"Dos políticos no ativo, Mendes é dos mais notáveis dos últimos 40 anos"
Luís Marques Mendes, que enveredou na política em tenra idade, é uma das figuras sonantes na corrida a Belém. O próprio frisou ter passado "uma vida política a fazer pontes, entendimentos e convergências", quer enquanto líder do Partido Social Democrata (PSD), quer enquanto membro do núcleo duro dos governos de Aníbal Cavaco Silva, não fosse o seu slogan de campanha "o valor da experiência".
Ao longo de cinco entrevistas, que totalizaram cerca de oito horas de conversa, o jornalista Luís Rosa propôs-se a revisitar a atuação do candidato presidencial que, no leque de figuras políticas no ativo, "é das mais relevantes dos últimos 40 anos". Nessa linha, o redator principal do Observador concedeu ao Notícias ao Minuto um vislumbre dos bastidores da obra "Luís Marques Mendes, Uma Vida Política", que visa não só contribuir "para a construção da memória coletiva do país", mas também para "dar conhecimento à opinião pública e registar testemunhos que, eventualmente, no futuro, possam ajudar os historiadores a recriar este passado".
Com um discurso pautado pela influência do pai – que lhe passou os valores de ética e integridade – e da mãe – que o aconselhou a improvisar nas suas intervenções –, Marques Mendes emprestou, inclusive, "o olhar de quem observou e de quem participou e tomou decisões" durante o cavaquismo, período no qual, confirme assinalou Luís Rosa, Portugal foi alvo de uma "enorme transformação". De qualquer modo, são os leitores que, "no final, decidirão" se o seu "passado político e cívico, que [assume] com orgulho, pode ajudar a servir o país".
Na avaliação que faço dos candidatos, confesso-lhe que, jornalisticamente, aquele que me pareceu mais interessante para fazer um livro-entrevista foi Luís Marques Mendes. Porquê? Porque me parece que é factual que é o candidato com mais experiência política
Como é que surgiu esta oportunidade e porque é que decidiu focar-se em Luís Marques Mendes?
É perfeitamente natural que, numa democracia desenvolvida, os jornalistas tentem apresentar os candidatos de campanhas com relevo nacional à opinião pública. Podem fazê-lo através do órgão de comunicação social em que trabalham, entrevistando-os, fazendo perfis, mas também podem optar por fazer um livro. Porque é que escolhi Luís Marques Mendes? Enquanto jornalista, já me dediquei à política. Nos últimos 20 anos, acabei por me especializar na área da justiça e no jornalismo de investigação, mas, como já fiz política e faço comentário político, no Observador e na CNN Portugal, tenho algum know-how político. Na avaliação que faço dos candidatos, confesso-lhe que, jornalisticamente, aquele que me pareceu mais interessante para fazer um livro-entrevista foi Luís Marques Mendes. Porquê? Porque me parece que é factual que é o candidato com mais experiência política. Portanto, o que é que propus a Luís Marques Mendes? Fazer um livro-entrevista – não uma biografia – para revisitarmos a sua carreira política.
O livro tem uma pequena parte biográfica mas, essencialmente, é o testemunho do Luís Marques Mendes sobre os principais cargos políticos que exerceu, desde dirigente nacional do PSD, a partir de 1975, a membro dos três governos de Aníbal Cavaco Silva. Foi um dos membros mais destacados dos três governos de Cavaco Silva, porque esteve sempre no núcleo duro político; esteve na primeira linha do cavaquismo, se quiser. E, depois, foi líder parlamentar de Marcelo Rebelo de Sousa, negociou uma revisão constitucional, foi ministro dos Assuntos Parlamentares de Durão Barroso e líder do PSD. Das figuras políticas que estão no ativo, Marques Mendes é uma das mais relevantes dos últimos 40 anos. Portanto, tentei ouvir o testemunho dele sobre muitos dos principais acontecimentos dos últimos 40 anos.
Enquanto o ouvia, recordei-me de que há, pelo menos, quatro livros sobre o almirante Henrique Gouveia e Melo. De uma perspetiva jornalística é, talvez, o candidato que conhecemos menos em termos políticos. Portanto, é interessante ter optado pelo candidato que está mais aberto à opinião pública.
Chama-se a isso pluralismo. Os nossos colegas entenderam que devia ser mais interessante fazer um livro com Gouveia e Melo. Eu entendi que era mais interessante fazer com Luís Marques Mendes. É o pluralismo do jornalismo, é perfeitamente normal.
Sim, claro. Como mencionou, Luís Marques Mendes é, a par de outros candidatos na corrida a Belém, umas das personalidades mais conhecidas pelo povo português, tendo em conta a sua extensa vida política. Houve alguma coisa que o tenha surpreendido nas conversas que teve consigo? Quer dizer, revelou-lhe que, caso seja eleito, introduzirá um jovem no Conselho de Estado, por exemplo...
O meu principal objetivo foi recolher os testemunhos de Marques Mendes sobre as diferentes fases históricas. Este é o meu quarto livro e todos têm elementos em comum: contribuir para um reforço da memória coletiva do país, dar informação à opinião pública sobre períodos da história recente do nosso país e aprofundar o conhecimento que existe sobre determinadas fases.
No meu primeiro livro, por exemplo, escrevi sobre o conhecimento que existia sobre os processos que envolviam Ricardo Salgado, em 2017. No segundo livro, descrevi a história dos 45 anos do combate à corrupção, seja através da legislação, seja através dos olhares de cinco procuradores que contribuíram para esse combate. E, no último, que foi "O Governador", fiz um livro que não é muito diferente deste. Não foi um livro-entrevista; foi feito com base em entrevistas, mas não é um livro-entrevista. Tem uma estrutura narrativa que vai intercalando o testemunho direto com o testemunho indireto, com uma parte de investigação jornalistíca, mas o objetivo é o mesmo: recolher o testemunho de Carlos Costa sobre os 10 anos do mandato dele [no Banco de Portugal], que são 10 anos muito importantes, do período da troika e do pós-troika.
Com Luís Marques Mendes, foi uma coisa mais alargada, e é também sobre a história da nossa democracia. Ele é dirigente nacional do PSD só a partir de 1985 mas, quando o 25 de Abril se dá, tem 16 anos e participa ativamente [na Revolução]. Depois, entra logo para a política, o que era uma coisa muito normal na geração de Luís Marques Mendes que, em 1974-1975, sentiu um grande apego pela política. Portanto, a ideia é muito semelhante: desenvolver o conhecimento sobre um período histórico. Acho que o jornalista é uma espécie de historiador do presente. Estamos sempre a retratar o quotidiano, o presente, o que está a acontecer agora, não é? Enquanto jornalistas, não deixamos de ser ajudantes do historiador. Não sou historiador, não é esse o objetivo, mas o objetivo dos meus livros é dar conhecimento à opinião pública e registar testemunhos que, eventualmente, no futuro, possam ajudar os historiadores a recriar este passado.
Capa do livro "Luís Marques Mendes, Uma Vida Política"© Dom Quixote/Leya
Houve várias revelações que acho que são interessantes. Enquanto autor, achei muito interessante a forma como Marques Mendes, no período do cavaquismo, retratou os mecanismos de poder. Quando o entrevistei, ele ainda tinha um bocado de registo de comentador. Marques Mendes tem uma boa capacidade de comunicação e achei muito interessante a forma como explicou como é que as decisões foram tomadas, como é que Cavaco Silva planeava o seu trabalho político, como é que os Conselhos de Ministros eram organizados. É esse olhar de dentro do governo, o olhar de quem observou e de quem participou e tomou decisões, que acho que é muito interessante no livro.
Por exemplo, foi num jantar que se fechou o acordo da revisão constitucional de 1997. Os conselhos que deu a Cavaco Silva, quando este sai do governo; e um episódio muito famoso da nossa história dos anos 90, o episódio do tabu. Cavaco Silva não dizia se queria recandidatar-se ou não e Marques Mendes aconselhou-o a candidatar-se a um quarto mandato como primeiro-ministro. Cavaco Silva não fez isso, candidatou-se a Presidente da República, o PSD perdeu o poder e Cavaco Silva perdeu a experiência. O que disse, por exemplo, a Durão Barroso, quando optou pelo cargo de presidente da Comissão Europeia. Enquanto líder do PSD, falou muito sobre José Sócrates, porque era o líder da oposição. Do ponto de vista das fases históricas, acho que estas matérias são interessantes para os leitores.
Uma das perguntas a que se propôs a responder foi precisamente "quem é Luís Marques Mendes?" Devolvo-lhe a si a pergunta: "Quem é Luís Marques Mendes?"
Bem, espero que os leitores encontrem a resposta no livro. Acho que não sou a melhor pessoa para responder a isso, [mas] as características que me parecem mais relevantes na sua carreira política são o apego à luta contra a corrupção e a defesa da luta contra a corrupção. No discurso político dele, acho que é um elemento diferenciador, no sentido em que, enquanto líder do PSD, afastou dois autarcas: Isaltino Morais e Valentim Loureiro. Eram autarcas muito poderosos na altura, tinham muita influência, e essa decisão teve grandes custos políticos para ele próprio. Marques Mendes perdeu as eleições em Lisboa, porque também afastou Carmona Rodrigues, e perdeu a liderança do PSD. O partido não gostou muito dessas decisões, mas essas decisões marcaram a história política de Marques Mendes, não é?
A forma como ele fala do pai, e de como o pai lhe passou esses valores de ética e integridade também acho que é um factor relevante, num período em que o Chega tem um discurso populista no que diz respeito ao combate à corrupção, por exemplo. Isto é a minha opinião, mas obviamente que a maior parte dos políticos são pessoas sérias. Não são todos corruptos, tal como a corrupção hoje em dia não é também o principal problema do país; há outros problemas muito maiores. Quando eu era jovem, nos anos 80-90, havia uma corrupção endémica. Hoje em dia, não. Aliás, a Justiça apanhou casos como o de Sócrates e do Universo Espírito Santo, há pessoas condenadas e a cumprir pena de prisão... Armando Vara, por exemplo; Isaltino Morais também já cumpriu... Isto é um sinal de que há, de facto, resultados e que a corrupção já não é aquilo que era. Acho que esse discurso de integridade e de ética de Marques Mendes é um elemento diferenciador. Pergunta-me quem ele é? Acho que quem tem de responder são os leitores. Nós, jornalistas, damos informação às pessoas, para que tomem as suas decisões. Portanto, são os leitores que vão decidir quem é Luís Marques Mendes, na versão de cada um deles, como é óbvio.
O cavaquismo é um período de enorme transformação do país. O país foi transformado de alto a baixo. Hoje em dia, se fizermos uma pesquisa legislativa sobre qualquer área, seja ela qual for, não há uma em que o diploma central e estrutural não tenha nascido naquela época. Não estou a dizer que o país nasceu ali, mas o país foi mudado ali. [...] Marques Mendes fez parte desse período
Marques Mendes entrou na JSD com 17 anos, passou por cargos de relevo ainda na adolescência e continuou a ascender na política, passando por vários governos. Incluiu diversos exemplos de como Marques Mendes atuou como mediador, e o próprio assumiu que pretende "estabelecer pontes de diálogo e promover entendimentos entre o Governo e a oposição". Foi esse um dos objetivos do livro? Dar conta da experiência de negociação que, inevitavelmente, é necessária ao exercício da Presidência da República?
Não é um dos meus objetivos enquanto autor, o candidato é que tem os seus objetivos. Acho que também é importante fazer alguma pedagogia sobre isso. Querendo revisitar a carreira política de Luís Marques Mendes, "obriguei-o" a puxar pela memória e a recordar questões que, provavelmente, já não recordava há muito tempo. Houve um conjunto de temas que foram acordados para estas cinco longas entrevistas, para que Marques Mendes pudesse recordar informação relevante. Dentro desses temas, Marques Mendes disse o que quis. Obviamente que puxou a brasa à sua sardinha, não é? Mas, sim, uma das ideias-chave que tenta passar é precisamente essa.
Por acaso não sabia mas, estando ele na presidência do Conselho de Ministros, e tendo a coordenação legislativa do governo, obviamente também ficou com a pasta da relação com o Palácio de Belém nessa matéria. Mário Soares e Cavaco Silva não tinham uma boa relação. Aliás, no segundo mandato de Mário Soares, Mário Soares foi o líder da oposição, efetivamente, extravasando os limites constitucionais daquilo que deve ser o Presidente da República, na minha opinião. Mas houve, de facto, uma boa relação entre Marques Mendes e Alfredo Barroso, que era o chefe da Casa Civil de Mário Soares. Marques Mendes explicou como é que isso se processava e tentou passar essa imagem de ser um homem de pontes, de diálogo.
Também senti que Marques Mendes deu um grande relevo à sua veia reformista. Que episódios é que destacaria neste âmbito?
Bem, a agência Lusa é criada no tempo de Marques Mendes e resulta da fusão de duas agências que existiam, uma pública e outra privada, e tem acionistas públicos e privados. Marques Mendes começou este trabalho, que só foi concretizado depois de deixar a pasta da Comunicação Social, mas foi Cavaco Silva quem reformou profundamente a comunicação social. Ou seja, os jornais eram maioritariamente públicos, por causa das nacionalizações de 75, e foram privatizados. Depois, liberalizou-se o mercado das televisões, que era só público, e criou-se a SIC e a TVI. Acho que o interessante nesta parte do livro é [dar conta de] que o cavaquismo é um período de enorme transformação do país. O país foi transformado de alto a baixo. Hoje em dia, se fizermos uma pesquisa legislativa sobre qualquer área, seja ela qual for, não há uma em que o diploma central e estrutural não tenha nascido naquela época. Não estou a dizer que o país nasceu ali, mas o país foi mudado ali. Entrámos para a CEE, que trouxe muitos fundos, mas menos do que noutros períodos – é um facto objetivo. O guterrismo recebeu muito mais dinheiro do que o cavaquismo, mas o cavaquismo transformou muito mais o país. Marques Mendes fez parte desse período. O primeiro-ministro é que é o principal responsável, mas Marques Mendes esteve no núcleo político e acompanhou todas essas decisões.
Acho que Marcelo Rebelo de Sousa nunca seria capaz de tomar as decisões que Marques Mendes tomou sobre Isaltino Morais e Valentim Loureiro. É a minha convicção, vale o que vale. Acho que isso diz muito. A meu ver, Marques Mendes tem uma visão sobre aquelas matérias e segue a direito. Aí, inspira-se muito em Cavaco Silva
Ele diz uma frase que ainda hoje pode ser considerada polémica, mas não acho que seja. Vou abrir uma exceção e dizer que concordo: Cavaco Silva foi o melhor primeiro-ministro da democracia portuguesa. O livro também tenta retratar um bocadinho esse período. E, como disse há pouco, é interessante como Marques Mendes descreve os mecanismos de poder que levaram a essas decisões, que levaram a esse reformismo. Até comparando com o período atual, o primeiro governo de Cavaco Silva era minoritário e foi derrubado com uma moção de censura do PRD. É muito interessante a forma como ele explica a razão específica – que, confesso, também já não me lembrava. Agora, Luís Montenegro tenta replicar e inspirar-se [nesse primeiro governo], e a explicação da estratégia de Cavaco Silva é muito interessante.
Marques Mendes confessou-lhe acreditar que "o uso [da palavra] banaliza-a" e que não tenciona "fazer comentários ou anotações públicas às promulgações que são decididas", por gerarem "ruído e especulação que não são benéficos à qualidade da democracia". Podemos considerar que há aqui uma tentativa de se afastar da atuação de Marcelo Rebelo de Sousa. O que é que lhe saltou à vista na relação entre os dois?
O candidato diz aquilo que entende, como é óbvio, mas Marques Mendes não renega a amizade que tem com Marcelo Rebelo de Sousa. Enquanto jornalista, posso falar como observador. Conheço os dois e conheço bem o passado político dos dois, além do presente. Acho que são dois políticos muito diferentes. Por exemplo, acho que Marcelo Rebelo de Sousa nunca seria capaz de tomar as decisões que Marques Mendes tomou sobre Isaltino Morais e Valentim Loureiro. É a minha convicção, vale o que vale. Acho que isso diz muito. A meu ver, Marques Mendes tem uma visão sobre aquelas matérias e segue a direito. Aí, inspira-se muito em Cavaco Silva: tem uma visão, tem convicções, tem uma estratégia e segue a direito. Com flexibilidade, com pragmatismo mas, se é para cumprir, é para cumprir. Acho que Marcelo é muito mais curva e contracurva; está a faltar-me a expressão.
Cauteloso, talvez?
Calculista. Diria cauteloso e calculista. Por exemplo, Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa pressionaram a Justiça para enviar o processo de Manuel Vicente para Angola. Duvido muito que Marques Mendes fizesse isso, porque respeita a independência dos tribunais e da Justiça. Nesse aspeto, também é um ativo muito diferenciador que tem no discurso. Portanto, acho que são duas personalidades muito diferentes e, acima de tudo, políticos muito diferentes, independentemente de serem amigos ou não. Também compreendo, em certa medida, que haja esse afastamento de Marques Mendes em relação a Marcelo Rebelo de Sousa.
Claro. Ainda que seja uma extensa entrevista, que cobre várias fases da vida de Luís Marques Mendes, houve perguntas que ficaram por fazer ou que gostasse de ter aprofundado e que, por algum motivo, não o tenha feito?
Não. Marques Mendes respondeu a todas as perguntas. Fiz todas as perguntas que quis e ele respondeu todas as perguntas. Não deixou nenhuma pergunta por responder.
Então, neste momento, não acrescentaria nada?
Obviamente [que sim]. Não li o livro, foi editado há pouco tempo. Trabalhei nele de forma muito intensa, por isso não consigo pegar-lhe agora. Mas, quando releio todos os trabalhos que faço, penso: "Se calhar podia ter feito melhor aqui, podia ter feito melhor ali, podia ter feito esta pergunta." É normal isso acontecer, mas fiz todas as perguntas que quis e ele respondeu a todas as perguntas da forma que quis.
E como é que foi o processo de escrita?
Não foi um processo muito longo. Tomei a decisão de lhe propor o livro e de o propor à editora, a Dom Quixote, depois de Marques Mendes ser candidato presidencial. Demorei algum tempo a fazer uma pesquisa documental, para recuperar os tempos históricos. Tinha já muita informação na cabeça; gosto muito de história e conheço bem a história portuguesa do século XXI, por isso não precisei de fazer uma pesquisa profunda. Fi-la para recuperar alguns pormenores, para dar lugar a perguntas em que não tinha pensado. Portanto, isso demorou um mês ou dois. As entrevistas foram feitas entre agosto e setembro e, depois, foi o processo de escrita normal, que terminou já no princípio de novembro. Foi um processo rápido. Infelizmente, atrasou-se devido à morte de um familiar muito próximo. Gostava de ter publicado o livro um mês antes, mas não foi possível.
Mesmo assim, foi bastante rápido.
Foi, foi rápido. Nos últimos seis anos, tenho feito muitas entrevistas. Nunca foi um género jornalístico que fizesse muito. Mas, agora, faço muitas entrevistas no podcast "Justiça Cega", e é um género jornalístico a que me habituei rapidamente. Já agora, a inteligência artificial também ajuda muito a desgravar. Estamos a falar de oito horas de entrevistas, se a minha memória não me falha. Se não fosse a inteligência artificial, teria demorado muito mais tempo a desgravá-las.
Bem sei que o livro saiu há muito pouco tempo, mas já teve algum feedback? As pessoas sentem-se mais esclarecidas?
Não tenho, o lançamento foi ontem [quarta-feira, dia 10 de dezembro]. Na sessão de lançamento, recebi bom feedback. O que me interessa são as pessoas, são os cidadãos comuns. Quando recebo um email de um leitor, respondo sempre. Mesmo que seja uma crítica, respondo; a não ser que seja uma crítica num tom desadequado. Gosto de ouvir a opinião das pessoas e estou sempre atento aos comentários das minhas peças, mesmo que alguns não façam muito sentido. Acho que é bom termos o feedback dos leitores e já recebi críticas que me ajudaram a retificar coisas que não estavam certas, pormenores que não estavam bem, etc. Tive bom feedback na sessão de lançamento, que correu muito bem, de pessoas comuns que me vieram dizer que já leram umas páginas e que gostaram muito. Por exemplo, Leonor Beleza disse-me em conversa particular que gostou imenso e, por isso, fez a apresentação, mas ainda não tenho um feedback generalizado.
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