Esta nova biblioteca quer incentivar os polacos a ler mais – até no metro

Setembro 9, 2025 - 10:00
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Esta nova biblioteca quer incentivar os polacos a ler mais – até no metro

Varsóvia introduziu, no dia 4 de setembro, a primeira biblioteca no metropolitano da capital polaca, para incentivar os passageiros à leitura. A Metroteka, que se situa na estação de Kondratowicza, no bairro de Targówek, foi descrita como "uma verdadeira biblioteca do futuro", que pretende atuar enquanto "um centro cultural e educativo à altura do século XXI".

 

O espaço, que conta com 150 metros quadrados divididos entre zonas para crianças e adultos, combina, de acordo com a rede de bibliotecas, "o mundo da imaginação com o mundo do quotidiano, o design moderno com a natureza, a cultura com a tecnologia".

A Metroteka contempla 16 mil livros, "desde novidades e best-sellers, passando por biografias, guias e livros sobre Varsóvia, até uma rica coleção de livros para crianças e jovens, guias práticos, literatura histórica, thrillers, fantasia", assim como computadores portáteis e uma zona de relaxamento.

"Todos ficaram fascinados com a instalação educativa hidropónica, ou seja, o cultivo de plantas sem solo. Na Metroteka, sente-se o cheiro da manjericão e ouve-se o som relaxante da água... Aqui, a natureza encontrou a modernidade, criando uma atmosfera de frescura e inspiração", salientou o organismo, em comunicado.

Esta biblioteca introduziu também uma "um nova dimensão ao serviço bibliotecário", através de um "sistema RFID, autoatendimento para empréstimo e devolução [e uma] máquina de livros 24 horas", comodidades que permitem que os passageiros façam proveito da "oferta, por exemplo, a caminho do trabalho, da faculdade ou da escola e, graças à máquina de livros automática, até mesmo à noite".

"O nosso sonho é que a Metroteka se torne um centro educativo e cultural, e não apenas um local onde se podem requisitar livros", confessou a vice-diretora da biblioteca de Targówek, Grażyna Strzelczak-Batkowska, ao The Guardian.

Na ótica da responsável, a localização subterrânea aproxima a biblioteca dos passageiros ocupados, "tanto geograficamente, como em termos do tempo que é necessário para obter um livro".

"Brinco sempre que os livros não são feitos de vidro - basta entrar, pegar nalguns, colocá-los numa máquina de autoatendimento e está pronto para uma nova aventura", disse.

O mesmo meio adiantou que foram emprestados mais de 400 exemplares no dia da inauguração, entre eles leituras recomendadas para a escola, guias de viagem e "todo o tipo de livros de instruções".

A verdade é que este novo modelo pretende incentivar os polacos a trocar o telemóvel pelos livros. Isto porque, de acordo com o inquérito anual realizado pela Biblioteca Nacional da Polónia, apenas 41% dos inquiridos tinham lido pelo menos um livro em 2024, face aos 50% registados no final da década de 1990 e início da década de 2000.

Apesar de estes números serem mais elevados do que os no sul da Europa, são mais baixos do que nos países nórdicos, segundo o diretor da Biblioteca Nacional, Tomasz Makowski. O responsável justificou que, depois de a Polónia ter perdido 70% das bibliotecas na Segunda Guerra Mundial "várias gerações não viram os seus pais ou avós diante de uma parede de livros". Acresce ainda o facto de que "a leitura não é algo associado à idade adulta", mas sim a "escolas, professores, bibliotecários e, geralmente, a mães a ler para os filhos".

"Abrir uma biblioteca numa estação de metro é um sonho para nós. As bibliotecas devem ser bonitas e abertas; convidativas, não intimidantes. Não são um santuário, mas sim um lugar onde se pode passar o tempo livremente, participar em discussões, consultas públicas ou conhecer pessoas", defendeu.

Veja as imagens na galeria acima.

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