Cantona questiona aposta do Manchester United em Ruben Amorim
Éric Cantona discursou, na passada quinta-feira, para uma plateia de cerca de 900 pessoas, num anfiteatro situado nas imediações da cidade irlandesa de Drogheda, onde não poupou nas críticas tecidas a Sir Jim Ratcliffe, co-proprietário do Manchester United, que, garante, recusou aceitar a sua ajuda, na reconstrução desportiva do clube.
"Eu tenho várias outras paixões e projetos, mas pensei que, durante dois ou três anos, poderia, talvez, colocar tudo isso de parte e tentar dar algo a este clube, que me deu tudo, mas ele não pareceu interessado", começou por afirmar o antigo (e sempre polémico) internacional francês, em declarações reproduzidas pelo jornal britânico The Telegraph.
"Eu fiz aquilo que tinha de fazer, por isso, já não me sinto culpado. Tentei fazer o meu melhor. Sir Alex Ferguson criou um lindo estilo de futebol atacante, que os novos proprietários deveriam ter aproveitado. Em vez disso, destruíram-no (...). O Alex veio a Paris, fomos jantar e tivemos uma grande noite. Que outro treinador teria feito isso, hoje em dia? Impossível. Eu teria morrido por ele", prosseguiu.
"Recordo-me de um balneário com os jogadores e Sir Alex Ferguson. Todas aquelas pessoas que não conhecia ajudaram-nos a sentir em casa e em família. É muito importante respeitar essas pessoas como respeitas o tu treinador e os teus companheiros de equipa. Desde que Ratcliffe chegou, foi o completo oposto", completou.
Um 'aviso' a Ruben Amorim
Éric Cantona pegou, de seguida, na já formalizada proposta para a construção de um novo estádio, de cerca de 100.000 lugares, que substituirá Old Trafford, para acentuar as críticas... em jeito de 'aviso' ao treinador português Ruben Amorim, no âmbito daquilo que os 'patrões' estão dispostos a fazer.
"Ele [Sir Jim Ratcliffe] já não quer Sir Alex Ferguson como embaixador. Ele é mais do que uma lenda, e penso que penso que temos de encontrar esta alma, de novo. Esta equipa de dirigentes tenta destruir tudo. Eles não respeitam ninguém. Eles até querem mudar o estádio", refletiu o antigo avançado, atualmente, com 59 anos de idade.
"Este estádio é icónico. Para mim, o Arsenal perdeu a alma quando deixou Highbury, e tenho a certeza de que muitos adeptos sentem a falta de Highbury. É como quando entras numa casa e sentes uma energia especial. Conseguem imaginar o Liverpool a jogar noutro estádio que não Anfield? É impossível", acrescentou.
"Não me parece que o Manchester United possa jogar noutro estádio que não Old Trafford, mas penso que talvez sejamos sonhadores e eles pensem mais na vertente da economia e da estratégia. Eu odeio este tipo de coisas. Eu odeio este tipo de decisões", rematou, visivelmente consternado.
Natural de Marselha, em França, Éric Cantona deu os primeiros passos no mundo do futebol ao serviço do Auxerre, tendo somado passagens por Martigues, Marseille, Bordeaux, Montpellier e Nimes Olympique, de onde partiu para o Leeds United, em janeiro de 1992, a troco de uma verba na ordem dos 1,5 milhões de euros.
Um ano depois, rumou ao Manchester United, onde viveu os melhores momentos da carreira, somando 82 golos ao cabo dos 185 jogos oficiais em que foi utilizado, antes de ter optado por colocar um ponto final na carreira, em 1997.
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