"Chocou-me". Alexandra Leitão lamenta "ataque à memória" de Jorge Coelho
A socialista Alexandra Leitão, candidata à presidência da Câmara Municipal de Lisboa, lamentou esta segunda-feira que o atual autarca, Carlos Moedas, recorra ao "ataque pessoal" para fazer campanha para as eleições autárquicas e manifestou-se "chocada" com o "ataque à memória" de Jorge Coelho.
Em entrevista à SIC, a socialista destacou o "ataque à memória de alguém que não se pode defender", referindo-se ao antigo ministro do Equipamento Social Jorge Coelho, que morreu em 2021.
"Acho que foi isso que motivou a indignação de muita gente, não só de socialistas. O que ataque à memória de uma pessoa que não se pode defender (...) com algo que era falso", afirmou.
Em causa está o facto de Moedas recusar demitir-se após o descarrilamento do Elevador na Glória, na passada quarta-feira, e rejeitar comparações com o socialista Jorge Coelho, que se demitiu do cargo de ministro após a ponte de Entre-os-Rios, em 2001.
O autarca lisboeta chegou mesmo afirmar, também numa entrevista à SIC, no domingo, que os dois casos não são comparáveis porque o gabinete de Jorge Coelho tinha recebido informações que apontavam para a fragilidade da ponte ainda antes do acidente, enquanto no caso dele, pelo contrário, não recebeu qualquer sinal nesse sentido em relação ao Elevador da Glória.
"Foi falso o que disse aqui mesmo Carlos Moedas", disse Alexandra Leitão. "Ele, Jorge Coelho, não se demitiu por ter tido conhecimento de qualquer coisa que tivesse a ver com aquilo que foi a causa da queda da ponte".
"Porque acho que quem já quem não está merece mais respeito, foi essa a parte que verdadeiramente me chocou mais", atirou.
Sobre as críticas proferidas por Carlos Moedas, que acusou o Partido Socialista (PS) de ser "dissimulado" e "cínico", Alexandra Leitão afirmou que "os insultos dizem mais sobre quem os profere do que sobre quem é insultado".
A socialista reiterou que não vai pedir a demissão do presidente da Câmara de Lisboa, mas pediu "um esclarecimento cabal e o apuramento de responsabilidades" do descarrilamento do Elevador da Glória, que provocou 16 mortos e mais de 20 feridos.
"Não peço a demissão de Carlos Moedas, mas peço - e penso que isso é que é importante - o esclarecimento cabal e o apuramento de responsabilidades face ao que aconteceu", frisou.
A socialista defendeu que é necessário aguardar pelas "conclusões do relatório" do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e Acidentes Ferroviários (GPIAAF), que "não pode ser apressado".
"Tem de ter a serenidade e a capacidade técnica que terá de ter. A mim não me ouvirão pedir coisas apressadas em função do que quer que seja", referiu.
Recorde-se que o Elevador da Glória, localizado no centro de Lisboa, descarrilou pelas 18h04 de quarta-feira, na Calçada da Glória. O acidente provocou 16 vítimas mortais e mais de 20 feridos.
Na sexta-feira, a Polícia Judiciária (PJ) revelou que "estão confirmadas as nacionalidades das 16 vítimas mortais" do acidente, que foram "identificadas cientificamente, com a colaboração do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses".
Assim, entre as vítimas mortais estão cinco portugueses, dois sul-coreanos, um suíço, três britânicos, dois canadianos, um ucraniano, um norte-americano e um francês.
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