Canadá "avalia" relação com Israel após ataques no Qatar contra Hamas
"Isto é uma violação do espaço aéreo do Qatar (...) numa altura em que o Qatar tentava trabalhar pela paz", disse Anita Anand, ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá, numa conferência de imprensa.
A ministra reiterou ainda que o seu país estava a trabalhar para reconhecer o Estado da Palestina, uma medida fortemente condenada por Israel que Otava deverá formalizar na Assembleia Geral da ONU no final de setembro, juntamente com os países europeus.
"Estamos a assegurar que estamos no bom caminho para reconhecer oficialmente a Palestina", acrescentou.
A ministra, falando à imprensa de Edmonton (oeste), reiterou ainda que a prioridade do Canadá é "trabalhar pela paz no Médio Oriente", mencionando a importância de resolver rapidamente a crise humanitária em Gaza.
A operação israelita de terça-feira em Doha foi condenada pela unanimidade dos países da região e pode ameaçar os esforços de paz promovidos por Estados Unidos, Egito e Qatar.
As autoridades de Doha consideraram que se tratou de uma ação cobarde e uma violação da sua soberania.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, demarcou-se do ataque israelita no Qatar, aliado de Washington.
A decisão de lançar um ataque contra os líderes do Hamas em Doha "foi tomada pelo primeiro-ministro [israelita] Benjamin Netanyahu, não por mim", escreveu Donald Trump na rede social Truth.
Tratou-se, adiantou, de um "incidente lamentável que poderia ser uma oportunidade para a PAZ".
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, justificou o ataque executado com o atentado ocorrido na segunda-feira em Jerusalém, reivindicado pelo braço armado do Hamas e que provocou seis mortos.
Além disso, Netanyahu apontou também a participação dos visados nos massacres liderados pelo grupo palestiniano em 07 de outubro de 2023 no sul de Israel, que mataram cerca de 1.200 pessoas e desencadearam o atual conflito no enclave.
O Hamas anunciou pelo seu lado que cinco dos seus membros morreram na sequência do ataque, mas ressalvou que os responsáveis das negociações e que eram os alegados alvos de Israel sobreviveram.
"Confirmamos que o inimigo não conseguiu assassinar os nossos irmãos da delegação de negociação. Entretanto, vários dos nossos irmãos mártires ascenderam aos mais altos postos de glória", declarou o grupo num comunicado, que inclui os nomes dos cinco mortos.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, propôs hoje sanções contra ministros de Israel "extremistas" e uma suspensão parcial do Acordo de Associação entre a União Europeia e Israel.
O ataque ocorreu numa fase em que os militares israelitas se prepararam para ocupar a Cidade de Gaza e expulsar centenas de milhares dos seus habitantes, numa região do enclave que a ONU já declarou enfrentar uma situação de fome.
No centro das negociações entre as partes está a pausa das hostilidades, o desarmamento do Hamas e a libertação de 48 reféns que os militantes palestinianos conservam há quase dois anos, dos quais se estima que 20 estejam vivos.
Após os ataques de 07 de outubro de 2023, Israel lançou uma ofensiva em grande escala na Faixa de Gaza, que provocou acima de 64 mil mortos, na maioria mulheres e crianças, segundo as autoridades locais controladas pelo grupo islamita, destruiu a quase totalidade das infraestruturas do território e provocou um desastre humanitário sem precedentes na região.
Leia Também: Incêndios de 2023 no Canadá contribuíram para a morte de 70.000 pessoas
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