Amputado foi o último a cruzar a meta da Maratona de Nova Iorque. Veja

Novembro 6, 2025 - 14:00
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Amputado foi o último a cruzar a meta da Maratona de Nova Iorque. Veja

Juan Pablo Dos Santos perdeu os dois membros inferiores em 2019, na sequência de um acidente de automóvel. Este ano, o jovem venezuelano de 26 anos foi o último a atravessar a meta da Maratona de Nova Iorque, que aconteceu no dia 2 de novembro.

 

A cada 100 passos, Juan Pablo tinha de remover as próteses e secar os revestimentos, para evitar ferir a pele durante a corrida de 42 quilómetros.

“Foi uma luta mental, em que a dor estava presente e só aumentava”, confessou o jovem à ABC, numa entrevista traduzida do espanhol para o inglês.

Ao fim de mais de 15 horas de corrida, e pouco depois da meia-noite de segunda-feira, Juan Pablo sagrou-se o último a atravessar a meta da maratona, tal como poderá ver no vídeo acima.

O venezuelano perdeu as pernas num acidente de viação, a 8 de setembro de 2019, no qual o prognóstico “não era nada bom”.

“Reconstruíram-me a anca, a pélvis, o que restava dos meus membros inferiores, e a maioria dos especialistas em próteses e traumatologistas ousou dizer que nunca mais voltaria a andar”, contou.

Um dador anónimo financiou a sua recuperação numa “das melhores clínicas da América Latina”, o que o ensinou que “com pequenas ações podemos fazer grandes mudanças na vida dos outros”. Criou, por isso, a Fundação Juan Pablo 2 Santos, para “ajudar tantas crianças quanto puder a caminhar para os seus sonhos” e a adquirir próteses.

Além disso, o jovem ficou determinado a provar que os médicos estavam errados. Com esse objetivo, surgiu uma nova ambição: correr na Maratona de Nova Iorque.

“Penso que o ‘não’ que estava escondido nos olhares [de quem contava o objetivo] e nas suas expressões motivaram-me a lutar com todas as minhas forças para alcançar o que parecia impossível”, disse.

Juan Pablo começou a corrida nervoso, mas confortável. Entre os quilómetros 30 e 35, contudo, caiu. “Foi um momento muito doloroso e senti que era até ali que poderia chegar. Mas levantei-me e segui em frente”, recordou.

Nos últimos dois quilómetros, a dor que o jovem sentia era “insuportável”.

“Depois de cruzar a linha de chegada, durante cerca de 10 minutos, foi como se o cansaço, a dor e a exaustão tivessem desaparecido completamente. Só pensava no objetivo pelo qual [tinha corrido] e em quantas pessoas estavam a ver e a inspirar-se, percebendo que também podem lutar para alcançar os seus sonhos”, disse.

E complementou: “Se alguma dessas pessoas sente que está atrasada para cumprir os seus sonhos, se alguma dessas pessoas sente que é tarde de mais para tentar aquilo que ama, esta é a prova de que não importa se chega em último, tem de cruzar a linha de chegada.”

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