"Ela mandou-me ir". Namorado de mulher que morreu em montanha defende-se

Fevereiro 19, 2026 - 14:00
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"Ela mandou-me ir". Namorado de mulher que morreu em montanha defende-se

Um homem, que abandonou alegadamente a namorada na maior montanha da Áustria, onde esta acabou por morrer, foi presente a tribunal para se defender das acusações de homicídio negligente.

 

"Ela disse-me para ir embora", alegou Thomas Plamberger, de 39 anos, naquela que foi a sua primeira aparição em tribunal.

Kerstin Gurtner, de 33 anos, morreu em janeiro de 2024, na montanha Grossglockner, sob temperaturas que chegavam a -20ºC.

O seu companheiro está acusado de homicídio negligente, uma pena que pode ir até três anos de prisão, detalha o Daily Mail.

Em tribunal, o arguido alegou que a namorada lhe gritou para ir embora, depois de terem estado uma hora sob condições gélidas.

O homem é acusado de uma série de erros cometidos durante esta caminhada, incluindo o facto de estarem mal equipados - e por não ter pedido ajuda mesmo depois de ter percebido que a situação era critica. A acusação refere ainda que o homem a deixou "exausta, hipotérmica e desorientada".

No julgamento, Thomas contou com o apoio da mãe da vítima, que se tem mostrado revoltada com a forma como a filha tem sido referida, como se de uma pessoa vulnerável e influenciável se tratasse.

"Fico irritada por Kerstin estar a ser retratada como uma coisinha ingénua que se deixou arrastar pela montanha. E acho injusto o tratamento que o namorado de Kerstin está a receber. Há uma caça às bruxas contra ele na mídia e na internet", disse a mulher à margem do julgamento.

A morte e a acusação

Segundo o Ministério Público, Kristin foi deixada "em estado grave de hipotermia" a 50 metros do cume da montanha de Grossglockner, nos Alpes. Este está a 3.797 metros de altitude e é o ponto mais alto da Áustria.

Tudo aconteceu a 19 de janeiro, do ano passado, em pleno inverno. A vítima não era uma alpinista experiente, nem o seu namorado que alega agora que era um montanhista "amador" que se servia da sua experiência militar para este tipo de aventuras.

A justiça austríaca explica que os dois queriam chegar ao cume da montanha, mas ter-se-ão perdido pouco antes das 21 horas. Terão enfrentando temperaturas na ordem dos -20ºC, e não foi feito o uso correto do equipamento.

O primeiro contacto com as autoridades terá já acontecido durante a madrugada, quatro horas após começarem a perder-se. Não é detalhada a razão da demora, mas o Ministério Público dá conta de que a primeira chamada para as autoridades foi feita à 1h35.

A justiça refere também que mesmo dez minutos antes das 23h o casal avistou um helicóptero, mas não acionou socorro nem solicitou qualquer pedido de ajuda.

Thomas acabou por descer a montanha, deixando a namorada desprotegida. A investigação aponta que havia cobertores térmicos disponíveis, mas que não foram utilizados.

Uma câmara instalada na trilha que estes seguiam antes de, alegadamente, se perderem captou Plamberger a descer a montanha por volta das 2h30. Uma hora depois, o alpinista experiente voltava a ligar para as autoridades.

Outras imagens de videvigilância também captaram o acampamento improvisado onde, posteriormente, foi encontrado o corpo de Kerstin Gutner.

Kerstin morreu em cume nos Alpes. Com -20ºC, namorado alpinista deixou-a

Kerstin morreu em cume nos Alpes. Com -20ºC, namorado alpinista deixou-a

Thomas Plamberger, de 39 anos, enfrenta uma pena de prisão de até três anos após ter deixado a namorada, Kerstin Gutner, em estado grave e em hipotermia numa montanha nos Alpes. Ausência de pedidos de socorro é também investigada. Notícias ao Minuto | 19:02 - 07/12/2025

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