Azerbaijão condena a 20 anos ex-primeiro-ministro de Nagorno-Karabakh
"O Tribunal Militar de Baku proferiu sentença contra o cidadão arménio Ruben Karleni Vardanyan, acusado ao abrigo de vários artigos do Código Penal do Azerbaijão, incluindo crimes contra a humanidade, crimes de guerra, terrorismo, financiamento do terrorismo e outros crimes graves", informou a agência Haqquin.
O tribunal condenou-o a 20 anos de privação de liberdade, embora a Procuradoria do Azerbaijão tivesse solicitado pena de prisão perpétua.
Vardanyan, que assumiu a chefia do Governo em novembro de 2022, foi destituído em fevereiro de 2023 após a recusa do Presidente do Azerbaijão, Ilham Aliyev, em negociar com esta república autoproclamada enquanto este se mantivesse no cargo.
Ainda assim, o oligarca, que tinha renunciado à cidadania russa para se tornar primeiro-ministro de Nagorno-Karabakh, permaneceu no território após a demissão, tendo sido posteriormente detido.
A 05 deste mês, a Justiça azeri já tinha condenado a prisão perpétua vários dirigentes de Nagorno-Karabakh, incluindo o ex-presidente Araik Harutiunyan, o ex-ministro da Defesa Levon Mnatsakanyan, o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros David Babauan, o ex-presidente do parlamento de Karabakh David Ishjanyan, bem como o comandante-adjunto do Exército David Manukyan.
Por seu lado, os antigos líderes da república Arkadi Gukasián e Bako Sahakián foram condenados a 20 anos de prisão, por terem mais de 65 anos, circunstância que, segundo a agência Azertag, impede a aplicação de pena perpétua.
Todos os condenados foram detidos no final de 2023, após uma operação militar do Azerbaijão em Nagorno-Karabakh que terminou com a capitulação das autoridades do pequeno enclave.
Nenhum dos arguidos reconheceu a culpa, enquanto os meios de comunicação social arménios classificaram o julgamento em Baku como uma "farsa".
Segundo a legislação do Azerbaijão, os condenados, acusados de crimes tão graves como financiamento do terrorismo, homicídios, tortura e tomada ilegal do poder, entre outras acusações, podem recorrer das decisões.
Segundo Vardanyan, cuja libertação foi exigida por várias personalidades do mundo da cultura e dos negócios, o processo judicial em Baku é uma tentativa de punir todas as pessoas que quiseram ajudar Nagorno-Karabakh e a sua população arménia.
A república de Nagorno-Karabakh, criada em 1991 após um referendo apoiado por 99,98% da população, foi dissolvida a 01 de janeiro de 2024 por decreto do seu último presidente, Samvel Shahramanyan, depois de o Exército do Azerbaijão ter assumido o controlo do território montanhoso.
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