Cartazes de Ventura e Saúde agitam campanha a 2 meses das Presidenciais

Novembro 16, 2025 - 12:00
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Cartazes de Ventura e Saúde agitam campanha a 2 meses das Presidenciais

Os cartazes do candidato presidencial apoiado pelo Chega com as frases "Isto não é o Bangladesh" e "Os ciganos têm de cumprir a lei" motivaram o repúdio dos restantes aspirantes a Belém, com Luís Marques Mendes a considerá-los racistas e provocadores e Gouveia e Melo a acusar Ventura de ter entrado "num corrupio de xenofobismo e racismo" que faz lembrar o sistema hitleriano.

 

Para António José Seguro, as mensagens inscritas nos cartazes do líder do Chega, que Catarina Martins descreveu como "xenófobas", são inaceitáveis e atentam contra os valores constitucionais, com António Filipe a defender mesmo que estas envergonham o país.

Estas frases motivaram queixas ao Ministério Público, que abriu um inquérito.

Dizendo-se vítima de uma "perseguição política", o líder do Chega mostrou-se preocupado com as eventuais consequências caso a justiça o mande retirar os 'outdoors', pedindo que se preserve a liberdade de expressão.

Os cartazes de Ventura e a aprovação da Lei da Nacionalidade - e consequente pedido de fiscalização preventiva feito pelo PS ao Tribunal Constitucional - tornaram a imigração um dos temas centrais da campanha, a par da saúde, evocada quase diariamente e transversalmente com um dos principais problemas do país.

Um dia depois de Seguro admitir que salvar o Serviço Nacional de Saúde será a "prioridade das prioridades" caso seja eleito em 18 de janeiro, o atual Presidente, Marcelo Rebelo de Sousa, sugeriu um acordo político sobre o papel do SNS, uma ideia bem acolhida por Marques Mendes e Gouveia e Melo, mas que levou Catarina Martins a dizer que o ainda Presidente da República desresponsabilizou o Governo.

Perante a 'ameaça' de greve por parte dos médicos tarefeiros, Ventura desafiou Marques Mendes, Gouveia e Melo e Seguro para um debate centrado no tema da saúde, rejeitado pelos outros intervenientes, por se tratar de "politique", na definição do candidato apoiado pelo PSD.

Nos últimos dias também a reforma da legislação laboral e a consequente convocação de uma greve geral para 11 de dezembro 'entraram' na campanha, com os concorrentes a Belém a dividirem-se entre o apelo ao diálogo entre sindicatos e Governo -- caso de Marques Mendes ou Seguro -- e a rejeição ao pacote proposto pelo executivo entre os candidatos da esquerda.

Numa campanha ainda a 'meio gás', são as trocas de 'farpas' entre candidatos, nomeadamente sobre a 'pertença' ou não ao sistema, ou as divisões à esquerda que têm animado a corrida a Belém.

"Quem começa uma candidatura presidencial a dizer que quer ser o candidato fora do sistema e acaba a dizer o mesmo que diz o Partido Socialista e o Bloco de Esquerda, quem faz ziguezagues, avanços e recuos não sou eu. É o almirante Gouveia Melo", acusou o líder do Chega, que escolheu o ex-chefe do Estado-Maior da Armada, em queda nas sondagens nas últimas semanas, como seu principal 'alvo'.

O apoio partidário tem sido mesmo uma das principais 'armas' entre candidatos, com o antigo presidente social-democrata a argumentar que "os partidos não têm lepra" e a mostrar orgulho no seu passado político, lembrando que enquanto outros "fazem umas guinadas" à direita e à esquerda, ele está "no mesmo sítio".

Se Marques Mendes não se demarca do respaldo do PSD, nem dos nomes sonantes do partido, como José Manuel Durão Barroso, Seguro reagiu ao apoio do PS com cautela, notando que a sua candidatura é "suprapartidária".

Depois de recusar posicionar-se à esquerda, o ex-secretário geral dos socialistas esteve no lançamento do livro "O 25 de Novembro - Memórias de um Capitão de Abril", de Vasco Lourenço, uma das muitas vozes que apelou à desistência da antiga coordenadora do Bloco de Esquerda Catarina Martins e de António Filipe, candidato apoiado pelo PCP.

A estes, que rejeitaram veementemente a possibilidade de desistir a favor de Seguro, juntou-se ainda Jorge Pinto, oficializado como candidato do Livre apenas em 01 de novembro.

A proliferação de candidatos à esquerda promete dividir o eleitorado, sendo expectável que o mesmo aconteça à direita, onde se situa Cotrim Figueiredo, que revelou ter recebido "recados e contactos" de três candidaturas não especificadas sobre o facto de a sua entrada na corrida a Belém ser "inoportuna".

O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal assumiu como objetivo a passagem à segunda volta, o mesmo propósito apresentado por André Ventura, que tem surgido na segunda posição em várias sondagens e protagonizado várias polémicas na campanha, como a relacionada com evocação de Salazar.

"O país está tão podre de corrupção, impunidade e bandidagem que seriam necessários três Salazares para pôr isto na ordem", declarou o líder do Chega, com a sua afirmação a merecer o repúdio de outros candidatos presidenciais.

"Este homem não respeita nada, nem ninguém [...]. Numa palavra: este homem não vai ser, nem pode ser Presidente da República", resumiu Marques Mendes, com Gouveia e Melo a instar Ventura "a fazer o jogo democrático".

No entanto, também estes dois candidatos se envolveram, nos últimos dias, numa polémica.

"O almirante Gouveia Melo, sempre que fala, tem uma certa tendência para três coisas: ou para dizer alguns disparates, ou para entrar em contradições, ou para gerar precipitações e polémicas", afirmou Luis Marques Mendes, considerando que "estes predicados não são bons para quem quer ser Presidente da República", defendeu o social-democrata.

Na resposta, o antigo chefe do Estado-Maior da Armada pediu "um bocadinho mais elevação da linguagem", escusando-se a entrar "nessa pequena guerra" de acusações, alegando que "pode ser interessante para os noticiários" mas não para os portugueses.

As eleições presidenciais estão agendadas para 18 de janeiro. Anunciaram, formalmente, as suas candidaturas António Filipe (com o apoio do PCP), António José Seguro (apoiado pelo PS), André Ventura (apoiado pelo Chega), Catarina Martins (apoiada pelo BE), Henrique Gouveia e Melo, João Cotrim Figueiredo (apoiado pela Iniciativa Liberal), Jorge Pinto (apoiado pelo Livre) e Luís Marques Mendes (com o apoio do PSD).

Segundo o portal da candidatura, do Ministério da Administração Interna, existem mais 31 cidadãos que se encontram a recolher assinaturas para uma candidatura à Presidência.

Leia Também: Ventura preocupado com consequências caso tenha de retirar cartazes

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