Do "camaleão" CR7 ao "maestro" Vitinha. Roberto Martínez fala de tudo
Roberto Martínez concedeu, esta quinta-feira, uma extensa entrevista ao jornalista espanhol Julio Maldonado, no canal de YouTube 'Mundo Maldini', na qual abordou diversos 'temas quentes' da atualidade, começando, desde logo, pelo Campeonato do Mundo de 2026, no qual resume as oportunidades de Portugal fazer a festa à expressão: "Candidato, sim. Favorito, não".
"É o meu terceiro Mundial, e a verdade que a visão que tenho agora e a que tinha antes do primeiro Mundial é totalmente diferente, porque, quando chegas ao Mundial, não há nenhuma seleção que seja capaz de conquistá-lo. Nenhuma. Ou seja, todo o debate sobre quem é ou não favorito... Há seleções com bons jogadores, com bons momentos de forma, mas a seleção vencedora faz-se com os três primeiros jogos que tens", começou por afirmar.
"É aí que depende a dinâmica, os momentos após o final de uma temporada muito exigente para os jogadores, a maneira como chegam, ao nível tático, mental, os momentos difíceis nos jogos específicos na fase de grupos... É aí que, pouco a pouco, há um momento em que se faz uma equipa campeã, mas também há um aspeto psicológico. O facto de nunca teres conquistado um Mundial é um aspeto que tens de trabalhar, porque torna-se difícil", prosseguiu.
"Temos muita ambição. Ao nível do talento, é uma seleção que pode aspirar ao máximo, porque vem de conquistar a Liga das Nações, que foi a mais exigente de sempre, com dez jogos em dez meses, com consistência. Houve os quartos de final, uma meia final contra a seleção anfitriã, na Alemanha, onde Portugal não ganhava há 25 anos, e, depois, foi a primeira final ganha contra Espanha. A seleção está num momento de confiança e talento muito elevado, mas dizer que é candidata a ganhar o Mundial...", completou.
"Não há ninguém como Nuno Mendes"
O selecionador nacional partiu, de resto, para o plano individual, começando, desde logo, pela defesa, onde falou de Rúben Dias, que "tem uma capacidade de liderança inata", Gonçalo Inácio, que "tem um pé esquerdo de muitíssima qualidade", Renato Veiga, que "dá um equilíbrio muito bom", Tomás Araújo e António Silva, que "são muito, muito capazes".
No entanto, quem mais o encanta, assume, é mesmo Nuno Mendes: "Não há ninguém como ele. Ninguém lhe está a fazer um favor ao dizer que é um lateral-esquerdo, porque é muitíssimo mais. Sem bola, pode situar-se no lado esquerdo e pode jogar como central. É muito bom no jogo aéreo e tem uma grande capacidade nos duelos individuais defensivos".
"Foi um gozo poder vê-lo a defender contra Lamine Yamal ou Mohamed Salah, em situações puras de um contra um. Depois, aquilo que o distingue de qualquer outro lateral esquerdo é a capacidade no último terço, seja por fora - como um lateral mais normal, de dar amplitude - seja em zonas interiores, até como 10. Penso que não há outro jogador com estas caraterísticas", refletiu.
"Vitinha não tem uma posição e é preciso entender isso"
No meio-campo, as atenções recaíram, sobretudo, sobre Vitinha: "O que me custou muito é que penso que Vitinha não tem uma posição, e é preciso entender isso, como treinador, rapidamente. Ele tem um papel, que é o de dirigir o jogo, de estar em contacto com a bola, de controlar os momentos de atacar, os momentos de manter a bola, os momentos de chegar às zonas centrais, de poder abrir... Tem essa capacidade de ser o maestro da orquestra".
"Há jogadores, que, por vezes, começam a jogar e têm uma ligação. Bruno Fernandes, Vitinha e João Neves tiveram esta ligação diretamente, e foi fantástico poder ver como João Neves cresceu muitíssimo com uma ligação com Vitinha, que permite a ambos controlar o jogo de forma diferente, em relação às posições que ocupam", acrescentou.
"Cristiano Ronaldo é um exemplo do que se espera de um jogador na seleção"
Finalmente, no ataque, o espanhol enalteceu a "inteligência total" de Bernardo Silva, o facto de Rafael Leão ser "um dos melhores jogadores do mundo no um contra um, com espaço", a possibilidade de João Félix estar a "desfrutar muitíssimo do desafio que tem" e a maneira como Francisco Conceição se tornou "muito importante para a seleção".
Ainda assim, foi sobre o capitão, Cristiano Ronaldo, que mais se alongou: "Estamos a falar de um jogador que está a dar 21 anos da sua carreira à seleção. Ao longo da carreira, foi muito camaleónico. Era um jogador muito virtuoso no um contra um, na ala, e, agora, adaptou-se a uma posição muito mais central, para abrir espaços à equipa".
"Notamos muito que, quando o Cristiano está na área, abrem-se espaços noutras zonas. O que me surpreendeu no Cristiano foi a sua capacidade de ser um exemplo do que se espera de um jogador na seleção. O Cristiano chega à seleção por aquilo que fez. 20 anos na seleção, o primeiro jogador a chegar aos 200 jogos na história do futebol...", apontou.
"Mas a realidade é que, depois, no dia a dia, o Cristiano mantém essa fome de ser o melhor, de tentar aproveitar, todos os dias, algo que o ajude a melhorar. Ter isso, na sua idade, depois do que conseguiu, é um exemplo. Como selecionador, tenho a responsabilidade de tentar dar ao máximo de jogadores jovens a possibilidade de trabalhar com Cristiano Ronaldo, que é um exemplo. Passados três anos, continua na seleção por aquilo que está a fazer. Se virmos um número 9 que tenha 25 golos nos últimos 30 jogos, concluímos que é um finalizador essencial para a nossa forma de jogar", concluiu.
Leia Também: Arábia Saudita pressiona Cristiano Ronaldo a acabar com a "greve"
Qual é a sua reação?
Gosto
0
Não gosto
0
Amor
0
Engraçado
0
Zangado
0
Triste
0
Wow
0