Chefe da ONU para Direitos Humanos deplora "propaganda pró-guerra"
Türk falava na tradicional «atualização global» sobre a situação de direitos humanos à escala mundial, na abertura da 60.ª sessão do Conselho de Direitos Humanos, que decorre entre hoje e 08 de outubro em Genebra, Suíça, depois de, na semana passada, Pequim ter sido palco de uma grande parada militar e de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter anunciado a mudança do nome do Departamento de Defesa para Departamento de Guerra.
"Tendências preocupantes que prejudicam os nossos direitos estão a ganhar terreno em todo o mundo. A propaganda pró-guerra está em toda a parte, desde desfiles militares até à retórica exacerbada. Infelizmente, não há desfiles pela paz nem ministérios da paz", comentou o alto-comissário.
De acordo com Tütk, "a glorificação da violência está associada a uma erosão preocupante do direito internacional", com "vários governos" um pouco por todo o mundo "a ignorá-lo, a desrespeitá-lo e a afastar-se dele".
"Quando os Estados ignoram as violações do direito, estas tornam-se normalizadas. E quando os Estados aplicam o direito de forma inconsistente, minam a ordem jurídica em todo o lado. É hora de os Estados acordarem e agirem", disse.
Apontando que, "em todo o mundo, as regras de guerra estabelecidas há muito tempo estão a ser destruídas, praticamente sem qualquer responsabilização", o responsável da ONU referiu-se então aos principais conflitos em curso, começando por notar que "a guerra da Rússia na Ucrânia tornou-se ainda mais mortal".
"Em julho, foram mortos e feridos mais civis do que em qualquer outro mês desde maio de 2022, à medida que a Federação Russa intensificou os ataques ao longo da linha de frente e em cidades por todo o país. As últimas semanas testemunharam alguns dos ataques aéreos mais massivos desde o início da guerra, com a retomada e intensificação dos ataques saturados com drones e mísseis em todo o país", assinalou.
Relativamente ao conflito israelo-palestiniano, reiterou as críticas ao "massacre de civis palestinianos em Gaza por Israel", lamentando "o sofrimento indescritível e a destruição em massa que [o exército israelita] infligiu", o "impedimento da ajuda humanitária necessária para salvar vidas e a consequente fome dos civis, e o assassinato de jornalistas, funcionários da ONU e trabalhadores de organizações não-governamentais".
"Mais militarização, ocupação, anexação e opressão só alimentarão mais violência, retaliação e terror [...] Precisamos de agir agora, para acabar com a carnificina. A comunidade internacional está a falhar no seu dever. Estamos a falhar com o povo de Gaza. Onde estão as medidas decisivas para impedir o genocídio? Por que os países não estão a fazer mais para evitar crimes atrozes?", questionou, argumentando que "a inação não é uma opção".
Passando em revista outros conflitos em curso, casos do Sudão, Myanmar, República Democrática do Congo, Volker Türk lamentou também que "o espaço cívico esteja a ser restringido" em todo o mundo, "da China à Turquia e à Venezuela", e sustentou que "um caso significativo é o da Região Administrativa Especial de Hong Kong, onde os amplos poderes de segurança nacional usados contra a sociedade civil e os defensores dos direitos humanos reduziram drasticamente a vitalidade de uma praça pública aberta e livre".
"Quando os Estados cortam os laços com o sistema ou tentam enfraquecê-lo, quando se isolam, todos perdem. Em resposta, precisamos de um movimento inter-regional para defender o sistema internacional. Esse é o único caminho viável para alcançar soluções coletivas para as ameaças existenciais que enfrentamos hoje", concluiu.
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