Coragem para defender valores não está nos "candidatos do centro"
"Alguém acha que algum dos candidatos do centro terá a coragem de propor um debate novo, que seja capaz de desbloquear Portugal, para que as pessoas tenham salários dignos e casas onde possam viver?", questionou, nomeando, em concreto, Henrique Gouveia e Melo, Luís Marques Mendes e António José Seguro.
Perante uma plateia que enchia o Salão Ático do Coliseu do Porto, onde decorreu hoje ao final da tarde a primeira sessão pública da campanha, Catarina Martins afirmou-se como a candidata que defende valores "em vez de negócios de ocasião", que lança debates sobre as condições de vida dos portugueses e o futuro, e que questiona o Estado para o melhorar.
"A proposta que eu faço nesta campanha é que quebremos a bolha da solidão, que ousemos o cuidado, ousemos a solidariedade, ousemos fazer em conjunto de formas que ainda não foram feitas", desafiou a candidata a Belém.
Essa ousadia, continuou, passa também por fazer algo que a candidata apoiada pelo BE admite que nem sempre é fácil à esquerda: "Dizer claramente o que está a falhar e quando o Estado falha".
"Dizermos hoje o que a democracia não fez e lançarmos estes debates de formas novas é o trabalho da próxima Presidente da República e é por isso que vos proponho esta coragem de cuidarmos uns dos outros", insistiu.
Num discurso de cerca de 20 minutos, Catarina Martins falou da necessidade de Portugal se afirmar no contexto internacional contra a ocupação, o imperialismo e o genocídio, contra "os oligarcas da tecnologia" que se servem da revolução tecnológica contra os interesses das populações, e de um chefe de Estado que "equilibre o jogo contra os negócios do costume que têm afundado Portugal".
Falou também sobre a crise na habitação, os problemas do Serviço Nacional de Saúde e da escola pública, os baixos salários, a precariedade e o pacote laboral do Governo.
"A campanha para a Presidência da República é também isto. Que valores queremos defender em cada momento? E quais são os valores que hoje respondem pela vida do povo português?", questionou.
Entre todos esses desafios, a única mulher candidata às eleições presidenciais de 18 de janeiro revelou que é precisamente na única mulher candidata às presidenciais de 1986 que se inspira, citando o Relatório Cuidar o Futuro de 1998 de Maria de Lourdes Pintasilgo.
"É por isso que me inspiro nesta campanha no seu cravo de 1986 quero dizer que também vos proponho que o tabu mais enraizado da nossa política está errado. Uma mulher pode ser Presidente e é bem possível", terminou entre os aplausos de dezenas de apoiantes.
No primeiro comício da campanha, a candidata teve ao seu lado a ativista Paula Cosme Pinto, que a classificou como "a mulher certa para o cargo", e o sociólogo e ex-dirigente do BE João Teixeira Lopes que vê em Catarina Martins a representante "da República viva e da esperança".
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