De "ilegítimo" à "esperança" na Venezuela. Que diz o próximo Presidente?
Da Casa Branca a Caracas são 3.468 quilómetros em linha reta, mas a escalada no conflito entre os Estados Unidos e a Venezuela já percorreu, este sábado, muitos mais quilómetros à volta do mundo. Em Portugal, as reações continuam a chegar, entre as quais os do sucessor do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa.
Com um olho em Belém e outro do outro lado do oceano, são vários os candidatos que não demoraram a manifestar-se sobre o ataque que hoje aconteceu e que levou à "captura" de Nicolás Maduro, que será julgado nos Estados Unidos.
Mas entre não haver dúvidas de que o ataque foi "ilegítimo" e a "esperança para o povo, o que diz o próximo Presidente?
Do "ataque ilegítimo" ao "bom sinal para a liberdade"
Henrique Gouveia e Melo considerou que não só a intervenção militar norte-americana na Venezuela "é ilegítima", como também é "preocupante que países invadam a soberania de outros e que se resolvam, através da força, em determinadas situações."
"Houve uma operação Z, da Rússia, e agora há uma outra operação, americana, com o mesmo formato e feitio, para mudar o governo, independentemente se é legítimo ou não esse governo", salientou, acrescentando: "Pelo menos que saia daqui a necessidade de um governo legítimo e não um governo-fantoche de qualquer seja a superpotência de qualquer que esteja a agir." O candidato mostrou-se ainda confiante de que a diplomacia portuguesa no país iria "fazer um bom trabalho."
A maio da manhã, quando Bruxelas ainda não tinha tornado pública uma posição, Catarina Martins considerava que já "tardava" e que a situação já durava há muitas horas: "A Comissão Europeia e o Conselho Europeu ainda não disseram nada. É fundamental ter uma posição. Assim como não aceitamos que Vladimir Putin diga que vai fazer uma operação especial porque quer ficar com riquezas da Ucrânia, também não podemos aceitar que Donald Trump diga que quer ficar com o petróleo da Venezuela e por isso entra pelo país adentro".
Considerando que Trump era "um risco de guerra global", pediu a condenação "inequívoca" ao ataque, nomeadamente, por parte de Portugal.
Jorge Pinto manifestou também a sua preocupação com a população portuguesa e lusodescendente no país e reforçou que está em causa uma "agressão ilegal em todos os seus sentidos", em relação à qual os políticos portugueses devem ser "muito claros" no seu repúdio.
"É muito importante que o próximo Presidente da República esteja à altura destes desafios e que seja claro ao dizer que tropas portuguesas não serão nunca enviadas para um cenário de guerra que seja ilegal aos olhos do direito internacional", frisou ainda.
João Cotrim Figueiredo considerou que qualquer infração ao direito internacional é, por si só, criticável, acrescentando que a ação militar dos Estados Unidos não foi precedida por qualquer consulta com nenhum aliado ou instituição multilateral.
"Mas, ao mesmo tempo, também dizer que a comunidade internacional não soube lidar com uma ditadura na Venezuela que há demasiado tempo oprime o povo venezuelano e usurpou as eleições de há dois anos", referiu.
Cotrim Figueiredo espera que rapidamente se estabeleça a normalidade naquele país e que o povo venezuelano tenha a oportunidade de expressar a sua opinião livre quanto ao futuro que deseja ter e que isso corresponda a um período de paz e de prosperidade.
Luís Marques Mendes disse ser ainda cedo para tirar conclusões ou "catalogar a natureza" da intervenção dos EUA na Venezuela e defendeu que a prioridade deve ser a situação da comunidade portuguesa neste país.
"Ainda há pouca informação, é muito cedo para estabelecer uma conclusão e um catálogo sobre a natureza da intervenção americana. Haverá um momento para o fazer, neste momento os dados que existem são ainda muito incertos, haverá uma posição americana, ao que sei, por volta das 16 horas horas de Portugal, e eu julgo que há que aguardar esse momento para catalogar a situação", disse.
Já António José Seguro disse estar a acompanhar com "muita preocupação a situação na Venezuela. "Na posse de mais informações, quero dizer com muita clareza que o que se passou hoje na Venezuela é uma violação clara do Direito Internacional e da Carta das Nações Unidas", disse.
António José Seguro considerou que "esta ação do Presidente [dos Estados Unidos, Donald] Trump não teve nada a ver com o amor à liberdade ou com a defesa da democracia".
Referindo que teve já oportunidade de falar com o mandatário da sua candidatura na Venezuela, Jany Moreira, que está em Caracas, António José Seguro afirmou que lhe foi transmitida uma "situação muito calma", sem pessoas na rua.
O candidato presidencial e líder do Chega, André Ventura, considerou que "o derrube do regime de Nicolás Maduro", após uma os ataques é "um sinal de esperança".
O também líder do Chega defendeu que a intervenção militar dos EUA simboliza "um sinal de esperança para o povo venezuelano e para as comunidades portuguesas ali residentes, que agora poderão viver em democracia e sem o jugo de um ditador narcotraficante".
Já António Filipe condenou com "toda a veemência" a "brutal violação" do direito internacional que foi o ataque à Venezuela pelos EUA e "o sequestro" do presidente Nicolas Maduro.
O ex-deputado comunista reforçou que a intervenção militar americana é uma "grosseiríssima violação de direito internacional" e "é absolutamente inaceitável".
"Porque aqui, obviamente, o que está em causa é a apropriação, por parte dos Estados Unidos, dos recursos designadamente petrolíferos da Venezuela. Independentemente de quaisquer outros pretextos que a administração Trump possa inventar, é exatamente isso que está em causa, deitar a mão aos recursos prolíferos e minerais da Venezuela, que como se sabe são riquíssimos. Aliás, Donald Trump não faz segredo relativamente ao seu desejo de se apropriar desses recursos", sustentou.
André Pestana instou hoje Marcelo Rebelo de Sousa, o Governo e todos os outros candidatos a condenarem "inequivocamente" o "ataque" dos Estados Unidos à Venezuela, considerando tratar-se de um golpe de Estado.
"Apesar do falso pretexto de controlar o 'narcotráfico', todos sabemos que este ataque e tentativa de golpe de Estado é basicamente para que as empresas norte-americanas possam controlar totalmente e fazer negócio com as grandes riquezas da Venezuela (como combustíveis fósseis e minerais raros)", afirmou André Pestana, em comunicado.
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