Comandante israelita alerta que colonos radicais ameaçam o próprio país
Se a violência crescente dos colonos judeus nos territórios ocupados palestinianos não for travada, Israel poderá ter uma capacidade de ação mais limitada "nas principais frentes do Líbano, Gaza e Síria", segundo Eyal Zamir, num documento interno citado pelo canal 12.
"Estes anarquistas poderiam incendiar a área num instante, criando uma situação em que todas as forças teriam de ser imediatamente desviadas das fronteiras de Gaza e do Líbano para a Judeia e Samaria, mesmo que não haja qualquer interesse de segurança nisso agora", afirmou o comandante militar, usando as designações administrativas israelitas para se referir à Cisjordânia.
Se este problema não for resolvido, prosseguiu, "poderá interferir em tudo", num momento que definiu como crítico e que exige foco nas outras frentes que designou.
Já na semana passada, o comandante do exército israelita manifestou a intenção de pôr fim aos ataques de colonos, onde a ONU registou, em outubro, um pico de violência em quase duas décadas.
Quase 94% das investigações abertas pela polícia israelita sobre a violência dos colonos entre 2005 e 2024 terminaram sem que qualquer acusação tenha sido formalizada, segundo dados da organização israelita de defesa dos direitos humanos Yesh Din.
Desde 2005, apenas 3% dos processos abertos resultaram em condenações totais ou parciais.
De acordo com dados das Nações Unidas, mais de mil palestinianos morreram na Cisjordânia entre 07 de outubro de 2023, data do início da guerra na Faixa de Gaza, e 13 de novembro de 2025, em ataques atribuídos a colonos violentos ou ao exército israelita.
Outubro registou mais ataques de colonos na Cisjordânia (264) do que qualquer outro mês desde a recolha de dados em 2006, coincidindo com raides de habitantes judeus violentos nos olivais do território durante a ultima campanha de colheita de azeitonas.
Neste ambiente de violência crescente, o exército israelita informou hoje que matou a tiro um palestiniano perto da cidade de Nablus, no norte da Cisjordânia.
O exército alegou que o palestiniano era suspeito de ter ferido um reservista israelita no dia anterior, num incidente reivindicado pelas Brigadas al-Quds, braço armado da Jihad Islâmica.
Após ter anunciado no domingo medidas contra os colonos radicais, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, reuniu-se hoje com altos responsáveis da segurança para discutir o aumento da violência na Cisjordânia.
Na reunião do executivo com responsáveis das forças armadas, do serviço de segurança interna (Shin Bet) e da polícia, foram discutidas propostas para controlar a situação nos territórios ocupados, que podem incluir programas educativos para os colonos violentos, segundo um responsável israelita, que falou à agência Associated Press (AP) sob anonimato.
O gabinete do primeiro-ministro não comentou ainda os resultados da reunião, que terminou antes de a agência notícias palestiniana Wafa informar que vários habitantes ficaram hoje feridos durante operações do exército israelita em vários pontos da Cisjordânia, onde também foi detido um jornalista.
Além disso, a Wafa noticiou que o exército israelita abriu fogo contra fiéis palestinianos à saída de uma mesquita, após as orações de sexta-feira, na aldeia de Al-Mughayir, a nordeste de Ramallah, ferindo dois homens.
Por outro lado, registaram-se igualmente novos ataques protagonizados por colonos israelitas, maioritariamente em Nablus, no norte do território, onde o exército israelita realizou diversas operações.
No domingo, o primeiro-ministro israelita anunciou "medidas enérgicas" contra os colonos radicais e os seus atos de violência dirigidos à população palestiniana e também às próprias tropas de Israel na Cisjordânia.
"São uma minoria que entra na Judeia e Samaria e não representam a maioria dos colonos, que respeitam a lei e são leais ao Estado", declarou Netanyahu.
O chefe do Governo afirmou que as ações de violência dos colonos "vão receber uma resposta muito forte", observando que Israel é "uma nação de leis", apesar das críticas reiteradas da impunidade de que gozam os israelitas radicais na Cisjordânia ocupada.
Leia Também: UNICEF alerta que morrem duas crianças por dia em Gaza em ataques
Qual é a sua reação?
Gosto
0
Não gosto
0
Amor
0
Engraçado
0
Zangado
0
Triste
0
Wow
0