Catarina Martins e João Oliveira subscrevem moção de censura à CE
De acordo com o documento a que a Lusa teve hoje acesso, a bloquista Catarina Martins, antiga coordenadora do partido e candidata à Presidência da República, e o comunista João Oliveira, ex-líder da bancada parlamentar, constam da lista de subscritores que incluiu os copresidentes deste grupo político, Manon Aubry (França) e Martin Schirdewan (Alemanha).
Na quarta-feira, reagindo ao discurso do Estado da União Europeia (UE), Catarina Martins disse aos jornalistas portugueses que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, "disse alguma coisa sobre o que está a acontecer" na Faixa de Gaza devido à invasão israelita, propondo medidas para aumentar a pressão sobre Telavive.
"Agora, sejamos francos, o que Ursula von der Leyen anunciou o que vai propor e o que vai propor também é pouco, ainda não é nada de muito concreto", acrescentou, apontando que, à Esquerda, "há cada vez mais eurodeputados" a denunciar "o genocídio em Gaza".
Esta é apenas uma das críticas da Esquerda Europeia numa moção de censura que será entregue no Parlamento Europeu e à qual a agência Lusa teve acesso.
No documento, Ursula von der Leyen é criticada pela "incapacidade de agir" para evitar a crise humanitária em Gaza e pela falta de "medidas significativas" nas áreas ambientais e sociais.
Para a Esquerda Europeia, o executivo comunitário "perdeu a confiança do Parlamento" devido a "falhas na transparência, na responsabilização e na defesa do direito internacional".
É também mencionado o "prejudicial, assimétrico e não recíproco" acordo comercial entre a UE e os Estados Unidos e "a ameaça" causada pelo acordo entre a UE e os países do Mercosul (Argentina, Brasil, Bolívia, Paraguai e Uruguai).
Além desta moção de censura ao executivo de Ursula von der Leyen, o grupo Patriotas pela Europa também apresentou uma moção.
O grupo Patriotas pela Europa, a que pertencem os dois eleitos do Chega, tem 84 eurodeputados, enquanto a Esquerda, com um eleito do BE e outro da CDU, conta com 46 assentos. O Partido Popular Europeu (PPE, que abrange PSD e CDS-PP, e a que pertence von der Leyen) é o maior grupo, com 188 lugares.
A assembleia europeia chegou, em julho passado, a submeter Ursula von der Leyen a uma moção de censura - a primeira em dez anos - depois de o Tribunal Geral da UE ter considerado que a Comissão Europeia não conseguiu apresentar uma explicação plausível para não divulgar mensagens de texto trocadas pela presidente da instituição com o presidente executivo da farmacêutica Pfizer durante a covid-19.
Apesar de a moção de censura ter sido rejeitada, impedindo a queda do executivo comunitário, revelou menos apoio parlamentar à presidente da Comissão Europeia, o que poderá afetar negociações em dossiês cruciais, como o orçamento da UE a longo prazo.
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