Donos do bar de Crans-Montana escrevem carta aos funcionários: "Doloroso"
Os proprietários do bar Le Costellation, na estância de esqui de Crans-Montana, onde morreram 41 pessoas na sequência de um incêndio na noite de Ano Novo, quebraram o silêncio através de uma carta enviada aos seus funcionários, na tarde de quarta-feira.
A carta, segundo a rádio Franceinfo, tem duas páginas A4 e foi assinada por "Jessica e Jacques" Moretti, destinando-se a "toda a equipa" do Le Costellation.
No documento, o casal começou por indicar que decidiu "quebrar o silêncio" que lhe foi "imposto".
"Fomos obrigados, devido à investigação em curso, a conter as palavras de profunda empatia que gostaríamos de vos dirigir imediatamente após esta tragédia", escreveram os proprietários, sublinhando que "este silêncio foi infinitamente pesado e doloroso".
"Também choramos aqueles que já não estão entre nós, com uma imensa tristeza", acrescentaram, lamentando a morte de três funcionários do bar.
"Vocês eram os nossos protegidos e continuam a sê-lo. Assumimos essa responsabilidade sem tentar, de forma alguma, transferi-la para vocês. Nem por um momento poderíamos imaginar uma tragédia como esta. Desde 1 de janeiro, encarnamos a desgraça que se abateu sobre o Constellation", frisaram.
O casal lamentou, ainda, as "mentiras graves" ditas sobre o incêndia. "Uma das mais ignóbeis foi a fuga imediata do local com a caixa registadora debaixo do braço, enquanto nós estávamos lá, a enfrentar o caos, aterrorizados por cenas de guerra durante aquela noite de horror, a tentar prestar socorro, em particular a alguns de vocês", lê-se na carta.
Em causa está uma notícia avançada pelo jornal italiano La Reppublica, que dava conta que Jessica Moretti tinha sido vista, por várias pessoas, a sair a correr do espaço com o dinheiro que tinha sido feito naquela noite.
Os proprietários do bar, apesar de "infinitamente magoados com as inúmeas calúnias espalhadas", frisaram que irão continuar "a colaborar rigorosamente e a responder da melhor forma possível a todas as perguntas" e esperam que "a investigação revele a verdade".
Proprietários do bar sob investigação
Uma investigação indicou que o incêndio no bar La Constellation, onde se encontravam sobretudo adolescentes e jovens adultos, terá sido desencadeado por faíscas de velas que incendiaram a espuma de isolamento acústico no teto da cave.
Um inquérito deverá ainda apurar as circunstâncias exatas do fogo, o cumprimento das normas de segurança por parte dos proprietários e as responsabilidades envolvidas, depois de o município de Crans-Montana ter admitido não realizar inspeções de segurança e incêndio no estabelecimento desde 2019.
O coproprietário do estabelecimento, Jacques Moretti, foi detido e esteve em prisão preventiva de 9 a 23 de janeiro, tendo sido libertado após o pagamento de uma caução de 200 mil francos suíços (cerca de 215 mil euros).
Tal como a mulher, Jessica Moretti, que permanece em liberdade, Jacques Moretti ficou sujeito a "medidas alternativas" destinadas a reduzir o risco de fuga.
Enquanto proprietários do bar, Jacques e Jessica Moretti são alvo de uma investigação criminal por homicídio culposo, ofensas corporais culposas e incêndio criminoso culposo.
Entre as medidas impostas contam-se a proibição de sair do país, a entrega de todos os documentos de identificação ao Ministério Público, a obrigação de apresentação diária numa esquadra da polícia e o pagamento da caução fixada.
Incêndio provocou 41 mortos e mais de 100 feridos
O número de mortos subiu, no sábado, para 41, após um adolescente de 18 anos morrer no hospital onde se encontrava internado.
"Um cidadão suíço de 18 anos morreu num hospital em Zurique a 31 de janeiro", indicou a procuradora do cantão de Wallis, Beatrice Pilloud, num comunicado citado pela BBC.
Além das 41 vítimas mortais, há registo de 115 feridos, a maioria dos quais adolescentes.
No passado dia 30 de janeiro, o Gabinete Federal de Proteção Civil da Suíça informou à agência de notícias France-Presse (AFP) que, até 26 de janeiro, 44 feridos ainda estavam a receber tratamento em hospitais no estrangeiro, incluindo 18 em França, 12 em Itália, oito na Alemanha e seis na Bélgica.
Já o Ministério da Saúde de Wallis indicou que 37 feridos estavam em hospitais suíços.
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