De deceção de Amorim a 'arma' de Rui Borges. Rodrigo Ribeiro vai à luta

Novembro 24, 2025 - 09:00
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De deceção de Amorim a 'arma' de Rui Borges. Rodrigo Ribeiro vai à luta

Estávamos a 9 de março de 2022, quando o Sporting se despediu dos oitavos de final da Liga dos Campeões com um empate a 'zeros', com o Manchester City, em pleno Etihad Stadium, numa partida em que Ruben Amorim aproveitou, sobretudo, para gerir o plantel, visto que a goleada sofrida em pleno Estádio José Alvalade, por 5-0, não dava azo a grandes ambições.

 

Aos 89 minutos, o agora treinador do Manchester United retirou Islam Slimani, lançando para o seu lugar Rodrigo Ribeiro, que, aos 16 anos de idade, teve a oportunidade de se estrear ao serviço da equipa principal dos leões. Horas depois, nas redes sociais, o próprio avançado não escondeu o orgulho pela oportunidade de concretizar um "sonho de menino".

"Hoje, é um dos dias mais felizes da minha vida, estrear-me pelo clube do meu coração e nesta competição, a Liga dos Campeões. Um obrigado não chega a todos os que o tornaram possível, em especial, ao Sporting e à minha família. Ambicionávamos uma vitória, mas, ainda assim, queria agradecer aos adeptos, que foram incríveis", escreveu.

As expetativas eram, no mínimo, elevadas, mas a verdade é que, passados três anos, tardam a concretizar-se. Nessa mesma temporada, a jovem promessa foi utilizada em apenas quatro outros jogos. Na seguinte, foram só dois, pelo que, em janeiro de 2024, decidiu que estava na altura de uma 'mudança de ares'.

Agenciado pela Gestifute, de Jorge Mendes, o minhoto seguiu viagem rumo a Inglaterra, para reforçar o Nottingham Forest (equipa então comandada pelo compatriota, Nuno Espírito Santo), numa opção, no mínimo, surpreendente. Tão surpreendente que o próprio Ruben Amorim não escondeu a desilusão.

"É uma opção pessoal, é um miúdo que acredita muito nele e não conseguiu desenvolver-se como outros na equipa principal. É uma opção dos jogadores, dos agentes. Desejo a melhor sorte, porque tem muito talento. Depende dele e do treinador. É uma Liga muito competitiva. Vamos ver. Espero que tenha sorte", atirou.

Nottingham Forest 'deu para o torto' e AVS não foi muito melhor

A aposta pelo Nottingham Forest acabou, no entanto, por sair 'furada'. No espaço de meio ano, Rodrigo Ribeiro somou apenas 15 minutos em campo, distribuídos por cinco jogos, pelo que não teve alternativa a não ser regressar a Alvalade, em busca de uma nova chance... que não surgiu, uma vez mais.

O arranque da última época até foi promissor, uma vez que foi suplente utilizado, quer na Supertaça Cândido Oliveira (derrota perante o FC Porto, por 3-4, após prolongamento), quer na jornada inaugural da I Liga (vitória sobre o Rio Ave, por 3-1), mas não passou disso mesmo, pelo que se seguiu um empréstimo ao AVS.

Na Vila das Aves, a vida do internacional sub-19 português também esteve longe de ser a mais fácil. Foi utilizado em 23 jogos, é verdade, mas em apenas nove como titular. Pelo meio, marcou um golo, numa equipa que só conseguiu escapar à despromoção com recurso a um playoff, onde levou de vencida o Vizela.

"Crescimento enorme" convence Rui Borges

Ainda que as oportunidades desperdiçadas comecem a amontoar-se, é preciso não esquecer que Rodrigo Ribeiro ainda só tem 20 anos de idade. Esta temporada, tem-se revelado um dos principais beneficiados do esquema montado por João Gião, no Sporting B, que o entende mais como um número 10 do que propriamente como um ponta de lança.

Em oito jogos, leva quatro golos, uma assistência e uma série de boas exibições, que convenceram Rui Borges a dar-lhe uma nova chance, na equipa principal. Nos quartos de final da Taça da Liga, suplente utilizado, na goleada aplicada ao Alverca, por 5-1. Já no passado sábado, foi mesmo titular, na vitória sobre o Marinhense, por 3-0, que valeu o acesso aos 'oitavos' da Taça de Portugal.

"Tem tido um crescimento enorme. É um predestinado em termos técnicos e de leitura. Toma boas decisões, é muito focado e acreditamos muito que pode jogar na frente e no apoio ao avançado, que é onde treina mais, na equipa principal. O Rodrigo apareceu demasiado cedo, e, por vezes, os miúdos querem dar dois passos à frente no seu crescimento", explicou o próprio treinador, aos jornalistas.

"Por vezes, não adianta ir para a Liga só para dizer que joga na Liga. O treino dá-lhes umas coisas, mas o jogo dá-lhes muito mais. E ele foi para o AVS e teve pouco tempo de jogo. O que falámos com ele foi que, se calhar, melhor do que ir para uma equipa da Liga e ter 200 minutos, é ficar connosco, jogar na II Liga 2, tem 3.000 minutos e pode vir à equipa principal, porque ele é jogador da equipa A", prosseguiu.

"Tem jogado na equipa B, tem somado golos, assistências e está a crescer. Foi essa a conversa que eu tive com ele no início da época. Às vezes, os miúdos querem dar dois passos à frente, e pensam que ir à II Liga é perder um ano, mas é o contrário, porque, ali, crescem e muito. Por isso, o mérito é dele, porque entendeu isso e está a crescer", rematou.

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