Brasil considera "absurdas" restrições de visto dos EUA a ministro
"São restrições que não têm cabimento, injustas, absurdas", disse Mauro Vieira, numa conferência de imprensa em Brasília ao lado da chefe da diplomacia da UE, Kaja Kallas, referindo-se à participação do ministro da Saúde brasileiro, Alexandre Padilha, na 80.ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
Mauro Vieira disse ainda que já pediu a "interferência" do secretário-geral "junto ao país-sede".
"Tratámos do tema nos canais disponíveis, e estamos esperando agora a ação do secretário-geral da ONU e a presidente da Assembleia Geral", reforçou.
Alexandre Padilha recebeu um visto de circulação limitada a cinco quarteirões entre o hotel em que está hospedado e a sede da ONU, em Nova Iorque.
Em plena crise diplomática entre o Brasil e os Estados Unidos, Washington cancelou, em agosto, o visto de Padilha e de alguns dos seus familiares como sanção pela sua participação como ministro da Saúde, à época, na assinatura de um acordo para a contratação de milhares de médicos cubanos.
O Acordo de Sede da ONU diz que autoridades estaduais, federais ou locais não irão impor nenhum impedimento ao movimento de representantes dos Estados-membros de ou para a sede central da ONU, em Nova Iorque, independentemente das relações existentes entre os governos visitantes e o governo dos Estados Unidos.
A 80.ª sessão da Assembleia Geral da ONU (UNGA80) arrancou no passado dia 9, iniciando-se na próxima semana, dia 23, o debate geral de alto nível com o discurso do presidente brasileiro, Lula da Silva - como é habitual.
O Brasil e os Estados Unidos vivem, nos últimos meses, tensões comerciais e diplomáticas sem precedentes iniciadas com a imposição de tarifas de 50% por parte dos EUA a vários produtos brasileiros.
Esta crise entrou numa nova fase mais delicada na sequência da condenação, na semana passada, a 27 anos e três meses de prisão, do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, aliado político de Donald Trump.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, alertou que o país responderá à condenação, considerando que a decisão faz parte de uma "caça às bruxas", como, aliás, já tinha sido dito por Trump.
"Continua a perseguição política liderada por Alexandre de Moraes [juiz relator do processo], sancionado por violar os direitos humanos, depois de ele e outros membros do Supremo Tribunal Federal do Brasil terem decidido injustamente prender o ex-presidente Jair Bolsonaro", denunciou Marco Rubio no dia em que foi conhecida a sentença.
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