Cotrim apoiará Ventura? Ainda não foi a 1.ª volta, mas já se fala da 2.ª
João Cotrim de Figueiredo revelou esta segunda-feira que, numa eventual segunda volta das eleições (na qual não esteja), não exclui o apoio a qualquer candidato - afirmação que inclui André Ventura e que levou a críticas, durante a manhã, dos seus adversários.
No final de uma visita ao Mercado Municipal do Fundão, o também eurodeputado asseverou: "Não excluo qualquer candidato, mas teria de fazer uma reflexão profunda".
Diretamente questionado sobre se apoiaria o adversário André Ventura na corrida a Belém, o antigo líder da IL reafirmou que, nesta altura, não exclui ninguém. "O André Ventura dos últimos quatro dias eu ainda não conheci. Moderou o discurso e parece um político diferente", considerou.
Tais declarações levaram os oponentes a reagir. Por exemplo, Marques Mendes acusou Cotrim de Figueiredo de ter admitido a inutilidade de votar em si, enquanto Jorge Pinto salientou que um eventual apoio do candidato da IL ao líder do Chega o "entristece" mas não o "surpreende".
"Contra indecência", "um voto inútil" e "2.ª volta só depois da 1.ª"
Mas vamos ao que foi dito. Catarina Martins voltou hoje a apelar ao voto por convicção no dia 18 de janeiro, afirmando que "está tudo em aberto" para uma eventual segunda volta, na qual assegura que votará "sempre contra a indecência".
A candidata apoiada pelo Bloco de Esquerda antecipou que no caso de não ser um dos dois nomes a votos nessa segunda volta, há opões que exclui à partida, ao contrário de João Cotrim Figueiredo: "A política precisa de decência. Eu votarei sempre contra a indecência e a selvajaria", referindo-se, implicitamente, a André Ventura, em declarações aos jornalistas no final de uma visita ao projeto Seixal Criativo.
Por sua vez, e como já referido, Jorge Pinto não ficou surpreendido com as afirmações de Cotrim de Figueiredo, acusando o liberal de abdicar dos seus princípios por calculismo. "Se há alguém que tem falado contra a nossa democracia é André Ventura. Que João Cotrim Figueiredo esteja confortável com isso e que assuma que poderia votar nele, a mim entristece-me, mas na verdade não me surpreende, porque os pontos de contacto entre João Cotrim Figueiredo e a Iniciativa Liberal e o Chega e André Ventura, são vários", afirmou.
Jorge Pinto reiterou ainda que apoiará qualquer nome que concorrer contra o líder do Chega numa eventual segunda volta, inclusive Cotrim Figueiredo.
Luís Marques Mendes também não 'passou ao lado' da polémica, julgando que Cotrim de Figueiredo admitiu a inutilidade de votar em si. "Cotrim Figueiredo, ao dizer o que disse, está no fundo a reconhecer que não vai à segunda volta. Está a reconhecer aquilo que muita gente diz, que um voto na candidatura da Iniciativa Liberal é um voto inútil, inútil, porque não vai passar à segunda volta, porque não vai ganhar", salientou.
Pelo contrário, defendeu, Marques Mendes diz já ter a segunda volta programada na sua cabeça. "Houve uma pessoa que me abordou dizendo que só falta uma semana: eu disse, não, não, faltam quatro semanas, portanto, a minha perspetiva é a do dia 8 de fevereiro", disse.
António Filipe, apoiado pelo PCP, foi taxativo na sua 'resposta': Segunda volta? Só existe "depois da primeira". A menos de uma semana das eleições, o candidato foi instado a comentar a possibilidade de uma segunda volta (depois de, como explicado, outros adversários já o terem feito).
"Não, ainda não, isso é só depois da primeira, portanto, segunda volta só existe depois da primeira, depois de contados os votos da primeira", respondeu aos jornalistas em Elvas, Portalegre, onde começou o dia de campanha a visitar a Estação Nacional de Melhoramento de Plantas.
Por fim, Gouveia e Melo sublinhou sobre este tema que já nada o surpreende, pois já viu acontecer todo o tipo de estratégias. "Já não fico surpreendido com nada [..]. Já vi desde umas eleições que deveriam ser Presidenciais transformarem-se em umas eleições, quase, umas segundas Legislativas, e já vi todo o tipo de táticas e estratégias. Portanto, já nada me surpreende", dissertou.
Questionado, ainda, sobre se já decidira sobre o que fazer na segunda volta, Gouveia e Melo respondeu que nem coloca a hipótese de votar noutro candidato, porque espera lá estar. "Portanto, isso para mim é um cenário que não se põe na minha cabeça neste momento", sublinhou.
Cotrim? "É uma espécie de Bloco de Esquerda, mas bem vestido"
O visado, André Ventura, também reagiu. Se, por um lado, viu "com naturalidade" um eventual apoio de Cotrim, pelo outro criticou o liberal... classificando-o como um bloquista "de fato e gravata".
"Vejo a declaração do João Cotrim de Figueiredo com naturalidade, de que, como é provável, eu esteja na segunda volta e o [outro] candidato seja o António José Seguro, que esses apoios possam manifestar-se e que isso possa acontecer. Eu também procurarei evitar ao máximo que haja um Presidente socialista", referiu.
Interrogado sobre se também apoiaria Cotrim caso o opositor do liberal numa segunda volta fosse Seguro, Ventura respondeu que não está a colocar esse cenário em cima da mesa, afirmando que "todas as sondagens" o colocam numa segunda volta. "Se isso não acontecer, falaremos novamente e já sabem qual é o meu princípio: evitar ao máximo que haja um presidente socialista", acrescentou.
Apesar da "naturalidade" de um eventual apoio de Cotrim, Ventura não poupou críticas: "Na verdade, o João Cotrim de Figueiredo não se distingue muito dos outros candidatos em relação ao PS e ao PSD. Portanto, na verdade, em termos de modelo é mais ou menos a mesma coisa, é uma espécie de Bloco de Esquerda, mas bem vestido", criticou.
"Meus queridos adversários, mantenham a calma"
Depois de as suas afirmações terem gerado comentários, o próprio Cotrim de Figueiredo voltou a fazer declarações, onde 'esclareceu' a mensagem. Insistiu que o seu "cenário base" é ir à segunda volta e, caso não aconteça, algo de que duvida, não exclui apoiar nenhum candidato, incluindo André Ventura, ou mesmo não apoiar ninguém.
"Marques Mendes veio dizer que isto é a assunção de que eu não vou à segunda volta, vocês não ouviram nada disso, pois não", disse o também eurodeputado aos jornalistas, no final de uma visita à empresa Dinefer em Castelo Branco.
E acrescentou: "Meus queridos adversários, mantenham a calma, não tentem interpretar as palavras que eu não disse como a assunção de alguma coisa que não seja".
Instado, por diversas vezes, a dizer claramente se apoiaria André Ventura, líder do Chega, numa eventual segunda volta, Cotrim Figueiredo respondeu com uma pergunta: "Qual é a dúvida desta frase? Não excluo nenhuma hipótese, incluindo André Ventura, incluindo Seguro, incluindo Manuel João Vieira, incluindo não apoiar ninguém".
[Notícia atualizada às 15h06]
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