenAI diz que empresa cometerá os mesmos erros do Facebook
Depois de ter passado dois anos na OpenAI a ajudar a empresa de Inteligência Artificial a desenvolver os seus modelos, a economista e investigadora Zoë Hitzig anunciou que se despediu na segunda-feira, dia 9 de fevereiro.
Num artigo publicado no New York Times, Hitzig revela que o motivo que a levou a abandonar a empresa prende-se com o facto de a OpenAI ter começado esta semana a testar a implementação de anúncios publicitários no ChatGPT. Para Hitzig, a OpenAI está a cometer os mesmos erros que o Facebook cometeu há uma década.
“Cheguei a acreditar que poderia ajudar as pessoas que desenvolvem Inteligência Artificial a anteciparem problemas que a tecnologia criaria”, escreveu Hitzig. “Esta semana confirmou a minha lenta perceção de que a OpenAI parece ter deixado de fazer as perguntas que eu queria ajudar a responder”.
Hitzig traçou paralelismos com o começo do Facebook, quando a rede social prometeu aos utilizadores que teriam controlo em relação aos seus dados, notando que são promessas que ficaram para trás tendo em conta o estado atual da plataforma detida pela Meta.
No artigo, Hitzig diz que a OpenAI poderá seguir pelo mesmo caminho do Facebook e que, eventualmente, o motor económico movido por estes anúncios publicitários poderá levar a empresa a mudar as suas próprias regras.
No caso da OpenAI, aponta Hitzig, o caso poderá ser ainda mais grave tendo em conta que os dados obtidos pela empresa resultam de conversas dos utilizadores com o ChatGPT - com algumas delas a irem desde problemas de relacionamentos, problemas médicos, crenças religiosas, etc.
A ex-investigadora da OpenAI afirma que os utilizadores do ChatGPT partilharam coisas com o chatbot “porque acreditavam que estavam a falar com algo que não tinha segundas intenções”, notando que é algo que não acontecerá quando os anúncios publicitários começarem a ser exibidos para todos os utilizadores.
Quanto ao tipo de dados que a OpenAI tem recolhido sobre os utilizadores, Hitzig nota que se trava de um “arquivo de sinceridade humana sem precedentes”.
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