"É intolerável". Cavaco acusa candidatos de "apropriação" de Sá Carneiro
O antigo Presidente da República Aníbal Cavaco Silva está "chocado" com o que considera ser uma "tentativa de apropriação" do nome de Francisco Sá Carneiro "por parte de, pelo menos, três candidatos presidenciais".
Num artigo de opinião publicado esta terça-feira, 6 de janeiro, no jornal Observador, o histórico social-democrata mostra-se indignado com o aproveitamento de "André Ventura, João Cotrim de Figueiredo e Henrique Gouveia e Melo".
Para Cavaco Silva, estes três candidatos "no plano ético, político, social e económico, estão quase nas antípodas daquilo que Francisco Sá Carneiro defendia".
O antigo chefe de Estado, que foi "ministro das Finanças e do Plano do governo presidido por Francisco Sá Carneiro" e estudou "os seus textos sobre o exercício do poder democrático em Portugal", considera que é "intolerável que na campanha eleitoral em curso, com o objetivo de atacar o candidato Luís Marques Mendes, se procure reescrever a história de um político de excecional craveira como Francisco Sá Carneiro", a quem teve "o privilégio de acompanhar de perto na sua ação como primeiro-ministro".
Para Cavaco Silva, que foi também chefe de Governo, o fundador do PSD "era um defensor da social-democracia moderna, um humanista, homem de princípios firmes, distante tanto do socialismo de Estado, como de uma sociedade dominada pela sacralização do mercado em nome da eficácia".
Além disso, acrescenta, "Sá Carneiro queria fazer de Portugal uma democracia de tipo ocidental em que vigorasse o primado da dignidade e afirmação da pessoa humana, a solidariedade e a justiça social".
Para o antigo chefe de Estado, os dois grandes propósitos de Sá Carneiro eram "o desenvolvimento equilibrado do país e o combate à pobreza". Porém, recorda, "em virtude da sua trágica morte há 45 anos, Sá Carneiro, que governou o país durante apenas onze meses, não teve tempo para pôr em prática o seu projeto de desenvolvimento social e de reformas para a modernização do país e para a melhoria das condições de vida dos portugueses".
Recorde-se que Cavaco Silva já manifestou o seu apoio nestas eleições presidenciais a Luís Marques Mendes, seu antigo ministro-adjunto. Para o antigo Presidente da República, além de "bom senso", Marques Mendes é o candidato com maior "experiência política".
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