Bruno Lage responde a Mourinho: "Tenho as costas largas..."

Novembro 14, 2025 - 14:00
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Bruno Lage responde a Mourinho: "Tenho as costas largas..."

Bruno Lage deu, ao final da manhã desta sexta-feira, uma palestra, na Faculdade de Motricidade Humana (FMH) da Universidade de Lisboa, após a qual falou com os jornalistas a propósito de uma série de temas, começando, desde logo, a maneira como o Benfica tem vindo a jogar, desde que abandonou o cargo de treinador, no passado mês de setembro.

 

"Não tenho acompanhado tanto como seria normal, porque, após a minha saída, o melhor para nós é afastarmo-nos e colocarmo-nos à distância. Agora, o mais importante é aquilo que dizia para mim, e tenho de ser coerente nesta análise. O maior adversário do Benfica, esta época, seria o fator tempo, por isso, se pedia tempo para mim, é legítimo pedir tempo para o mister José Mourinho poder ter tempo para treinar", começou por afirmar.

"O número de treinos é muito curto, é mais tempo a jogar do que propriamente a treinar, por isso, o mais importante é sentirmos que tem de existir um período de tempo, e que esse período de tempo seja materializado em treinos, não apenas de recuperação, mas em que o treinador possa ter todos os jogadores à disposição para treinar e fazer crescer a sua ideia de jogo", prosseguiu.

"O que posso dizer é que o Benfica tem plantel, o Benfica tem treinador e o Benfica precisa tempo. Tem um plantel de enorme qualidade e um treinador que não precisa de apresentações, por isso, tem todas as condições para, independentemente de estar em desvantagem, fazer uma grande época, à imagem do que aconteceu no ano passado...", completou.

"Mourinho? À medida que vamos tendo experiência, as nossas costas vão ficando cada vez mais largas..."

Bruno Lage (que fez questão de recordar que, dos quatro títulos em disputa, na passada temporada de 2024/25, o Benfica "venceu dois e foi à final da Taça de Portugal) aproveitou, ainda, a ocasião para responder a José Mourinho, que, na chegada à Luz, para o substituir, acusou a equipa de "morder pouco".

"Não é encarar isso como um reparo. À medida que vamos tendo experiência, as nossas costas vão ficando cada vez mais largas. Neste momento, é isso que sinto. Tenho as costas largas, mas não senti isso como uma crítica. Vou ser honesto, senti isso foi como... Os treinadores são diferentes, as ideias de jogo dos treinadores são diferentes...", sublinhou.

"A ideia de jogo do Roger Schmidt era diferente da minha. A ideia de jogo do mister Mourinho é diferente da minha. Eventualmente, no futuro - e conto que seja daqui a muitos anos - quando vier outro treinador para o Benfica, a ideia de jogo será diferente da do mister Mourinho. O importante é criar condições para a equipa ter tempo de treino, para ir de encontro à forma de jogar de cada treinador", acrescentou.

"Quando chegámos, vimos que Roger Schmidt tinha uma ideia de jogo diferente da minha. Havia jogadores que não estavam a jogar, e que, connosco, passaram a jogar mais vezes. Um exemplo disso é claro, é o Álvaro [Carreras]. Havia jogadores que jogavam em posições diferentes. Exemplos disso são o [Orkun] Kokçu e o Fredrik [Aursnes]. Os registos são completamente diferentes. É tudo uma questão de adaptação à ideia de jogo do treinador", rematou.

"Liga dos Campeões? Enquanto houver pontos suficientes para seguir em frente, a equipa tem de acreditar"

A terminar, o sadino fez questão de deixar uma mensagem de confiança a José Mourinho, particularmente, na Liga dos Campeões, onde os encarnados continuam sem qualquer ponto conquistado, ao cabo de quatro jornadas: "Na Liga dos Campeões, cada jogo tem a sua história, por isso, enquanto houver a possibilidade de conquistar os pontos que levem a equipa para a fase seguinte, a equipa tem de acreditar".

"O exemplo do ano passado vai ao encontro disso. É verdade que vencemos o Atlético de Madrid, em casa, mas, quando perdemos com o Feyenoord, teriam sido três pontos importantes para passar à fase seguinte. Quando empatámos com o Bologna, era porque tínhamos perdido dois pontos que seriam determinantes para passar à fase seguinte", recordou.

"Perdemos cinco pontos em casa, mas a equipa teve a capacidade de conquistar seis pontos fora. Vencemos, pela primeira vez, no Mónaco, foram três pontos muito importantes, e, na última jornada, vencemos, em Turim, por 0-2, o que nos garantiu os pontos necessários para passar à fase seguinte. Isso é que é o mais importante. Enquanto houver pontos suficientes para a equipa conquistar e seguir em frente, a equipa tem de acreditar", concluiu.

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