Boicote ao Mundial? Após Alemanha, eis o que França tem a dizer
Philippe Diallo, presidente da Federação Francesa de Futebol (FFF), concedeu, este domingo, uma extensa entrevista à estação televisiva gaulesa RMC Sport, na qual descartou um eventual boicote ao Campeonato do Mundo de 2026 como forma de protesto contra as mais recentes ações de Donald Trump.
"Eu tenho uma posição de princípio, que passa por tentar fazer com que o desporto - um local de encontro e união - esteja o mais afastado possível da política. Estou atento à situação internacional, mas, neste momento, não há absolutamente nenhuma hipótese de um boicote da seleção de França ao Mundial", atirou.
"Esta posição é clara, ainda que estejamos atentos a todos os desenvolvimentos que possam surgir. O meu mais profundo desejo é que a seleção de França parta, a 9 de junho, para os Estados Unidos da América, com uma grande ambição, para disputar este Campeonato do Mundo", acrescentou.
França, recorde-se, está inserida no Grupo I do Mundial2026, juntamente com Senegal (o recém-sagrado campeão africano), Noruega e o vencedor do playoff intercontinental que colocará, frente a frente, Bolívia, Suriname (nas meias finais) e Iraque (automaticamente apurado para a final), entre 26 e 31 de março.
Boicote é tema de discussão na Alemanha
A possibilidade de um boicote ao Campeonato do Mundo de 2026 virou tema na Alemanha desde o final da passada semana, quando Oke Gottlich, presidente do St. Pauli e um dos dez vice-presidentes da Federação Alemã de Futebol (DFB), concedeu uma extensa entrevista à edição deste sábado do jornal germânico Hamburger Morgenpost.
"Quais foram as justificações para os boicotes aos Jogos Olímpicos de 1980? Do meu ponto de vista, a potencial ameaça é maior, neste momento, do que era, na altura. Precisamos de ter esta discussão", começou por afirmar, referindo-se à ação de protesto liderada pelos Estados Unidos da América contra a invasão levada a cabo pela União Soviética ao Afeganistão, que acabou por contar com o apoio de mais de 60 países oriundos dos quatro cantos do planeta.
"O Qatar era demasiado político para toda a gente, e, agora, somos completamente apolíticos? Isso é algo que me incomoda mesmo, mesmo, mesmo (...). Enquanto organizações e sociedades, estamos a esquecer-nos de como impor tabus e limites, e de como defender valores. Os tabus são uma parte essencial da nossa tomada de posição", prosseguiu.
"Será um tabu cruzado quando alguém avança com uma ameaça? Será um tabu cruzado quando alguém ataca? Quando morrem pessoas? Eu gostaria de saber, da parte de Donald Trump, quando é que ele alcançou o seu tabu, e também gostaria de sabê-lo da parte de Bernd Neuendorf e Gianni Infantino", completou, apontando o dedo aos líderes máximos de DFB e FIFA, respetivamente.
Na base do 'murro na mesa' de Oke Gottlich estão os esforços levados a cabo pelo presidente dos Estados Unidos da América para anexar a Gronelândia, um território pertencente à Dinamarca, país que, por seu lado, faz parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO), assim como a ameaça de imposição de tarifas a oito países europeus que se opuseram à mesma.
"A vida de um jogador profissional não vale mais do que as vidas de inúmeras pessoas de várias regiões que estão a ser, direta ou indiretamente, atacadas ou ameaçadas pelo anfitrião do Campeonato do Mundo", completou o dirigente.
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