Aposta de Mourinho na formação é 'bla bla bla'. Rafa é só a confirmação
Rafa Silva está, ao que tudo indica, na iminência de regressar ao Benfica. Um jogador com qualidade, conhecimento da casa (os 94 golos e 67 assistências em 326 jogos de águia ao peito falam por si só) e capacidade para fazer a diferença no imediato (apesar de não jogar há já mais de dois meses), mas que levanta, uma vez mais, dúvidas quanto àquilo que é, ao certo, o projeto desportivo do clube.
O valor de Rafa Silva não está em causa, por muito mal que a experiência no Besiktas tenha corrido, mas vai servir... para quê? Para ajudar na luta pelo título, quando o FC Porto está a dez pontos de distância, com menos da segunda volta por jogar? Para ajudar na Liga dos Campeões, quando o acesso aos playoffs pode ficar matematicamente vetado já na quarta-feira? Para uma potencial valorização, quando vai festejar o 33.º aniversário dentro de menos de quatro meses?
Acima de tudo, que mensagem passa à formação, um dos pilares da recandidatura de Rui Costa, o regresso de um atleta que fez a sua parte, conquistou o carinho dos adeptos e depois partiu, a 'custo zero', apesar das várias tentativas feitas para que renovasse contrato e do esforço financeiro inerente? Sobretudo, quando irá, claramente, tornar ainda mais estreito o caminho para a equipa principal?
Neste momento, o argumento do Seixal não passa de uma falácia. Por mais do que uma vez, José Mourinho vangloriou-se da aposta nos mais jovens, sublinhando que "têm potencial, mas alguém tem de os meter lá dentro". Isto foi dito a 9 de dezembro, na véspera da receção ao Napoli, a propósito de José Neto. O mesmo José Neto que, desde então, foi utilizado em... seis minutos, partilhados por dois jogos.
Com o plantel do Benfica devastado por lesões, a porta estava escancarada para os 'miúdos', mas isto traduziu-se numa mão cheia de nada. José Neto, Diogo Ferreira, João Rego, Gonçalo Oliveira, Diogo Prioste e João Fonseca estiveram, de facto, entre as opções, nos três últimos jogos. Destes, só João Rego teve oportunidade de se mostrar, quando foi lançado para o lugar de Gianluca Prestianni, aos 78 minutos da vitória sobre o Rio Ave, por 2-0.
Não é preciso muito para perceber o que pode ser feito. Na verdade, basta olhar para o lado. Isto é, para o Sporting, que, na temporada passada, mais ou menos por esta altura, passou por uma crise física semelhante, levando Rui Borges a desdobrar-se em invenções para compor um grupo de trabalho que acabaria por sagrar-se bicampeão nacional, com todas as dificuldades conhecidas.
Uma dessas invenções deu pelo nome de João Simões, que passou de um total desconhecido, aos 17 anos de idade, para uma aposta firme no onze, menos de um ano depois. Mas, se nem assim José Mourinho olha com outros olhos para os talentos da formação, quando é que vai olhar? E como é que Rui Costa consegue aceitar este tipo de gestão quando fez da aposta no Seixal uma das principais bandeiras eleitorais?
Rafa Silva até pode chegar ao Benfica, fazer uma grande segunda metade de temporada e relançar uma campanha que parece não ter solução. Qualidade para isso não lhe falta. Mas chegará a altura em que Rui Costa terá de perceber que, tal como aconteceu com José Mourinho, não será com remendos de curta validade que colocará o clube no patamar onde pretende colocá-lo.
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