Dos árbitros aos jogadores. Mourinho é uma bomba por rebentar no Benfica
José Mourinho tornou-se previsível, e não é só no plano tático, ainda que a linha de três centrais sobre a qual assentou o Benfica, na (sofrida) vitória sobre o Atlético Clube de Portugal, por 0-2, que valeu o apuramento para os oitavos de final da Taça de Portugal, tenha, provavelmente, feito alguns acreditarem que algo de fresco estaria por vir.
As declarações prestadas pelo próprio, após o apito final, no Estádio do Restelo, 'rasgando' a própria equipa, ao assumir que, ao intervalo, fez "quatro substituições, mas gostava de ter feito nove", não são mais do que o seguinte e natural passo do 'downfall' do treinador português, que vai sendo fiel, em tudo, ao trajeto que o próprio traçou, quer no Tottenham, quer na AS Roma, quer no Fenerbahçe.
A receita não é difícil de explicar. Tudo começa com a chegada a um novo clube, com ares de 'cara lavada', transmitindo uma sensação de, por um lado, sonho cumprido, e, por outro, determinação em corrigir os erros cometidos, não só pelos antecessores, como até mesmo pelo próprio, no passado recente.
O início é promissor, mas os primeiros 'deslizes' não tardam, e, aí, surgem as primeiras 'vítimas', que são, invariavelmente, os árbitros, produtos de um sistema viciado, que complicam sobremaneira a tarefa que tem pela frente, impedindo-o de alcançar os resultados que pretendia de forma mais célere.
A justificação pega, mas, mais cedo ou mais tarde, perde força, pelo que é altura de encontrar um novo bode expiatório. É, precisamente, nesta fase que o Special One vira baterias para os próprios jogadores, acusando-os de não terem a atitude necessária para colocarem em prática a 'revolução' que tinha em mente.
É neste ponto em que nos encontramos. Após 'ver-se grego' para levar de vencida uma equipa que mora dois escalões abaixo da sua, José Mourinho pretende fazer crer a todos que não resta solução ao Benfica a não ser colocar todo o projeto desportivo no lixo e investir uma nova fortuna no mercado de transferências.
O passo que se segue não é difícil de prever. Seja após o defeso de inverno ou o de verão, o sadino acabará por imputar culpas à própria direção, assegurando que só mesmo devido ao facto de não lhe ter entregue os reforços que pedira é que não alcançou o sucesso por que todos esperavam por parte de um 'messias'.
Foi assim nos mais recentes desafios que assumiu, somando indemnização atrás de indemnização, e, tendo em conta o cenário que se verifica, no Estádio da Luz, não será de estranhar que, mais cedo ou mais tarde, este desfecho venha a verificar-se. Algo que, provavelmente, não será surpresa para ninguém... a não ser Rui Costa.
O presidente do Benfica foi o o último a perceber que Roger Schmidt estava em final de ciclo, em 2024, quando optou por dar-lhe mais uma época, antes de despedi-lo no início da seguinte. Também foi, porventura, o único a acreditar que Bruno Lage teria potencial para ser algo mais do que uma opção de recurso, antes de o demitir, também no arranque de 2025/26.
Aquando do 'divórcio' com Bruno Lage, e ciente de que, em pleno período eleitoral, não tardariam a criticá-lo por não aproveitar o facto de José Mourinho estar à mão de semear, Rui Costa cedeu à tentação de contratá-lo. Os sinais de aviso estavam todos lá, pelo que, agora, corre sérios riscos de ter de lidar com as consequências.
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