Danos provocados pelo mau tempo? "É necessário investir na prevenção"

Novembro 14, 2025 - 12:00
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Danos provocados pelo mau tempo? "É necessário investir na prevenção"

O vice-presidente da bancada do Partido Socialista (PS), Pedro Delgado Alves, defendeu, na noite de quinta-feira, na SIC Notícias, que Portugal precisa investir mais na prevenção de danos provocados por tempestades, uma vez que estas serão cada vez mais e "mais intensas".

 

Para Delgado Alves, "temos de fazer uma transformação do que não se fez no momento certo a nível do ornamento do território, aos erros estruturais na gestão, na organização e no planeamento das cidades".

No entanto, como isso é "difícil", porque "acarreta consequências para as pessoas que, entretanto, enraizaram-se nos locais e têm as suas atividades económicas", o deputado socialista considera que podem (e devem) ser tomadas outras medidas no imediato.

"O investimento tem de ser, pelo menos, na manutenção de infraestruturas para reagir a fenómenos como o de hoje [quinta-feira]. Falta investimento na manutenção e na Proteção Civil, mesmo a nível de infraestruturas. A Proteção Civil, abusando do provérbio da Santa Bárbara, 'só se chama quando troveja'", comparou, acrescentando que quando estamos perante um problema "há um grande consenso na [falta de investimento], mas depois há um enraizamento de hábitos", tanto ao nível da Proteção Civil como das atividades preventivas" que faz com que fique tudo na mesma.

"E às vezes é apenas manutenção, nem é necessário fazer investimento – uma coisa tão simples como tratar de pequenas coisas em sítios que já estão identificados como pontos críticos em determinado território antecipam estes problemas – e é esta mentalidade que não está integralmente enraizada", salientou.

Além disso, há outros dois problemas, na opinião de Pedro Delgado Alves: "Tivemos anos de muita baixa precipitação, de ausência pluvosidade" durante os quais "houve uma desabituação dos hábitos de manutenção e degradação de algumas infraestruturas sem que nos tivéssemos apercebido" e "há, de facto, fenómenos climatéricos extremos com mais intensidade e regularidade" aos quais precisamos ter mais atenção.

Além do investimento na manutenção no que já temos, na proteção civil e em melhorar o ornamento de território, o parlamentar do PS salienta que é necessário também fazer diferente nas "novas construções", lamentando que não exista estas preocupações e "mentalidade de Proteção Civil para que quem loteia e para quem depois executa e constrói".

"Tudo isto ocorre em simultâneo. São vários problemas que se sobrepõem uns aos outros e depois, num dia como o de hoje [quinta-feira], os meios de urgência não chegam", sublinhou.

"É mais eficaz economicamente gastar mais e melhor antes das ocorrências do que depois ter todos os custos dos danos causados, da mobilização de meios que temos de fazer. Não descurando a reação, onde acho que também há falhas, é necessário investir na prevenção", afirmou, reiterando, no entanto, que "isso não corresponde ao espírito e à mentalidade tradicional de políticas públicas em Portugal".

Recorde-se que o mau tempo que assolou o país nos últimos dias provocou vários aluimentos de terra, muitas inundações e fez, pelo menos, dois mortos, em Fernão Ferro, distrito de Setúbal. Portugal Continental continua hoje sob aviso amarelo devido à chuva e vento forte, com previsões piores para os distritos de Beja e Faro, que estão a laranja.

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