BE repudia acordo de PSD e Chega em Sintra: "Entrada da extrema-direita"
"Ao escolher governar com o Chega, Marco Almeida e o PSD não só contradizem o 'não é não' que o PSD andou a apregoar, traindo a confiança de quem votou na coligação PSD/IL/PAN para evitar a vitória da extrema-direita, como confirmam a deriva ideológica de um projeto político disposto a abdicar de princípios democráticos em nome do poder", afirmou, em comunicado, a estrutura local do BE.
Para os bloquistas sintrenses, a Iniciativa Liberal também não sai ilesa desta história, pois a sua direção nacional, "embora soubesse desde agosto da abertura de [Marco] Almeida para trazer o Chega a bordo, veio agora tentar salvar a face à pressa, retirando a confiança política à sua cabeça de lista".
"A entrada da extrema-direita na governação local não é um detalhe nem um acaso - é uma escolha consciente que normaliza o discurso do ódio, da exclusão e da xenofobia", considerou o BE, notando que o PSD e a vereadora eleita pela IL, Eunice Baeta, revelam "disponibilidade para pactuar com quem ataca diariamente os direitos das mulheres, dos imigrantes, das minorias" e dos trabalhadores.
A vereadora Rita Matias, do Chega, também é citada por se ter escusado "a assumir as responsabilidades executivas" e preferir "manter-se no conforto do parlamento, acumulando funções e protagonismo político".
"Esta é a medida da seriedade do acordo: um arranjo de bastidores que garante lugares e influência, mas que foge às obrigações do serviço público e do trabalho autárquico. Sintra merece mais do que vereadoras-fantasma ao serviço da propaganda e do extremismo", advogam.
Mas o BE notou que "a promiscuidade política não se fica por aqui" e "é também inaceitável que a gestão dos Serviços Municipalizados de Água e Saneamento (SMAS) seja entregue ao marido da vereadora eleita pela IL".
"O PSD e a vereadora eleita pela IL fazem da autarquia uma extensão das suas redes de influência e favores, transformando cargos públicos em espaços de conivência partidária", apontaram os bloquistas, acrescentando que, "além de um insulto à transparência, à ética e à confiança do eleitorado", a decisão "deixa a porta aberta à privatização" dos SMAS, opção que "já mostrou ser pior e mais cara" para os munícipes de outros concelhos.
A coordenação concelhia do BE referiu que está em causa não apenas a composição de um executivo, mas "o futuro democrático do concelho", uma vez que "a governação de Sintra com a extrema-direita ameaça valores fundamentais de igualdade, solidariedade e respeito pela diversidade".
"Põe em risco os avanços sociais e a defesa dos serviços públicos. E mina a confiança da população numa autarquia que devia ser casa de todos, e não palco de negócios e entendimentos obscuros", frisaram.
O executivo municipal aprovou hoje, na primeira reunião, com seis votos a favor e quatro contra, com a vereadora Eunice Baeta ausente nesse momento, a proposta de Marco Almeida para a nomeação de Rui Caetano como presidente do conselho de administração dos SMAS, além de Paulo Gomes e Rui Covas Simões como vogais.
Rui Caetano, licenciado pelo Instituto Superior de Engenharia de Lisboa, foi deputado à Assembleia da República, pelo CDS-PP, dirigiu a empresa municipal HPEM- Higiene Pública, entre 2002 e 2011, e integrou a Empresa Municipal de Estacionamento de Sintra (EMES), de 2011 a 2014.
A vereadora Eunice Baeta, que se escusou para já a comentar a retirada da confiança política pela IL devido ao acordo com o Chega no executivo, disse à Lusa que Rui Caetano "trabalhou mais de 10 anos com o professor [Fernando] Seara e com o dr. Marco Almeida" e que o convite lhe foi feito "diretamente" "muito antes da IL fazer coligação com o PSD".
"É evidente que o serviço que ele prestou ao município há 10 anos é mais do que comprovativo que ele não precisa de viver com ninguém" para ir para qualquer lugar, salientou a autarca, acrescentando ser "lamentável" que o Bloco de Esquerda "ponha em causa a competência de uma pessoa" como Rui Caetano.
"O currículo dele fala por ele, eu não preciso de enumerar", concluiu.
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