António Filipe. "Não havia nenhum candidato para eleitores progressistas"
António Filipe defendeu, na noite de quarta-feira, na CNN Portugal, que é o candidato de Esquerda mais bem posicionado para chegar à segunda volta nas eleições presidenciais de 18 de janeiro de 2026.
"Quando avancei, muitas pessoas disseram-me 'finalmente tenho um candidato em que votar'", contou o candidato apoiado pelo PCP, considerando que até esse momento "não havia nenhum candidato que os eleitores progressistas se pudessem rever" e que a sua candidatura veio colmatar não só isso como a ausência de um candidato "verdadeiramente identificado com os valores de Abril" e da Constituição.
Sobre António José Seguro, apoiado pelo PS, António Filipe teceu vários comentários depreciativos. "Quanto alguém tem tanta dificuldade em dizer que é de Esquerda, há um problema. Num dia diz que não quer ser metido em gavetas, noutro tenta corrigir, mas sempre com hesitações", atirou.
O ex-vice-presidente da Assembleia da República fez ainda, na mesma entrevista, duras críticas à proposta labora do Governo. Para o comunista trata-se de "um retrocesso muito grave em matéria de direitos fundamentais dos trabalhadores".
Entre as medidas que mais contesta estão "a liberalização do despedimento e o fim do direito à reintegração, mesmo quando o tribunal declara o despedimento ilegal".
"Estamos a falar de uma desregulação completa dos horários, de trabalhadores obrigados a aceitar bancos de horas individuais até 50 horas semanais e de limitações graves à ação sindical", atirou, lembrando que a proposta "reduz ainda os direitos das mães trabalhadoras", o que é "inaceitável".
António Filipe espera assim que o diploma "seja retirado antes de chegar ao Presidente da República". Porém, se for eleito, promete "analisar a constitucionalidade das normas" e não hesitar em "enviar para o Tribunal Constitucional o que considerar violar a Constituição" e, mesmo que não haja inconstitucionalidades, fará uso do veto político: "Eu estaria com os trabalhadores e apelaria à Assembleia da República para repensar aquilo que aprovou".
Sobre a greve geral de 11 de dezembro, o comunista sublinhou que estas "só existem se os trabalhadores acreditarem na justiça das suas razões".
Já sobre a guerra na Ucrânia, um dos temas que mais controvérsia gera à Esquerda, António Filipe defendeu que "seja quem for o Presidente da República, a Ucrânia e a Rússia vão ter de se entender".
"A Europa precisa de uma solução de paz", afirmou, acrescentando que "é nessa solução de paz que eu acho que que nos devíamos empenhar".
"Eu, como Presidente da República, empenharia processos de paz onde existem conflitos armados. Por exemplo, eu acho que Portugal tem uma responsabilidade histórica em relação à Palestina", notou.
Antes da entrevista terminar, António Filipe comentou ainda a situação social e económica de Portugal que, afiançou, é o "principal motivo" da sua candidatura.
"Temos dois milhões e meio de trabalhadores que ganham menos de mil euros por mês. Isso é inaceitável" e deve-se, segundo o comunista, à "subordinação do poder político ao poder económico".
"A elevação geral dos salários não tem outros impactos, não tem impactos relativamente, por exemplo, no aumento da inflação. O único impacto que tem é na redução dos lucros. Ou seja, para termos estes lucros obscenos temos salários baixos e devia ser ao contrário", lembrou, assegurando que pretende ser "um Presidente da República que está ao lado das pessoas e não do poder económico".
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