Corretores de seguros defendem fundo de catástrofes com Estado e seguradoras

Fevereiro 19, 2026 - 22:00
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Corretores de seguros defendem fundo de catástrofes com Estado e seguradoras

Numa audição requerida pelo Chega e pelo PS sobre os efeitos das intempéries, o representante dos corretores de seguros considerou que "o Estado tem um papel muito importante" na prevenção de catástrofes, atuando ao nível da conceção e do tipo de construção.

 

Adiantou, no entanto, que os acontecimentos recentes são uma "oportunidade enorme" para finalmente se avançar com a criação de um fundo de catástrofes naturais, uma ideia já debatida entre anteriores governos e empresas de seguros.

"As seguradoras não vão fazer coisas se o Estado não ajudar. O regulador dos seguros também vai precisar da ajuda do Estado", disse Nuno Martins, reforçando que esta é a altura "de dedicar tempo a construir alguma coisa".

Nuno Martins admitiu também a necessidade de alterar os capitais dos seguros multirrisco, estimando que o valor de reconstrução que as seguradoras pagarão, em caso de sinistro, venha a aumentar para 1.500 ou 2.000 euros por metro quadrado.

Em 06 de fevereiro, a Associação Portuguesa de Seguradores (APS) anunciou que os líderes das empresas seguradoras que operam em Portugal entregaram uma declaração conjunta apelando ao poder político para que a criação de um mecanismo para responder a catástrofes naturais "seja assumida como uma prioridade estratégica de interesse público".

Em causa, estavam declarações do ministro das Finanças, Joaquim Miranda Sarmento, que em entrevista ao Público e à Renascença manifestou a vontade do Governo de criar um fundo de catástrofes já este ano, em conjunto com o regulador dos seguros.

Segundo o ministro, o fundo "será capitalizado com o seguro dos imóveis e dos equipamentos e depois com o resseguro".

As seguradoras manifestaram também "total disponibilidade para colaborar com o Estado e com as entidades competentes na definição de um modelo nacional de proteção robusto e sustentável, assente em princípios de solidariedade, prevenção e partilha de riscos, à semelhança do que já existe na maioria dos países europeus".

Dezoito pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.

A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo foram as mais afetadas.

A situação de calamidade que abrangia os 68 concelhos mais afetados terminou em 15 de fevereiro.

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