EUA insistem em "consequências" caso Hamas não avance com desarmamento
Num debate do Conselho de Segurança da ONU focado na questão palestiniana, o embaixador dos EUA junto da ONU, Mike Waltz, defendeu que, apesar do "sucesso histórico" do cessar-fogo em Gaza, este não pode ser um momento de "complacência".
"O trabalho não está concluído. E, nesse sentido, o Hamas deve devolver imediatamente os corpos dos restantes 13 reféns (...) como prometido no acordo", instou Waltz.
"E o Hamas também deve cumprir o seu compromisso de desarmar. O Presidente [norte-americano, Donald Trump] não está a brincar. Em termos simples: o Hamas está acabado em Gaza e não tem futuro lá. E se não cumprir, estará a violar o cessar-fogo e enfrentará consequências severas", avisou.
O embaixador afirmou que as recentes execuções pelo Hamas nas ruas de Gaza, "em plena luz do dia, diante das câmaras, para o mundo ver", é mais uma evidência de que o grupo não está apto para governar o enclave palestiniano.
Waltz defendeu também que várias nações deveriam estar envergonhadas "pelo seu silêncio e pela sua hipocrisia enquanto o Hamas mata o próprio povo", embora sem identificar os países a que se referia.
O representante de Washington opôs-se ainda à decisão emitida pelo Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) na quarta-feira, que deliberou que Israel tem a obrigação de facilitar a entrega de ajuda na Faixa de Gaza e satisfazer as necessidades básicas dos palestinianos.
O embaixador norte-americano acusou o TIJ de emitir um parecer "abertamente político, mas felizmente não vinculativo", que ataca "injustamente Israel e dá carta branca à UNRWA [Agência da ONU para Assistência aos Refugiados Palestinianos] para o seu profundo envolvimento com o terrorismo do Hamas".
Por outro lado, vários Estados-membros defenderam hoje a decisão do TIJ, como foi o caso do Reino Unido, que considerou "importante" o parecer da mais alta instância judicial da ONU sobre as obrigações de Israel como potência ocupante.
"Saudamos as claras conclusões do TIJ, de que Israel tem a obrigação de garantir o fornecimento de ajuda em Gaza e que a UNRWA desempenha um papel fundamental na prestação da resposta humanitária", afirmou o diplomata britânico James Kariuki, no debate no Conselho de Segurança.
A reunião de hoje, convocada pela Rússia, contou com a presença de dezenas de Estados-membros da ONU, incluindo Portugal.
Na sua intervenção, o embaixador russo, Vasily Nebenzya, exigiu o fim dos colonatos israelitas ilegais e o desmantelamento dos que já foram construídos.
Numa declaração invulgar, o representante de Moscovo saudou o "envolvimento pessoal e a determinação" de Donald Trump em alcançar um cessar-fogo em Gaza e instou todas as partes a "cumprirem rigorosamente o acordo" para evitar a repetição de tréguas fracassadas no passado.
Insistiu igualmente na solução dos dois Estados (Israel e Palestina), frisando que esse objetivo não deve ser ofuscado pelos esforços de pacificação.
Já o embaixador adjunto da Palestina na ONU, Majed Bamya, focou-se na intensificação dos ataques por colonos israelitas na Cisjordânia, onde dezenas de milhares de palestinianos foram deslocados e muitos foram mortos.
"A vingança e o ódio não levam a lado nenhum. Mais derramamento de sangue não pode ser a resposta. A justiça e a paz são o único caminho a seguir. Mas (...) não há segurança israelita à custa das vidas e dos direitos palestinianos. Não há coexistência com ocupação e subjugação", disse.
Por sua vez, o embaixador israelita, Danny Danon, garantiu que Telavive não descansará até que os corpos de todos reféns sejam devolvidos às suas famílias, acusando o Hamas de estar a violar o acordo de cessar-fogo.
"O mundo deve manter a pressão onde ela pertence, sobre o Hamas, para que devolvam os reféns, deponham as armas e honrem o plano de paz que assinaram. (...) O Hamas mentiu na mesa das negociações e continua a mentir-nos. Eles sabem exatamente onde estão os nossos mortos. (...) É uma crueldade calculada, uma guerra psicológica concebida para infligir dor e ganhar tempo", defendeu.
A primeira fase do acordo de cessar-fogo em Gaza, em vigor desde 10 de outubro, prevê a libertação da totalidade dos reféns capturados durante o ataque do Hamas a 07 de outubro de 2023 --- que causaram cerca de 1.200 mortos e 251 reféns -, a libertação de prisioneiros palestinianos, a retirada progressiva das forças israelitas do enclave e o acesso de ajuda humanitária ao território.
Até agora, o Hamas libertou 20 reféns vivos e devolveu 15 corpos, enquanto Israel entregou 195 corpos palestinianos.
A retaliação de Israel provocou mais de 68 mil mortos, a maioria civis, de acordo com dados do Ministério da Saúde de Gaza (tutelado pelo Hamas), que a ONU considera credíveis.
As próximas fases do plano de paz impulsionado por Trump incluem o desarmamento do Hamas, o envio de uma força internacional e a reconstrução do território.
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